As economias devem criar valor nos seus territórios, gerando assim emprego, crescimento económico e consequentemente social, de modo a que, com os seus impostos bem administrados pela coisa pública, se aumente o bem-estar das populações.
É um desígnio económico sabermos deste conceito e aplicá-lo diariamente, contribuindo para melhorar a competitividade do nosso território, para que cada metro quadrado tenha um valor crescente que alguém queira manter ou comprar, porque vale dinheiro e é um bom investimento para si e para os seus filhos.
Para avaliarmos do nosso valor há que analisar o nosso contexto no meio envolvente e fazer aquilo que de bom aí se faz. Devemos aproveitar as potencialidades próprias do nosso território e alinhá-las com as políticas gerais de desenvolvimento económico e social.
Este mero mas importante exercício de cidadania e de gestão pública é extremamente aliciante para quem vive numa ilha, com 15 500 habitantes, no meio do Atlântico, num arquipélago com outras ilhas mais populosas, com o poder político nelas instalado, condições estas que naturalmente criam valor duma forma mais privilegiada. E a competição saudável não deixa de ser um desígnio e um exercício permanente, devido à velocidade com que os acontecimentos se sucedem nos dias de hoje.
Por outras palavras, mais simples e diretas, o Faial não pode perder o comboio, não pode deixar de ter no seu território características que coloquem a ilha num patamar de atratividade para quem cá vive e trabalha, e legitimamente ambiciona ver o fruto desse esforço através da valorização do seu território.
Esta inclusão do Faial no desenvolvimento tem tido ultimamente ataques ferozes, os governos sem faialenses no conselho de governo tem-se traduzido num política centralizadora nas duas ilhas maiores, que parecem ser oásis de fortuna, onde tudo tem viabilidade e sustentabilidade, ao passo que as outras, coitadinhas, são da coesão e têm de ser ajudadas socialmente com um pedaço de pão e um cobertor e umas cantatas. Este modelo não, obrigado.
Estas políticas centralizadoras já estão decretadas politicamente com documentos orientadores que automaticamente desvalorizam o nosso território e o tornam mais pobre. Mas pior é possível e as notícias que vieram recentemente à comunicação social são arrepiantes para a ilha do Faial.
Refiro-me à abordagem governamental à possibilidade de virem companhias aéreas lowcost para as duas ilhas maiores, e ao estudo de um banco, comentado pelo presidente duma Câmara de Comércio e responsável na Universidade dos Açores, segundo o qual apenas duas ilhas, sempre as mesmas, seriam sustentáveis e as restantes seriam inviáveis.
Ora, com estas notícias, o território faialense perde valor automaticamente, mesmo sem nada de concreto ter acontecido. Contudo, a mera – mas forte – ameaça do Faial ficar excluído de passagens mais baratas é um fator de empobrecimento e de diminuição da competitividade do nosso turismo e das nossas gentes, que se vivessem nas ilhas populosas teriam menor custo de vida e viveriam melhor.
Por outro lado, a banca verá o Faial como sendo uma ilha não viável, assim com mais risco de operação bancária e consequentemente o financiamento da nossa economia será em menor escala e mais cara. Mau, muito mau!
Agora, analisando estes factos de uma forma política, leva-me à conclusão óbvia de que este governo socialista já encostou o Faial às boxes e de que a política de centralização e de placas logísticas de mercadoria via marítima se está a estender à distribuição área por placas giratórias, ao nível do transporte aéreo de passageiros, e de que logicamente o financiamento bancário será somente para as ilhas maiores. Ou seja, as mais ricas têm pernas para andar e as outras para mirrar.
É preciso que os Faialenses tomem mais consciência deste fenómeno real e com ameaças crescentes de empobrecimento da ilha, com o território a valer cada vez menos, com as consequências de gerar menos emprego no futuro, menos atividade, menos impostos e um ciclo de menos interesse da coisa pública.
E esta aparente dormência estende-se a quem devia ir a jogo e defender a nossa ilha. Mais uma prova disso é o teor da convocatória do conselho de ilha do Faial, que se reuniu para dar parecer sobre um diploma legal. Sem questionar a importância da legislação em causa, o que considero grave é não analisar estes assuntos preocupantes e posicionar a estratégia do Faial.
É inadmissível que conselho de ilha do Faial assobie para o lado perante a ameaça de exclusão, de perda de valor no transporte aéreo de passageiros e consequentemente de carga, quando a acessibilidade aos mercados é vital para toda nossa economia e populações, e que assista à desvalorização da ilha e ao aumento do risco da operação bancária para o Faial, que tanto precisa de capitais para se manter e desenvolver.
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