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29
abril

(Des)Igualdades

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Vivemos num estado de direito e político, de direito porque estamos sujeitos a regulamentação, quer emanada da União Europeia, quer do Estado português, quer da Região, e grande parte desta tem cariz político, espelhando a orientação de quem governa.

Ao mais alto nível, é natural que a preocupação seja, entre outras, a da universalidade, isto é, que a todos os cidadãos sejam proporcionadas as mesmas oportunidades. A nível nacional, somos também sujeitos a acções políticas e económicas, em que vivemos todos os dias.

A política regional também deverá ter este cariz, isto é, legislar política económica que seja de maior abrangência e aplicabilidade em todo o território açoriano, aplicando os princípios de igualdade, de criação de riqueza e, principalmente, o da sua redistribuição.

Por isso, são efetuados estudos e projectos de desenvolvimento, em que o ordenamento do território é potencializado, tendo em conta as especificidades de cada ilha. Aqui, quebra-se, de algum modo, os princípios de transversalidade de medidas, pois há ilhas com capacidade de desenvolver determinados projectos e outras onde se sabe de antemão que aqueles, embora implementados, não são sustentáveis.

Nestes instrumentos de planeamento e ordenamento, o golfe está inscrito como sendo de interesse estratégico para a ilha do Faial, dentro duma política transversal açoriana de circuito, onde são necessários vários campos classificados para constituir um ponto forte de atratividade, para justificar fluxo turístico com este produto.

No que concerne a este assunto, obviamente existem políticas e políticos nada interessados em que este investimento se realize no Faial, incluindo aqueles que acham que o golfe irá artificializar a nossa oferta, há ainda os ambientalistas, cheios de dúvidas, e os – claro está – comodistas.

E há aqueles que compreendem que há ciclos de riqueza e o turismo é das poucas da Região e quiçá a mais importante para o futuro desta ilha, e no seu ciclo de vida é importantíssimo diversificar a oferta turística do Faial, com produtos turísticos para a diminuição da sazonalidade e pelo posicionamento que este turismo traz, nomeadamente turistas com maior poder de compra, o que a todos beneficia.

Assim, o golfe valoriza o Faial apenas no planeamento, no papel; na prática, a eficácia da tal política de transversalidade que se pretende é verdadeiramente desastrosa e parece que, mais uma vez, temos um governo que faz os possíveis para descartar o Faial.

De facto, não se percebe que trate o mesmo problema de formas diferentes, e apenas me refiro às questões mais recentes (pois é longa a novela do golfe no Faial!), quando se percebeu que a empresa adquirente do campo de golfe em S. Miguel, com o compromisso de construir o campo do Faial, não iria cumprir o acordo.

O tratamento diferenciado ocorre a diversos níveis, tanto na continuação na aposta no golfe, mesmo nos tempos em que vivemos, como na forma de resolução do problema. Na verdade, o golfe continua a ser uma aposta do governo, ao dar a mão para a gestão do campo de S. Miguel, ao apoiar as infraestruturas do campo da Terceira e evidente no bom desenrolar do processo de construção pública de um campo em Stª Maria.

E para o Faial a decisão é a inacção!!?? E este governo nem chama a si os seus direitos, reivindicando a restituição dos terrenos, lesando, deste modo, o património regional? Não cumpre aquilo que colocou no papel, concretamente nos planos de ordenamento do território!? Os dito princípios de transversalidade e redistribuição caem por terra, revelando-se um governo de além mar para muitas questões económicas desta ilha, que escreve uma coisa e, na prática, executa outra.

Mais uma vez, os Faialenses têm de olhar por si, têm que ter consciência das políticas regionais de desenvolvimento, saber aquelas que verdadeiramente diversificam e fortificam a nossa economia e, para além de reivindicarem, têm de ser igualmente empreendedores e começar a oferecer o produto golfe com iniciativas empresariais locais com maior grau de qualidade, de modo a continuarmos a ter futuro.

                                                                            Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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