FLORENTINO QUE SE DISTINGUIU
Secretário do Consulado Português
Nasceu na vila de Santa Cruz das Flores, em data que não pudemos precisar, apesar das pesquisas que fizemos nos livros de registos de nascimento da freguesia existentes na Biblioteca Pública da Horta. Era filho de Laureano Armas do Amaral e de sua Exm.ª esposa, conforme se escreveu no “Jornal Português”, da Califórnia à margem identificado. Porque em 1938 já tinha quase 30 anos de prestações de serviço no Consulado de Portugal
Depois de ter concluido o Ensino Primário, na sua terra natal, frequentou na cidade da Horta o ensino secundário, onde fez o respectivo exame «com distinção e muitos valores, tendo manifestado sempre um amor e uma predilecção descomunal pelos livros e pela literatura clássica», escreveu-se no jornal abaixo indicado (1).
Pouco sabemos da sequência desses estudos, já que os elementos que dispomos dos seus registos biográficos são muito poucos. Em data que não pudemos precisar, sabemos que emigrou para os Estados Unidos da América. Também sabemos que seria tio do Dr. José Leal Armas, que me disse que, em criança, chegou a receber dele encomendas com brinquedos e doces.
Em 1938 Guilherme Armas do Amaral era Vice-Cônsul de Portugal,
Daquele texto respigamos os seguintes excertos, que dão uma ideia das suas características biográficas: «Bem queríamos, como merece, traçar aqui uns dados biográficos dum vulto que, pela sua ilustração e nobreza de carácter ocupa hoje um lugar de destaque entre a Colónia Portuguesa da Califórnia, e exerce as funções que a poucos é dado exercer num país estranho. Vamos, porém, em resumidas palavras dizer algo dum cavalheiro, que, com suas qualidades peregrinas, tem-se sabido elevar entre os portugueses durante a sua longa permanência entre nós».
«Guilherme Armas do Amaral, salvo os primeiros tempos da sua estada na Califórnia, tem exercido as funções de secretário do Consulado de Portugal
Depois de evidenciar a sua naturalidade e filiação, menciona que ele «Fez exame da escola superior do Distrito da Horta, com distinção e muitos valores, tendo manifestado sempre um amor uma predilecção descomunal pelos livros e pela literatura clássica; e graças a essa feliz inclinação, os seus conhecimentos literários são vastos. Nos seus discursos numerosos, proferidos em todos os lugares que é chamado, bem o tem dado a entender, e a sua linguagem, dum português puro e rendilhado das mais belas figuras de retórica, encanta e extasia os seus ouvintes».
A este propósito, recorda-se que Felix Martins Trigueiro, natural da Fazenda das Lajes das Flores, emigrado na Califórnia desde os últimos anos do século XIX, onde foi banqueiro e bancário do Portuguese Bank,
Por se tratar de cargos de escolhas governamentais, sabemos que eram exigíveis aos titulares vários elementos essenciais, tais como: instrução mínima, honestidade e inteligência, e um cordial e interessado relacionamento com as comunidades que serviam.
(1).“Jornal Português”, Número Especial (do 50.º Aniversário) 1888-1938, p.4, editado
em Oakland, Califórnia, de Pedro Laureano Claudino da Silveira. Nas investigações que fizemos nos Registos de Nascimento de Santa Cruz das Flores não encontrámos o nome de Guilherme filho de Laureano, embora de saiba que neles existem algumas omissões.
(2). “Jornal Português”, Número Especial (do 50.º Aniversário) 1888-1938, p. 4, editado em Oakland, Califórnia, de Pedro Laureano Claudino da Silveira.
(3).“Jornal Português”, Número Especial (do 50.º Aniversário) 1888-1938, 29, editado em Oakland, Califórnia, de Pedro Laureano Claudino da Silveira; Trigueiro, José Arlindo Armas “Florentinos que se Distinguiram”, 2004, p.112, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
(4). Trigueiro, José Arlindo Armas, “Florentinos que se Distinguiram”, (2004), 1826-1873, pp. 69-73, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores e “O Lajedo das Flores e as Suas Gentes”, (2010), pp. 111-115, ed. da Junta de Freguesia do Lajedo.