1O Governo Regional resolveu realizar uma visita de trabalho ao Faial nos dias 30 e 31 de outubro, algo que já não fazia há muito tempo e que, na minha perspetiva, seria uma boa iniciativa, se fosse realizada de outra forma, menos ao estilo “Senhor Feudal” e mais de acordo com os princípios democráticos.
Para o efeito, foi delineado um programa com muitas oportunidades de fotografias e anúncios, mas que na realidade se cingia a duas inaugurações, a do novo matadouro do Faial e a da requalificação da creche o Castelinho, ambos investimentos importantes nas respetivas áreas e que, por isso mesmo, devem merecer o nosso apreço.
De resto, apenas uma obra em curso para visitar – a Escola do Mar – e mais nada de concretizado para ver ou mostrar.
Sobrou então o tempo para a apresentação do projeto do futuro quartel de bombeiros, que foi prometido há muitos anos e ainda não viu a primeira pedra; e também foi apresentado o projeto do entreposto frigorífico, uma insistência recente dos deputados do PSD eleitos pelo Faial, lembrando que esta importante infraestrutura já não funcionou neste verão e também não funcionará no próximo, depois de décadas de desleixo que conduziram ao encerramento daquele que foi o primeiro grande entreposto dos Açores.
E foi ainda apresentada a 3ª Revisão do Projeto do Reorde-namento do Porto da Horta, um processo que mais parece uma telenovela de muito má qualidade, tais os episódios a que assistimos nos últimos anos, com alguns protagonistas de fraca estrutura vertebral, que num dia eram a favor do projeto, que classificavam como o ideal para o Faial, e no dia seguinte percebendo a contestação popular, lá conseguiam dizer, com a mesma convicção, que sempre se haviam mostrado “totalmente contra o projeto”.
Como diria um jogador de futebol: “Eram contra desde pequeninos”!!!
2O programa incluiu uma reunião entre o Governo e o Conselho de Ilha do Faial, que foi muito peculiar porque em vez de ser organizada pelo Conselho de Ilha, foi delineada e conduzida pelo Presidente do Governo, de modo a que cada secretário regional teve três períodos de intervenção, ao passo que os membros do Conselho, em representação do povo desta ilha, tiveram somente uma oportunidade de intervenção, cerca de duas após o início da alegada “reunião”.
Ainda assim, foram colocadas questões de interesse para a nossa ilha, sem que as respostas correspondam minimamente às necessidades do Faial.
Os problemas nas acessibilidades aéreas vão manter-se ou agravar-se, não havendo a mínima sensibilidade do governo para os problemas que o Faial enfrenta e este nível.
O Presidente do Governo não assume qualquer compromisso de participação da região, se necessário, para complementar a parceria entre a ANA e o Governo da República e garantir o aumento da pista para os 2.050 metros.
E as estradas do Faial vão manter-se como as piores dos Açores, quer por culpa da Câmara Municipal da Horta nas vias municipais, quer por culpa do governo nas estradas regionais.
E muito mais ficou por responder.
3 Mas a visita senhorial a esta ilha teve ainda outro condão, o de mostrar os inúmeros titulares de cargos de nomeação, que saltitam em torno do Presidente do Governo e de outros membros ditos importantes da estrutura governativa, sempre prontos para qualquer coisinha que seja necessária.
E a estes jovens – ou menos jovens – sempre disponíveis e simpáticos, juntam-se outros que fazendo parte dos órgãos representativos da população faialense, se desfazem em elogios desmesurados e se predispõem a um comportamento de subserviência confrangedora, enchendo o ego do chefe partidário quase até rebentar, e espezinhando por completo qualquer juízo crítico que pudesse ofender o querido líder.
Para segundo plano, ou para um plano muito longínquo, ficam as questões incómodas e a defesa dos interesses do Faial, não vão os tais cargos ser entregues a outros jovens saltitantes.
Assim não vamos lá.
Ou melhor, vamos lá, mas temos que mudar de protagonistas.