A voz dos nossos antepassados ecoa nesta época com os votos tradicionais de Natal. O seu espírito está presente em cada um dos nossos gestos, a sua memória repercute-se na nossa vida e une passado e presente com o invisível fio do Amor.
Na verdade, o Amor universal, incondicional e transversal é tudo o que o ser humano necessita para sobreviver, para alimentar a humanidade, para salvar o planeta, para sentir e dar paz, para cultivar a solidariedade. Por outras palavras – e sem qualquer lamechice ou com ela, que importa? Cada um que use as palavras que lhe servem! – o Amor e o Tempo são a receita para todos os males, mesmo para os que, em determinado momento da nossa vida, nos parecem incuráveis. Os antigos já a conheciam e já a aplicavam na sua vida e nos aforismos de sabedoria popular que percorreram gerações antes de chegarem a nós.
O filme Cloud Atlas tem como tema exatamente esse fio invisível que nos une ao passado e ao futuro e que, deixando-nos a escolha do presente, tece uma tapeçaria onde os fios nos entrelaçam, fazendo com que um acontecimento de há um século possa ter reflexo no hoje e se possa projetar noutro acontecimento daqui a mais um século. O que se diz para a globalização económica – que tão desastrosamente fez derrocar tantas economias – poder-se-á aplicar na globalização do tempo mas sem as nefastas consequências da económica.
Estaremos preparados para entender esta globalização? Dificilmente. Se a aldeia global trouxe tão grandes surpresas e tanta turbulência nas vidas de quase todo o mundo, o conceito de globalização do tempo afigura-se ainda mais inacessível para o comum dos mortais. Precisaremos de abandonar formatos há muito estabelecidos e de recontextualizar toda a existência humana à luz de axiomas tão antigos quanto o Homem, mas enterrados com a intuição nas sepulturas das convenções que muito oportunamente serviram padrões cénicos seculares.
A globalização do tempo, sendo essência e não acessório, vai revolucionar todos os padrões e o ser humano gosta demasiado da sua zona de conforto para pôr muito de tudo o que a cultura lhe ensinou em causa. A tendência será o conceito tornar-se alvo de chacota, de crítica, de incredulidade e/ou de distância. Apenas os que não temerem o confronto procurarão ouvir a sua sensibilidade e encontrarão dentro de si respostas que muitas gerações já conheceram mas poucas delas passaram testemunho.
No momento atual, em que as dificuldades fazem parte das vivências diárias de muitos cidadãos, o contributo de cada um é importante para melhorar vidas e dar bem-estar. E isso não se faz apenas com pão e roupa. Faz-se também com alimento espiritual (e que a espiritualidade não seja confundida com a religião!). Por essa razão, e para terminar o ano 2012 e dar as boas-vindas a uma novo ano que pode ser uma nova era, expresso a minha confiança no amanhã, repetindo o que milhões de antepassados já disseram em todas as línguas e épocas: Boas Festas e Feliz Ano Novo!
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.