FACTO HISTÓRICO DAS FLORES
Recorda-se que o representante da empresa seguradora londrina Lloyd’s, na ilha das Flores – a seguradora do “Slavónia” – era James Mackay, filho do Dr. James Mackay, escocês, que fora o primeiro médico da ilha e que acompanhara o Imperador Napoleão à sua prisão na ilha de Santa Helena. Os habitantes locais cedo constataram a impossibilidade de desencalhar o barco, conforme contava o lajedense José Jorge, dada a forma como o mesmo havia ficado assente sobre uma baixa no fundo, ficando entalado nela.
Refira-se a esse propósito que, nessa ocasião, se encontrava na ilha das Flores o Eng. Briant, que estava
No jornal “O Telégrafo” de 19 de Junho de 1909, onde constam muitas destas informações, afirma-se ainda que “os passageiros de 3.ª classe, que perderam quase tudo o que possuiam, causavam verdadeiro pezar pelas suas justas lamentações, ao passo que alguns dos touristas diziam que visto não ter havido nenhma morte achavam aquella peripecia curiosa e portanto mais uma novidade inesperada a juntar às muitas que esperam ter na sua viagem”.
4. Conclusão
Por outro lado, também é certo que se contava na ilha que agentes daquela corporação terão preferido que objectos de bordo fossem lançados ao mar do que conduzidos para terra pela população, já depois do navio ter sido dado como perdido. Segundo refere Álvaro Monteiro de Freitas no seu artigo, as “instruções para que tudo o que estivesse a bordo e fosse possível, que fosse lançado ao mar” foram dadas pela companhia seguradora, encarregando-se os homens do Lajedo dessa tarefa, servindo-se, sobretudo, para acesso ao navio, do cabo de vaivém ligado a terra, que fora utilizado para retirar de bordo os passageiros. No Lajedo muita gente falava, com pesar, dos bens lançados ao mar, designadamente, louças e sacos de café.
Alguns dias depois do naufrágio chegava ao local um rebocador equipado com mergulhadores e aparelhos de salvamento para transportar alguma carga para o porto de Lajes das
Ainda hoje são vários os objectos e as recordações que se encontram em casas de florentinos provenientes do navio “Slavonia”, sem sabermos se obtidos de forma legal ou ilegal. Todavia, há 50 anos atrás, sobretudo no concelho das Lajes, muitas eram as casas onde se viam mobiliários, louças ou talheres com a marca de “Slavonia”, incluindo a de meus avós e as de outros meus familiares e amigos.
(Continua)
BIBLI: Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História)”, (2003, pp. 423 e 445, 2.ª edição da Câmara Municipal de Lajes das Flores; Trigueiro, Norberto, artigo publicado no jornal “Correio da Horta”, Horta, de 22-10-1960; Martins, Félix, artigo no jornal “As Flores”, Santa Cruz das Flores, de 21-06-2001; Freitas, Álvaro Monteiro de, artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de Lajes das Flores, de 10-12-1991; Monteiro, Alexandre, “O Naufrágio do Paquete ‘Slavonia’ (Ilha das Flores, 1909)”, (2009), Internet; Correia, Luís Miguel, “Paquetes Portugueses”, pp. 83 e 215, 1992, Edições INAPA, de Lisboa; Antunes, 1.ª Sargento Domingos (presumido autor), “Esboço Histórico da Guarda Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo (1885-1985)”; jornal “O Telégrafo”, de 19-06-1909; jornal “O Faialense” de 27-7-1909; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Retalhos das Flores - Factos Históricos”, 2003, pp. 27-34, Ed. da Câmara Municipal de Lajes das Flores.