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14
dezembro

Quando a realidade bate a ficção

Escrito por  Rui Martins
Publicado em Rui Martins

Tenho por hábito escrever nestas páginas apenas sobre assuntos de interesse local ou regional, mas não podia deixar passar uma série de ocorrências dos últimos dias.
O Orçamento do Estado (OE) para 2019 foi aprovado há dias. O Conselho das Finanças Públicas, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental e o Institute of Public Policy deram nota negativa ao OE no que toca ao rigor e transparência da informação e das políticas.
As três entidades queixam-se de falta de informação, da fraca qualidade ou inconsistência dos dados e do excesso de otimismo em alguns pressupostos orçamentais.
Apesar disto, Mário Centeno afirma que este OE “prossegue o caminho do rigor e do equilíbrio das contas públicas”.
Já o Ronaldo do Eurogrupo diz que Portugal tem de fazer mais, e relativamente aos compromissos assumidos no âmbito da estabilidade, pede o triplo do esforço orçamental.
Em resposta Mário Centeno diz que não altera uma virgula.
Mais interessante é quando o Ronaldo do Eurogrupo, perante resposta semelhante da Itália, diz que “todos temos questões sobre o processo orçamental italiano”.
Parece mesmo uma daquelas novelas com a gémea boazinha do lado de cá e a malévola lá em Bruxelas.
Virando esta página, o que é que nos chega pela PETA (People for the Ethic Treatment of Animals), pelo Podemos e o pelo PAN?
Começando pelo Podemos e pelo manifesto eleitoral que apresentaram às eleições na Andaluzia. Isto é relativamente pertinente pelo facto de por cá o Bloco de Esquerda se rever na acção política do Podemos e porque também o PAN costuma estar à coca destas brilhantes iniciativas.
O Podemos propõe a proibição da caça a espécies invasoras… Se isto pega moda e se virarem para as plantas, por exemplo aqui nas nossas ilhas, deixaríamos de ter espécies endémicas e passaríamos a ter Roca de Velha por todo o lado.
Melhor ainda é a proposta de instituir uma jornada de 8 horas para os animais de trabalho, com pausas obrigatórias para alimentação. A única explicação que encontro para isto é que quem propôs isto nunca trabalhou com animais. O animal faz todas as pausas que o dono fizer, e dificilmente fica a trabalhar enquanto o dono vai dormir a sesta.
Esta medida, no entanto, deixou-me a pensar… O enquadramento dos cães guia é de animais de trabalho. Assim sendo, uma pessoa com deficiência visual que tenha hábitos noctívagos e recorra a um cão guia terá de ter três cães. Eventualmente 4, para férias dos bichos. Muito provavelmente, para ter os 4 animais em casa, estaria sujeito a ser abordado pela IRA (Intervenção e Resgate Animal) algo que ninguém desejaria. Se calhar é melhor alguém fazer já uma start-up tipo UBER de cães guia!
Nesta senda do animalismo surge então a PETA, logo subscrita pelo PAN, para a higienização de expressões idiomáticas de índole, segundo eles, anti-animal. A título de exemplo, é proposto que se substitua “mais vale um pássaro na mão que dois a voar” por “mais vale um pássaro a voar do que dois na mão”. A questão aqui é, alguém usa uma expressão destas para falar de aves aprisionadas?
Fico nitidamente com a sensação que alguém se esqueceu de tomar a Ritalina.
Deixo-vos então com estes assuntos, os quais duvido que qualquer argumentista de séries de ficção se fosse lembrar… Se por ventura não tiveram nada mais interessante para opinar à mesa de Natal, têm aqui sérios candidatos. De qualquer forma espero que isto não seja augúrio para 2019.
Votos de um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

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