1.O Governo Regional dos Açores publicou há cerca de uma semana o Relatório de Execução Financeira do Plano de Investimentos para 2017.
Contrariamente aos anúncios de grande destaque ou às usuais notas de imprensa do seu bem alimentado Gabinete de Apoio à Comunicação Social, este relatório emergiu no site do governo sem a habitual divulgação pública.
Uma breve análise do documento permite perceber facilmente o motivo, embora não seja ainda possível conhecer os números de cada ilha: a taxa de execução dos investimentos inscritos no plano está muito longe de corresponder ao programado.
O compromisso assumido pelo governo para com os açorianos de cada uma das nove parcelas do arquipélago, de realizar os investimentos indicados no plano e que são considerados importantes para as respetivas ilhas, ficou uma vez mais muito distante da sua concretização. Segundo o próprio relatório, a taxa de execução foi de 72,2%, globalmente em linha com os 70,3% de concretização em 2016.
Resta-nos aguardar pela disponibilização dos dados desagregados por ilhas, para avaliarmos a taxa de execução dos investimentos inscritos para o Faial.
2.O desinvestimento no Faial e a falta de cumprimento das promessas governamentais têm tido efeitos visíveis. A “ilha das várias fases”, como já é por alguns tratada, mantém alguns investimentos positivos em curso, como a creche “O Castelinho”, o Centro de Dia dos Flamengos, o Matadouro e a Escola do Mar, mas assistiu ao incumprimento e posterior desaparecimento dos planos do governo de muitas outras promessas, de que são mero exemplo as Termas do Varadouro e a ampliação da pista do Aeroporto da Horta.
A estes dois casos, há que associar também, entre outros, a 2ª Fase da Variante e o estranho processo da 2ª Fase do Reordenamento do Porto, também esta repartida novamente em três fases, sem que nenhuma delas se tenha ainda iniciado.
Aliás, tenho muitas dúvidas quanto aos verdadeiros objetivos do governo socialista da região quando apresenta projetos completamente desadequados e reconhece que os mesmos acarretam prejuízos para o próprio porto e para uma baía privilegiada pela natureza.
Será que a intenção é mesmo a de gerar contestação e, desta forma, encontrar um argumento para não fazer os investimentos de que o porto da Horta e a ilha do Faial precisam?
Fica a pergunta, para reflexão agora, e avaliação no futuro.
3. Este comportamento face ao Faial e os obstáculos constantemente colocados ao nosso desenvolvimento, ajudam a explicar os dados do turismo relativos ao primeiro trimestre de 2018.
No período de janeiro a março do corrente ano, o número de dormidas nesta ilha registou somente uma variação de 0,4%, comparativamente com idêntico período de 2017.
Esta estagnação do Faial, a que se tem assistido em diversos períodos do calendário, contrasta claramente com a realidade de outras ilhas e com o panorama da região no seu todo. Há ilhas que crescem consecutivamente acima dos 10%, a região registou nos mesmos meses um crescimento de 11,5% e o Faial não consegue apanhar o comboio e fica-se pelos 0,4%, uma clara estagnação numa época em que aos empresários locais daria uma grande ajuda receber um aumento de visitantes.
4. Estamos a chegar ao verão, e uma outra área em que o Faial tem ficado claramente para trás, aqui (também) com grandes responsabilidades do município, diz respeito às zonas balneares.
Portugal bateu este ano o recorde, com 608 zonas balneares, 128 das quais são interiores e respeitantes a rios ou lagoas.
Os Açores têm 70 zonas balneares. O Faial, por seu turno, tem apenas 6, muito distante das 24 aprovadas em São Miguel, das 15 da ilha Terceira ou das 11 aprovadas na vizinha ilha do Pico.
Enquanto noutras ilhas se tem trabalhado, por cá continuamos a arranjar desculpas.
Assim não vamos lá...