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15
fevereiro

Vasco Cordeiro discrimina docentes e não docentes do Corvo

Escrito por  Paulo Estevão
Publicado em Paulo Estevão

Os alunos da Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira usufruem, desde janeiro de 2019, de refeições escolares. Terminou assim uma longa e odiosa discriminação. As crianças da ilha do Corvo eram as únicas, em todo o país, a quem estava vedado o acesso a refeições escolares. 

Ao contrário do que muitos estimaram, as famílias e os alunos da ilha do Corvo aderiram, de forma muito significativa, ao fornecimento de refeições escolares. Cerca de trinta alunos, num total de 47. Usufruir de refeições escolares constitui um direito legal, mas significa também ter acesso a um conjunto de vantagens que os modelos educativos mais progressistas valorizam com cada vez mais ênfase.
O acesso às refeições escolares por parte dos alunos era a prioridade das prioridades. A questão está para já, ainda que no âmbito de circunstâncias que estão longe de ser ótimas, resolvida. Falta ainda assegurar que as mesmas são fornecidas num espaço adequado e saber se as condições legais referentes ao fornecimento de refeições foram acauteladas. Já solicitei a informação necessária através de um requerimento parlamentar.
Mas permanece uma discriminação e uma inobservância da lei que é, a todos os títulos, intolerável. A lei estabelece que os docentes e não docentes “podem utilizar os refeitórios dos estabelecimentos públicos de educação e ensino”. A lei estabelece, inclusivamente, que “quando um estabelecimento público de educação e ensino, incluindo os do ensino artístico e profissional, não possua refeitório próprio, podem os seus alunos, docentes e funcionários recorrer ao refeitório da escola mais próxima, mediante autorização do respetivo órgão executivo”.
O acesso aos refeitórios dos estabelecimentos públicos de educação e ensino por parte dos docentes e não docentes que desempenham funções nos estabelecimentos públicos de educação e ensino é algo que sucede em todo o sistema educativo regional. Mais uma vez, a Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira constitui a única exceção. Porquê? A lei integra normas de discriminação para os docentes e não docentes que desempenham as suas funções na ilha do Corvo? A resposta a esta questão é não!
O facto dos docentes e não docentes exercerem as suas funções numa ilha pouco povoada e com uma localização periférica justifica, de alguma forma, que o Governo Regional os discrimine? A resposta só pode ser não!
É aceitável, como defendem alguns sectores, que os docentes e não docentes que exercem funções na ilha do Corvo não possam aceder a um refeitório escolar e sejam abertamente discriminados no âmbito do sistema educativo regional tendo em vista a salvaguarda do sector da restauração local? É lícito beneficiar interesses particulares com base na inobservância da lei e na adoção de medidas abertamente discriminatórias? A resposta só pode ser um claro e indignado não!
Tendo em conta as crescentes dificuldades de colocação de docentes nas ilhas com uma localização mais periférica, não é absolutamente ilógico e contraproducente manter uma discriminação que prejudica o conjunto das condições oferecidas pelo estabelecimento de educação em causa? A política correta e lógica não será, justamente, apostar na melhoria comparativa de condições para atrair os docentes para as escolas e ilhas com mais dificuldades a nível das acessibilidades?
A manutenção da situação de discriminação dos docentes e não docentes que exercem funções na ilha do Corvo é algo que, para além de ser profundamente injusto, desrespeita claramente o quadro legal da Região Autónoma dos Açores. Trata-se, afinal, de uma situação de discriminação que pode ser ultrapassada com um investimento pouco significativo (35 mil euros, de acordo com a informação avançada pelo Secretário Regional da Educação e Cultura). A sua falta de resolução não resulta de nenhuma impossibilidade logística.
Atribuo toda a responsabilidade política a Vasco Cordeiro. Foi ele quem mandou parar o projeto de construção de um refeitório para alunos, docentes e não docentes na ilha do Corvo. Foi também ele quem mandou que as normas vigentes para o fornecimento de refeições escolares fossem significativamente “relaxadas” no caso da ilha do Corvo (vou aprofundar este assunto no futuro).
Não aceito isso. O Povo do Açores nunca aceitará que a lei não seja igual para todos. O Povo dos Açores não aceita que se tratem alguns açorianos - apenas porque vivem numa ilha mais pequena e isolada - como gente com menos direitos e garantias. O Povo dos Açores é o garante honesto da igualdade e fraternidade entre todos os açorianos.
Vasco Cordeiro desmerece o cargo que desempenha quando insiste em políticas que discriminam e marginalizam outros açorianos. Mas eu sei que não o faz em nome da grande maioria dos açorianos. Vasco Cordeiro não nos representa sempre que se acoita no ódio, no preconceito, na injustiça, na arrogância e na desigualdade. 

 

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