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14
dezembro

A Trilogia Orçamental

Escrito por  Devin Gomes
Publicado em Devin Gomes

Nos últimos dias do mês de novembro foram aprovados três orçamentos, em três diferentes assembleias, com impacto na vida de todos os Faialenses para o ano de 2019. Refiro-me à aprovação na Assembleia da República do Orçamento de Estado, à aprovação na Assembleia Legislativa Regional do Orçamento da Região e na Assembleia Municipal da Horta do Orçamento Municipal.
Nos três orçamentos, onde vem discriminada a receita e a despesa a efetuar em 2019, a nível nacional, regional e municipal, existem vários denominadores comuns. Desde logo o facto de todos eles terem sido elaborados pelo PS, que governa nas três frentes e de, em todos eles, verificar-se o apoio e contributo de múltiplas forças políticas, inclusive nos casos em que tem maioria absoluta. Se olharmos para os resultados das diferentes votações, estou certo que o leitor também encontra outros pontos em comum.
Tendo em conta a melhoria dos indicadores económicos, não foi com surpresa que o Orçamento de Estado foi aprovado com votos a favor de cinco forças políticas, PS, BE, PCP, PEV e PAN, tendo apenas o voto contra do PSD e CDS, os dois partidos que defendiam a estratégia que “Portugal só sai da crise empobrecendo” e do “queremos ir além da Troika”. Um crasso e doloroso erro, já admitido publicamente por ilustres sociais-democratas, dos quais destaco Mota Amaral e Cavaco Silva.
Já o Orçamento Regional foi aprovado com os votos a favor do PS, CDS e PCP e com os votos contra do PSD, BE e PPM. Um orçamento em que bastaria o voto do PS, partido que possui maioria absoluta, mas que obteve apoio e contributos de partidos à esquerda e à direita, demonstrando assim a apetência para agregar diferentes vontades ideológicas a bem dos Açorianos, contradizendo a tese daqueles que apregoam a arrogância e falta de diálogo do Governo Regional. A própria CGTP referiu que o Orçamento aprovado “melhora os rendimentos dos trabalhadores e combate a precariedade”.
Por sua vez, o Orçamento Municipal acarretava especial foco de interesse, uma vez que, apesar do PS ter maioria na Câmara Municipal para aplicação do seu programa, na Assembleia Municipal, órgão que fiscaliza a ação camarária, depende da oposição de direita. Se na reunião de Câmara os vereadores do PSD votaram contra o documento, na Assembleia Municipal o Orçamento foi aprovado com a abstenção do PSD e CDS e os votos a favor do PS, PCP e do deputado independente.
Recordo que o maior partido da oposição impunha 5 medidas para não chumbar o Orçamento, e pelo que foi tornado público, o problema acabou por se centrar em apenas uma, nomeadamente o fundo de investimento das freguesias. Um apoio financeiro criado pelo Município para potenciar o investimento das freguesias, as quais tinham de criar um projeto, candidatando-se através dele a fundos exteriores à Câmara. A oposição por sua vez queria que o mesmo fosse integralmente entregue às freguesias.
No final, e após negociação, o executivo camarário comprometeu-se a transferir 50% do fundo para as freguesias em 2019 e o restante nos próximos 2 anos.
Ao ficar a saber que o valor a transferir em 2019 ronda os 44 mil euros, fiquei pasmado com a possibilidade de um orçamento no valor de 15 milhões de euros ser chumbado pela oposição, com tudo o que daí pode advir, por uma verba “irrisória”, verba essa que as juntas de freguesia teriam à mesma o devido acesso se para tal se candidatassem.
Acresce que as juntas de freguesia do nosso concelho já são as que mais verbas recebem per capita em toda a Região, no que toca à delegação de competências pelo Município.
Para terminar, consegue o leitor identificar o partido que, votando em todos os orçamentos, foi o único que não votou a favor de nenhum?
A todos um Bom Natal e um ano de 2019 com muita saúde.

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