Depois de formalmente autorizada a sua inscrição como partido político português pelo Tribunal Constitucional, o “Aliança” avançou no passado fim-de-semana para o seu 1.º Congresso Nacional.
Na cidade de Évora, este novo partido, fundado por Pedro Santana Lopes, juntou várias centenas de delegados para elegerem os seus primeiros Órgãos Nacionais e aprovarem a Moção de Estratégia Global. Foram muitos os anónimos, os independentes, mas também as caras conhecidas (sobretudo ex sociais democratas) que mostraram à opinião pública estarem agora com o novo Presidente do “Aliança”.
Santana Lopes levou atrás de si a comunicação social, conseguiu a presença do Congresso nas televisões, muitas vezes em prime time e discursou como nos havia habituado. Um tom calmo, em jeito de conversa, mas acutilante, em que as críticas ao Governo, à “frente de esquerda” e ao próprio Presidente da República se fizeram notar.
Esta demonstração, evidente, de que o “Aliança” cresceu em três meses e de que está a construir uma alargada base de militância, pode vir a baralhar as contas políticas nos diversos atos eleitorais que se aproximam, nomeadamente nas eleições legislativas nacionais e regionais dos Açores.
E é nisto que Santana e o seu “Aliança” apostam forte. Há alguns dias atrás, com poucas ações no terreno, as sondagens davam-lhe 4% das intenções de voto, o que, por si, lhe permitiria eleger vários deputados à Assembleia da República.
Aquele que já foi líder do Partido Social Democrata (PSD), Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e Primeiro-Ministro, certamente espera ganhar mais terreno até às legislativas nacionais, com uma campanha em que procurará captar o voto dos jovens, dos indecisos ou daqueles que não se identificam com nenhum partido político e, desse modo, levar o “Aliança” a ter um papel importante na política nacional.
E se assim suceder, naturalmente que as próximas eleições legislativas regionais a realizar em 2020, também não deixarão de ter em conta mais este partido político e a sua eventual influência na sociedade açoriana.
O surgimento e implantação do “Aliança” no espectro político regional, para além de poder tirar votos à direita e ao centro, também o fará, muito provavelmente, à esquerda moderada. E se, juntamente com estes, conseguir fazer passar a sua mensagem aos adeptos da abstenção e do eleitorado flutuante, ou seja, perante aqueles que não votam ou não têm partido político e que colocam a cruz no boletim de voto em função das propostas concretas apresentadas pelos vários partidos, então a sua implantação regional poderá perturbar o tradicional xadrez político.
Ainda falta muito tempo até que aconteça esse ato eleitoral, mas esta lufada de ar fresco que agora surge na política nacional e que se estenderá à Região, como já fez questão de referir o seu representante nos Açores, associada ao aparecimento de um novo líder no Partido Social Democrata nos Açores e ao desgaste, natural, do Partido Socialista provocado por uma exposição contínua de mais de 20 anos de governação, poderá pôr em causa a composição política do Parlamento Regional e, quiçá, comprometer as maiorias absolutas do Partido Socialista.
Resta-nos, pois, esperar para ver se o “Aliança” conseguirá ocupar o espaço que Pedro Santana Lopes espera que ele ocupe no panorama político nacional e regional.