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15
abril

Manter e Desenvolver

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 Há ciclos económicos, uns de crescimento e outros de recessão, os primeiros estão associados a maior investimento e abundância, quer do Estado/Região, quer das empresas e das famílias; nos segundos, há contração financeira e menor existência e menor circulação de moeda destes agentes.

A economia açoriana tem assistido, nos últimos anos, a um ciclo de crescimento, numa primeira fase da democracia, com infraestruturas pesadas, como por exemplo portos e aeroportos, hospitais, escolas, entre outras, mas apesar de se ter gasto muitos milhões, o crescimento não é imediatamente sentido.

Depois destes investimentos basilares, seguiu-se uma segunda fase de investimento público açoriano, em que se apostou no turismo, com políticas de crescimento hoteleiro, com a internacionalização da capacidade aérea, promoção e animação.

Neste ciclo açoriano de vacas gordas, obviamente que o Faial conseguiu, em certa medida, crescer. É verdade, subimos de patamar, temos mais camas, mais voos, contudo é necessário questionarmo-nos se não poderíamos ter ido mais além, se estamos sólidos, se diversificamos as atividades económicas e se estamos preparados para o atual cenário macro-económico de restrição.

O Faial, nesta fase de desenvolvimento regional, teve constrangimentos ao seu crescimento, em alguns setores, principalmente por políticas que dividiram a potencialidade do Triângulo, pois cada ilha per si é uma micro, para não dizer uma nano, economia. Assim, os argumentos de que não seríamos sustentáveis e que o nosso crescimento viria depois de se investir e de se consolidar em S. Miguel e na Terceira fez com que alguns investimentos fundamentais não tenham sido realizados no Faial.

Isto é, no cenário das vacas gordas, não tivemos a ampliação do aeroporto da Horta, não tivemos o campo de golfe, não tivemos a ampliação do porto, como lógico e merecido, porque tivemos que esperar… Agora que há ameaças de cortes nas verbas do orçamento de estado para os Açores, dificuldades de financiamento do estado, das empresas e das famílias, o Faial, para além de não se ter desenvolvido como deveria, e de ter perdido indústria, comércio e serviços, vai entrar nesta fase menos preparado para enfrentar as dificuldades.

Mas aceitar que ficámos aquém, na altura em que havia abundância, e aceitar manter essa situação e não crescermos na crise não é justo, temos que ter argumentos, ser assertivos e perseverantes, a bem desta ilha.

A primeira obrigação é de não cair mais, há que manter os atuais níveis de desenvolvimento, para não pôr em causa a nossa própria sustentabilidade. Para isso, não pode haver argumentos brandos, “Sim, senhor secretário”, mas sim de afirmação de direitos, uma autêntica luta para defender o Faial.

Outro aspecto que temos que ter presente é o facto de, apesar de todos os constrangimentos, os orçamentos regionais e camarários serem sempre obrigados a manter a componente investimento, por isso não podemos aceitar desculpas!

 Não podemos aceitar que nos digam que há investimento pesado de muitos milhões de euros, como se não os merecêssemos, sem saber se plurianualmente pode ser repartido e nesse caso suportado, sem saber da reprodutividade e mais valias geradas em emprego, da necessidade e, nalguns casos, da imprescindibilidade desses investimentos.

Nem devemos ter medo de apontar o dedo aos investimentos noutras ilhas, pois somos contribuintes da mesma região e não duma ilha só. Por exemplo, é legítimo criticarmos os investimentos de dezenas de milhões de euros em cultura em São Miguel, quais cerejas em cima do bolo de desenvolvimento e riqueza, quando no Faial se fecham fábricas e fecham serviços…

E, principalmente, não podemos deixar de denunciar que se tenha resolvido de forma distinta o mesmo setor de investimento, isto é, que para o mesmo problema as soluções sejam diferentes de ilha para ilha, parecendo que os faialenses são açorianos de segunda.

Certo é que quem teve competências reivindicativas e executivas ao nível político no Faial e não o conseguiu desenvolver no tempo das vacas gordas dificilmente o conseguirá nestes tempos difíceis…

Novos ventos, nova esperança, novas oportunidades e novos protagonistas são necessários, para que se crie confiança para manter e fazer crescer e desenvolver o Faial.

                                                                               Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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