Em todos os séculos acontece uma crise, que abala a economia como um sismo, que exige mudanças estruturais no mundo e mudanças comportamentais nos cidadãos, que aguça a criatividade, e que catapulta para uma situação de progresso.
É o que está a acontecer. Vivemos tempos incertos, com interrogações inquietantes que nos exigem novos esforços e maior ponderação. Atravessamos um túnel, e enquanto a luz não se descobre, há necessidade de redobrar o cuidado com que revemos as nossas contas e as nossas prioridades, dando especial ênfase à componente social porque são as pessoas que estão na primeira linha do horizonte de todas as políticas dos governos do partido socialista. É de registar quando os partidos da oposição também colaboram neste compromisso responsável que não deve pertencer apenas ao governo nem às forças político-partidárias, é obrigação de todos os cidadãos integrar, cada um ao seu modo e com a sua medida. Os que têm maiores dificuldades devem ser os apoiados e os que vivem mais confortavelmente devem ser os primeiros a pagar a crise. Esta é a trave mestra do edifício social.
Entretanto, vão acontecendo coisas bonitas e feias. No Faial, houve o Faial Film Fest, que se vai superando em cada ano em qualidade, em exigência e em rigor técnico. Uma iniciativa que não podemos deixar esmorecer nas dificuldades.
Temos treze freguesias, tantas quantas existem na ilha, com o galardão eco-freguesia, motivo de satisfação para todos nós e que é fruto da política que os sucessivos responsáveis pela Secretaria do Ambiente e do Mar têm desenvolvido no Faial, da gestão criteriosa da Câmara Municipal, pautada pela atenção especial às questões de limpeza e de saúde ambientais, e do labor das Juntas de Freguesia. Parabéns aos nossos autarcas de freguesia, cujo trabalho nem sempre é reconhecido.
Temos a Câmara de Comércio e Indústria da Horta a dinamizar a sua área, com acções inovadoras, com novas medidas e novo ritmo. Que o aniversário se repita com muitos sucessos, porque os sucessos da nossa terra são os sucessos de cada faialense e vice-versa.
Na República, as coisas feias têm-se multiplicado nas últimas duas semanas. Desde o anúncio da recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República às cenas patéticas de apoio ao Orçamento de Estado.
Não que a recandidatura do actual Presidente da República seja, por si só, algo feio. O modo como foi auto-exaltada é que se tornou triste. Até nos fez recuar a um tempo já quase esquecido de arrogância (“nunca me engano e raramente tenho dúvidas”). A memória colectiva da falta de humildade do antigo Primeiro Ministro cujas contas no país e cuja relação “negra” com os Açores alguns açorianos já tinham esquecido; a memória das explicações que costuma dar e que nunca são atempadas nem perceptíveis; toda essa memória ressaltou à vista do candidato que, mais uma vez, se arroga o direito de ser o salvador do país – o que nos pareceu pretensiosamente descabido. Não só não disse nada de novo como fez lembrar o que alguns já nem guardavam na memória… Pensando melhor, talvez seja caso para agradecer!
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