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20
abril

SATA e Governo: duas faces da mesma moeda!

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira

1. Regressado ao Faial, encontrei no meu correio, como provavelmente todos os residentes nesta ilha, um mailing da SATA. A minha primeira reação foi de incredulidade e espanto: o Faial é mesmo muito importante para a Administração daquela empresa gastar dinheiro para nos mandar uma carta, em forma de panfleto publicitário, com perguntas e respostas, como se fossemos meninos da primária, e, ainda por cima, com dificuldades de aprendizagem!
Mas, depois de bem ler toda a carta, percebi que, afinal, ela não é mais do que a ilustração da má consciência de quem, manipulando os números, nos quer convencer de uma equação impossível - com menos voos oferecer mais lugares!
Esta carta é uma ofensa à nossa inteligência. Porque é mandada pela mesma Administração que em 2016 veio aqui ao Faial dizer que, de outubro de 2015 a setembro de 2016, “tivemos cerca de 95 voos com uma taxa de ocupação abaixo dos 50 por cento”, que “há voos a transportar menos de 80 passageiros”, quando, meses depois, se veio provar que essas afirmações eram falsas porque manipulavam os números e omitiam o resultado global da operação. Mais: essas declarações pretendiam crucificar a rota da Horta, esquecendo convenientemente as outras rotas de que nunca se quer falar…
Esta carta ofende o Faial porque esta Administração não tem credibilidade e moral para se nos dirigir.
2. Este Presidente e esta Administração da SATA fazem o que fazem e dizem o que dizem porque estão respaldados na tutela que os nomeou e que os apoia. O Governo Regional dos Açores manda na SATA, de que é proprietário.
Por isso, este Governo quer, concorda e promove esta política da SATA de redução de voos na rota da Horta. Aliás, cristalinamente, a Secretária dos Transportes disse, para quem a quis ouvir, que os números apresentados pelo Presidente da SATA em relação à rota da Horta não são “uma convicção nem uma sensação, mas sim uma certeza.”
Então, se é assim, fica, mais uma vez, o desafio público, agora também ao Governo Regional: apresentem todos os números, de todas as rotas! Digam, rota a rota, qual o número de lugares oferecido, ano a ano. E digam, rota a rota, o número de lugares que foram ocupados.
E então, quando conhecermos esses números, devidamente auditados e comprovados, perceberemos todos se as decisões desta Administração da SATA em reduzir ou aumentar voos nas suas diversas rotas, teve sempre por base o resultado da ocupação de lugares do ano anterior.
Enquanto não o fizerem, nem a Administração da SATA nem o Governo têm credibilidade para apontarem o dedo à rota da Horta, ofendendo-nos!!!
3. Assisti ao debate na RTP-A, sobre o futuro da SATA. E fiquei estarrecido!!!
É normal um Presidente de uma Empresa mostrar tamanha animosidade para com a rota da Horta e para com os Faialenses? É normal uma obsessão tão compulsiva em divulgar os números só desta rota, quase querendo culpar a Horta pelo buraco financeiro em que, também esta Administração, conduziu a empresa? É normal que quando devia ter falado do futuro, aquele administrador tivesse ocupado quase todo o seu tempo a atacar o Faial?
Imaginemos, por absurdo, que o debate era sobre o futuro da Portos dos Açores. E que o seu Presidente, o faialense Fernando Nascimento, tivesse uma prestação semelhante à que teve o Presidente da SATA. E que, em vez de falar do futuro da empresa, tivesse desfiado números a arrasar, imaginemos, o porto de Ponta Delgada ou o da Praia da Vitória.
Não durava nem uma semana no cargo!!!
É assim que estamos nestes Açores…
4 Uma palavra final para o Colóquio sobre acessibilidades aéreas, organizado pelo Grupo do Aeroporto da Horta. Ausente do Faial, não estive presente. Mas, das informações que tive, retenho, com otimismo, que, afinal e ao contrário do que nos quiseram convencer, se houver vontade política, é possível mobilizar verbas comunitárias para a ampliação da pista do aeroporto da Horta. E, registo, com grande agrado, que vou notando sinais de se poder caminhar, quanto a este investimento, para um grande consenso e uma grande unidade no Faial entre todas as forças partidárias e instituições. A nossa unidade e coesão serão cruciais. Saibamos todos olhar agora para a frente e para o grande objetivo que a todos une. 


15.04.2018

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