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01
fevereiro

Last Minute e a Autonomia!

Escrito por  Fernando Guerra
Publicado em Fernando Guerra

Um dos grandes objetivos dos meus artigos no Tribuna das Ilhas é despertar a consciência económica e social nos meus leitores para as consequências de medidas políticas, planos e ações cujo efeito afete positiva ou negativamente a nossa ilha.

O método utilizado tem sido variado, desde a estrutura macro-económica de desenvolvimento da Região, passando por notícias que saem avulsas e que até, duma forma genérica, parecem inocentes e inofensivas mas que, pelo contrário, acarretam medidas políticas de grande alcance, e as quais, sempre que ferem os interesses do Faial, diminuindo a sua competitividade, faço questão de denunciar, seja em que circunstância for.

Este artigo é, assim, baseado em afirmações proferidas pelo presidente eleito do partido socialista na Região e presidente do nosso Governo, no congresso regional realizado no último fim de semana, e que passo a citar "está na linha da frente da defesa da Autonomia, A atual situação que se vive no País, para além das urgências de contenção financeira e de reestruturação da ação do Estado, denota claramente uma orientação ideológica de quem governa a República no sentido de termos um país cada vez mais centralizado, democraticamente mais pobre e, em consequência, com índices de disparidade de desenvolvimento entre o centro e a periferia cada vez mais elevados, afirmou o duplo presidente. Não é possível aceitar como boas situações em que, pura e simplesmente, o Estado vota ao abandono os seus serviços e as suas responsabilidades no território, alertou o presidente.

Ora, como Faialense, digo claramente que estas declarações têm muito que se diga, mas desde já e duma forma simpática, são muito demagógicas! Parece que o ditado popular se aplica: "Faz o que eu digo e não o que faço". Nem mais. Se o leitor faialense substituir as palavras "República" e "Estado" pela ação deste Governo Regional também o colocaria em xeque!

Sim, este Governo utiliza as restrições financeiras para não investir reprodutivamente em ilhas mais pequenas, está em restruturação com uma orientação ideológica de centralidade. Veja-se, por exemplo, o diploma das plataformas logísticas que nada mais é do que uma agressiva centralidade; veja-se agora a transferência da Estação Radio Naval do Faial para São Miguel, a fusão das Secretarias Regionais sediadas na Horta, o esvaziamento de serviços das Direções Regionais... Até a última frase do presidente também poderia ser-lhe dita por um Faialense: "não é possível aceitar"...

Os leitores já devem estar a pensar mas afinal o que tem a ver a medida da tarifa da nossa transportadora aérea regional denominada de last minute, que permite a um passageiro ir ao continente português por uns "simpáticos" 88,50, em aparelho da companhia, e a demagogia de que acuso o discurso do presidente?

Pois digo-vos que tem tudo! É uma medida demagogicamente centralizadora e ataca pilares essenciais do nosso bem-estar.

É centralizadora, pois sabemos que a transportadora aérea regional tem base em São Miguel e que apenas opera um voo por semana a partir da Horta. Ora, faz sentido os açorianos de São Miguel poderem ir a Lisboa por um, dois ou três dias e regressarem, e os Faialenses só poderem ir numa quarta-feira e regressar na outra? Onde há equidade nisto? Há mas é centralidade!

Mas, pior do que isso, é que podem faze-lo, podem estar menos duma semana em Lisboa e regressar à Horta, mas via Ponta Delgada ou via Terceira, em aparelho da companhia. Não estou a desprezar a solução nem o tempo que esta situação tira ao passageiro, mas a concorrência desleal que se gera entre os aeroportos da Região. Esta medida, e por questões financeiras óbvias, leva a que o turista prefira os destinos ponto a ponto, sem viajar interilhas com os condicionalismos conhecidos, assim como também leva a que os residentes no Faial, por uma questão financeira, optem por esta via, o que vem diminuir a taxa de ocupação e a viabilidade da rota direta entre a Horta e Lisboa.

Como estão a tirar-nos tudo, esta terra está cada vez menos atrativa. Esta medida centralizadora, anunciada aliás pelo presidente, é uma ameaça ao bem-estar dos Faialenses e a um pilar do nosso desenvolvimento, que é esta linha direta com Lisboa.

Não podemos, mais uma vez utilizando as palavras do presidente, mas com o mesmo argumento de medida centralizadora e ameaçadora para o Faial, ser um arquipélago "cada vez mais centralizado, democraticamente mais pobre e, em consequência, com índices de disparidade de desenvolvimento entre o centro e a periferia cada vez mais elevado".

De que serve apregoar a Autonomia se na Região se pratica o mesmo centralismo, com a conivência de todos? Acorda FAIAL.

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