Descendente de abastada família da freguesia da Ribeirinha, concelho da Horta, onde nascera em 14 de Julho de 1918. Era filho de Tomás da Terra Vargas e de Olívia de Silva Dutra, ele agricultor e ela doméstica e irmão de Maria do Carmo e de José Dutra Terra.
Na freguesia da Ribeirinha fez a sua vida no trabalho rural da fértil e extensa lavoura da família, criada pelos pais e largamente aumentada por ele e pelos irmãos. Nunca casou para assim poder garantir melhor assistência aos seus ascendentes e não destruir uma lavoura rica em culturas e animais, designadamente em milho, batatas e gado bovino. Quer o pai, quer ele e os irmãos souberam gerir e trabalhar de forma a que a sua casa era uma das mais fartas e ricas da freguesia da Ribeirinha, apesar das várias doenças que durante a vida acometeram alguns elementos da família. Um dos principais motivos para aquele enriquecimento ficou a dever-se ao método económico praticado por toda a família, bem como à forma hábil como a sua lavoura foi gerida. De qualquer forma todos trabalhavam de sol a sol.
O pai, farto das perseguições que a 1.ª República cometeu no País, nomeadamente contra a Igreja Católica, foi das primeiras pessoas da ilha do Faial a aderir ao Estado Novo. Deste modo, este fez parte voluntariamente da União Nacional e, consequentemente, foi um dedicado autarca da Junta da Ribeirinha a ela dedicando gratuitamente todo o seu saber e muito do seu tempo disponível. Assim, o filho, homónimo, seguindo a tradição do pai, veio também a ser um dos mais dedicados autarcas do tempo do Estado Novo, de que se orgulhava após a turbulenta 1.ª República, Tomás da Terra Vargas foi Presidente da Junta de Freguesia da Ribeirinha, durante vários mandatos.
Durante vários anos antes foi membro da Junta de Freguesia da Ribeirinha, no período do antigo regime. Depois do “25 de Abril” de 1974, pela forma como os ribeirenses confiavam nas suas capacidades, foi escolhido para Presidente da Comissão Administrativa que, transitóriamente, dirigiu a freguesia até às primeiras eleições autárquicas, e, logo a seguir, fez parte da primeira Junta de Freguesia eleita democraticamente.
Era respeitado e admirado pelos seus conterrâneos, desfrutando de grandes simpatias junto dos seus amigos, quer na Ribeirinha, quer na cidade e noutras localidades da ilha. Durante vários anos foi um dos maiores colaboradores da igreja da Ribeirinha, da filarmónica local, de outras instituições e da pobreza, embora, por vezes o fizesse, sem que ninguém o soubesse, como mais tarde viemos a saber.
Nos últimos anos vivia no Lar da Santa Casa da Misericórdia da Horta, onde os irmãos Maria do Carmo e José Dutra também haviam estado. É que todos eles haviam acordado em fazer testamento dos seus bens à Santa Casa da Misericórdia, tendo destinado o dinheiro aos seus funerais no Cemitério da Ribeirinha e às missas celebradas pelas suas almas. A partir desse testamento, que veio a ser transformado em doação em 5 de Fevereiro de 2000, aquele Instituição passou a possuir uma excelente e grande lavoura, em terrenos todos juntos uns dos outros. Deste modo, Tomás da Terra Vargas esteve na origem ou foi um dos maiores doadores que, nos últimos anos, contemplou aquela Instituição com um rico património rural, situado na freguesia da Ribeirinha. Distinguiu-se também como um notável cidadão da freguesia que o viu nascer.
Fazia facilmente amigos e era uma figura bondosa e simpática que alimentava muitos e excelentes convívios. Tinha amigos por toda a ilha e era seu hábito, sobretudo quando novo, participar em festas e romarias onde encontrava sempre parceiros conhecidos.
Tal como antigamente acreditou na política do Estado Novo de Salazar, depois do “25 de Abril” encontrava nos partidos da direita as melhores ideologias para a sua forma de pensar. Era, assim, um observador atento, sempre entendido nas actualidades que, diariamente, acompanhava com empenho e curiosidade. Tinha grande admiração por Salazar, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, que considerava os políticos portugueses mais sérios do seu tempo. Conversávamos muito e notei que um dos maiores desgostos que sofreu nos últimos anos foi quando lhe cancelaram a carta de condução. Foi como se lhe tirassem anos de vida, porquanto ele não previa que isso lhe viesse a acontecer tão cedo.
Acometido de doença súbita, faleceu no dia 17 de Outubro de 2003 no Hospital da Horta, onde fora internado no dia anterior, por ter sido acometido de doença grave cardíaca. Tinha 85 anos de idade. No seu funeral, que se realizou no dia seguinte ao do seu falecimento para o cemitério da sua terra natal, incorporaram-se muitos amigos, designadamente da cidade da Horta e da Ribeirinha.
Deixou a saudade de todos os seus familiares, amigos e companheiros de trabalho e de romarias. Esta é a minha homenagem, extensiva aos irmãos Maria do Carmo e José Dutra.
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Fontes: Cópia da Ficha do Utente da Santa Casa da Misericórdia, entrevista ao próprio em 24-12-2002 e a António Gilberto, em 8-2-2013.
Foto 1: Tomás da Terra Vargas foi um dos últimos grandes doadores da Santa Casa da Misericórdia da Horta.
