Imprimir esta página
22
fevereiro

Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL

Um dos fatores potenciadores do desenvolvimento económico de um determinado local é a sua capacidade para atrair o investimento, seja ele público ou privado, gerador de riqueza e de criação de postos de trabalho. Efetivamente, da interligação entre o investimento público em infraestruturas rodoviárias ou portuárias, em equipamentos de saúde, educação ou outros, e o investimento privado reprodutor se consegue concretizar a alavancagem da economia.
Esta evidência, comprovada na prática, aparece a propósito de um pequeno artigo publicado no Diário Insular, mas que, pela questão que encerra, merece uma devida e acurada ponderação por todos nós faialenses.
Sob o título “investimentos privados de 30 milhões na Praia”, é ali dito pelo vereador do Município da Praia da Vitória que nos últimos três anos foram investidos naquele concelho pela iniciativa privada cerca de 30 milhões e criados uma centena de postos de trabalho diretos. E, mais adiante, refere que a Praia da Vitória tem excelentes condições para acolher os mais variados investimentos privados.
Fiquei deveras surpreendido com estas afirmações e com os números envolvidos, mas ao mesmo tempo preocupado. Desde logo, surpreendido pela capacidade demonstrada por aquele município para captar investimento privado, o qual, pelo exíguo mercado que constitui a Região, dificilmente se expandirá para outros locais do arquipélago.
E se a estes números agora divulgados associarmos o investimento público em torno do denominado “Terceira Tech Island”, também naquele concelho, capaz de atrair empresas destinadas a absorver a mão-de-obra especializada na área da programação informática, então estamos perante um caso de sucesso ao nível regional.
Mas, se assim acontece na ilha Terceira, aqui mesmo ao nosso lado, na ilha do Pico, também assistimos hoje a um progresso nitidamente influenciado pela iniciativa privada e a sua capacidade de investir. Lembremo-nos dos recentes investimentos realizados no turismo em espaço rural, no valor de 2.5 milhões de euros, na abertura de uma superfície comercial no valor de 2 milhões de euros ou da construção de uma nova adega do setor vitivinícola estimada em cerca de 3 milhões de euros.
Talvez seja este o momento, perante factos concretos, de questionar o porquê destes e de outros investimentos privados, de carácter avultado, se concretizarem em outras ilhas dos Açores e não no Faial? Que meios e instrumentos tem o Município colocado ao dispor da iniciativa privada para que se possa saber como e onde investir na ilha? Que ações promocionais tem o Municipio realizado para tentar captar investimento privado?
A resposta a todas estas questões parece-nos óbvia. Basta olharmos para a nossa zona empresarial, denominada de Parque Empresarial e Tecnológico, para nos apercebermos da falta de sentido de estratégia dos decisores políticos nesta matéria.
Na verdade, quando se pensava que o novo Parque traria consigo a instalação de empresas de base tecnológica, capazes de inovar e conseguir captar mão-de-obra especializada, o que temos hoje, simplesmente, no seu lugar é um matadouro, pavilhões para as oficinas municipais e daqui a uns dias o novo quartel dos Bombeiros Voluntários.
Obviamente que não é este o “tecido empresarial” que se pretende numa zona especialmente vocacionada para o investimento privado. É, sem dúvida, uma zona industrial importante, mas já não conseguirá almejar o que inicialmente se pretendia com a mesma que era a captação de empresas inovadoras e tecnológicas.
Realidade distante continua a ser também a criação de uma verdadeira incubadora de empresas prometida pelo Município. Enquanto se assiste na Região a uma estratégia de estímulo ao empreendedorismo, inovação e competitividade empresarial com oito incubadoras criadas, por cá permanecemos indiferentes a este fenómeno.
Qual foi o montante de investimento privado realizado na ilha do Faial nos últimos três anos e em que setores?
Se a esta pergunta conseguirmos obter uma resposta, então ficaremos a saber se a ilha do Faial é ou não atrativa para o investimento privado. Até lá permanece a dúvida.

Lido 239 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários