1.Olhando para trás, hoje sinto ainda mais reforçada a minha convicção de que Carlos César ficará na História dos Açores como o governante que, até agora, mais fundo cavou as divergências e aprofundou a distância no desenvolvimento entre ilhas, privilegiando umas em detrimento da grande maioria, que se vê estagnada e a cada dia que passa esvaziada da sua maior riqueza: a dos seus filhos que saem e não voltam. Os números dos últimos Censos são clarificadores quando se verifica que cinco ilhas dos Açores (Santa Maria, Graciosa, Pico, S. Jorge e Flores) atingiram mínimos populacionais históricos, Terceira e Faial estagnaram e S. Miguel foi a única ilha a crescer com significado.
2. Apesar da questão da perda da importância do Faial no contexto regional ser um facto, verdadeiro e objetivo, e de ser por todos sentida, impõe-se também reconhecer que a maioria dos eleitores faialenses a ela não deu relevância significativa na altura de decidir a sua orientação de voto. Ao renovar, sucessivamente, na última década e meia, a sua confiança naqueles que aprofundaram, como nunca no nosso passado autonómico, a subalternização do Faial no contexto do desenvolvimento regional, a maioria dos eleitores faialenses, ajudou a consolidar a legitimidade da situação atual.
3. Discordei desta orientação política regional que nos conduziu a estes resultados. Lutei politicamente contra ela. Estive ao lado daqueles que queriam para os Açores outro rumo e para o Faial outras oportunidades. Democraticamente, eu e todos aqueles que por isto lutaram, fomos vencidos. Democraticamente respeitei e respeito a decisão maioritária dos eleitores. Mas também continuo a pensar que estávamos e estamos do lado da razão. E assim também pensaram mais de 2.600 eleitores nesta ilha. Para com eles tenho um dever de fidelidade na representação e na defesa das ideias, valores e princípios por que lutámos. A derrota eleitoral não significa que o que se defendia era errado ou inútil. Significa apenas que as pessoas escolheram outro caminho. E só isso não faz do caminho rejeitado, um mau caminho.
4.Já nestas páginas afirmei ser claro não haver no PS do Faial uma única personalidade a quem se possa recorrer e que tenha o mínimo peso a nível regional. E não tenho hoje dúvidas de que muito do que no Faial não se conseguiu nesta década e meia de Governo de Carlos César se ficou a dever à incapacidade reivindicativa dos dirigentes locais da área do governo. Umas vezes por falta de empenhamento, outras vezes por falta de visão estratégica de futuro e frequentemente por submissão silenciosa à vontade e às orientações de uma liderança quase absoluta, a verdade é que resulta clara a perda de importância sofrida pelo Faial no contexto regional.
5. Alguém conhece uma afirmação, uma crítica, uma denúncia, uma propositura antecipada de algum responsável político local do PS nestes anos, relativamente ao Faial e que ponha em causa o governo regional ou que o tenha condicionado e influenciado nas suas decisões? Nada, um constrangedor e ensurdecedor silêncio!
6. E enquanto assim tem sido em relação aos responsáveis do Faial, veja-se o mais recente exemplo do deputado picoense Lizuarte Machado, eleito pelo PS, para bem se perceber as diferenças a que me refiro.
Aquele deputado publicou, no Jornal do Pico, no passado dia 1 de Fevereiro, um oportuno e importante artigo de opinião, cujas conclusões subscrevo e defendo.
Com efeito, e considerando a intenção do novo governo regional em avançar para a "Fusão das duas empresas regionais de transporte marítimo de passageiros", a Transmaçor e a Atlânticoline, aquele deputado, com fundamento e razão, defende que "é a Transmaçor quem tem movimento real e permanente de passageiros, enquanto a Atlânticoline tem, embora importante, um movimento residual e sazonal, limitado à gestão de dois contratos anuais, pelo que seria um erro histórico imperdoável que a nova empresa, resultante da fusão destas duas, não ficasse sediada na Horta."
7. É de líderes capazes desta forma de intervenção que tem estado órfão o PS do Faial. É de líderes capazes desta antecipação que tem estado órfão o PS do Faial. É de líderes capazes de terem opinião própria e publicada e que não repita a visão oficial da corrente dominante da governação que tem estado órfão o PS do Faial.
8. A questão da localização da sede da nova empresa que irá resultar da fusão da Transmaçor com a Atlânticoline, não é uma questão irrelevante. Deve ser uma reivindicação destas ilhas e dos seus dirigentes. Pelas razões apontadas atrás, mas também por uma questão de justiça e de reparação de um erro passado: é que a sede da Atlânticoline já foi na Horta. O esvaziamento desta ilha também aí chegou e a sede daquela empresa foi daqui retirada a coberto de um comprometedor silêncio de muitos responsáveis.
Escolher a Horta para sede da nova empresa a constituir pode ser um promissor sinal de mudança do novo governo regional, que contará com o nosso total apoio.
Aguardemos.