Nos tempos de Sócrates (469 -
As desigualdades cresciam de Atenas ao centro da Europa, de Roma ao Atlântico, e os ricos enriqueciam e os pobres empobreciam.
As diferenças “salariais” eram brutais e premiavam-se os amigos e conhecidos, em detrimento dos mais capazes e dos mais produtivos.
As elites das classes do poder alimentavam-se dos impostos que recaiam, cada vez mais duramente, sobre os que trabalhavam e produziam para garantir a sobrevivência dos seus familiares, enquanto os seus senhores engordavam cada vez mais.
O produto do seu trabalho era quase todo consumido pelos impostos dos senhores, que cada vez mais aumentavam os seus haréns, férteis em concubinas, palhaços e bobos, que deliciavam os estéreis prazeres da corte, das suas sociedades vazias de conteúdo e de objectivos.
Os centros urbanos desenvolviam-se com estradas, que ligavam as principais cidades com transportes rápidos, única forma dos senhores se divertirem e conviverem, em profusas festas, concursos e arraiais, em alegres semanas festivas, promovendo a vaidade competitiva entre os centros urbanos mais desenvolvidos.
As terras mais pequenas e isoladas, perdiam-se no tempo, afastadas do desenvolvimento, abandonadas que estavam dos reais objectivos dos impérios senhoriais... onde apenas sobrevivia uma elite local, representativa das elites centrais, que servia para manter a ordem e a mordaça, cobrando os impostos que faziam chegar ao centro dos reinos, sem que antes subtraíssem a sua quota parte do bolo, necessária à manutenção dos seus sinais exteriores de riqueza, que exibiam e faziam questão de desfilar perante os olhares cada vez mais esbugalhados daqueles que mal sobreviviam à crise económica e de valores morais.
A economia das cidades, vilas e aldeias ultra-periféricas servia apenas para as férias e fins de semana dos senhores, que se passeavam e divertiam nas suas coutadas de caça , enquanto usavam e abusavam das donzelas e moçoilas mais afoitas, que, diga-se a verdade, ansiavam por uma gravidez precoce, cujo bastardo lhes garantisse um futuro melhor.
Aos fins de semana, as carruagens charters abundavam nos largos e praças, onde outrora havia parques infantis, enquanto os cocheiros tentavam a sua sorte junto das rameiras locais, que se mostravam com os seus trajes domingueiros, na esperança de obterem um passe clandestino para a capital, na mala de algum baú vazio.
Mas o doloroso, não era este pão e circo.
O duro era a semana de trabalho, em que todos vergavam as costas nos campos, para sustentar toda esta sociedade faustosa de boys e girls, que acompanhavam as comitivas reais, que nunca haviam trabalhado, mas que vestiam que nem doutores, comiam que nem javardos, e ganhavam dinheiro que nem ladrões...
A sua ambição era desmedida, e depressa os impostos deixaram de ser suficientes para garantirem os seus luxos e privilégios... Havia que inventar um novo processo que desse seguimento a esta politica imperial: aumentar a diferença entre os pobres e ricos, como forma de assegurar que os ricos fossem mais fortes e os pobres mais débeis, o que contribuía, aparentemente, para a maior força de alguns sobre muitos...
E assim, implementaram uma nova forma de receita inversa ao Robim dos Bosques: Roubar aos pobres para entregar aos ricos. Como? Diminuíram os seus salários.
Mas como os pobres eram cada vez em maior número, podendo vir a tornar-se uma ameaça ao Império, que, lá fora, assumia-se como rico e sabedor das medidas a tomar, havia que adoptar mais politicas que desincentivassem a praga dos pobres... sempre a crescer. Como?
Para já, reproduziam-se demasiado depressa, pelo que era imprescindível acabar com as politicas de saúde, de apoios à natalidade e dos abonos de família. O efeito foi benéfico, e até mais eficaz e barato do que uma esterilização global.
Por outro lado, desmontando a justiça que se ocupava das pequenas desavenças domesticas, com o proveito de cortar nos custos, e, mais uma vez, o povo latino resolvia a peito a maior parte das questões, que terminavam em escaramuças mortais..., logo, menos povo.
Por último, e não menos importante, educar um povo era caro e representava uma ameaça grave às instituições, que se viam ameaçadas pela crescente informação e revolta de alguns mais instruídos.... Então, suspendeu-se o ensino generalizado, e promoveram-se as passagens administrativas... Mais fácil, mais barato, mas rápido, e muito menos perigoso, já que governar “ignorantes” era muito mais fácil, principalmente, para quem à inteligência pouco deve!...
Mas restava ainda um problemazito internacional: a dívida externa, que crescia, devido à má gestão, e estava na mão de muitos especuladores, que lucravam com a desgraça alheia. Como resolver esta guerra entre inimigos? Fácil! Arranjar só um inimigo, pois antes ficar na mão de um “amigo” do que na mão de muitos inimigos!
Assim, o Emissário dos Negócios Estrangeiros navegou para Oriente, incumbido que estava de procurar alguém que quisesse trocar as cautelas da dívida por ouro fresco... Numa rota inversa aos Descobrimentos futuros, o exército chinês foi aquele que melhor acolhimento teve, até porque precisava de receber a troco, pastagem fresca, onde os seus soldados conseguissem “pastar”...
E assim aconteceu, com a invasão do exército dos samurais chineses a sorverem a decadente economia do Império das eras de Sócrates e de César..., a troco da sobrevivência da dívida externa, e da manutenção no poder dos senhores da corte.
Esta, não era o Espírito de Natal, da amizade, da fraternidade da igualdade de oportunidades.
Por isso é que, mais tarde, Deus desceu à terra... prometida!
Por isso é que o 25 de Abril aconteceu!
Por isso é que um Homem (ainda) sonha!...
Qualquer semelhança com a realidade actual, é pura coincidência, fruto do desejo de muitos leitores, ou da consciência pesada de alguns..., que inadvertidamente caíram na tentação de ler este artigo.
Bom Natal para todos, e que 2011 nos traga melhores soluções para Portugal, para os Açores e para a Ilha do Faial.
Até para o ano!
Contributos, para
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