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07
junho

15% de Mudança!

Escrito por  Fernando Guerra
Publicado em Fernando Guerra

Nos dias de hoje, o nosso bem-estar depende de trabalho e de rendimento. Podemos até estar contra a primazia deste pilares, colocando outros valores societários à frente, como a família, a educação, a saúde, a religião, que até devem estar em primeiro lugar, mas felizmente para alguns e infelizmente para outros só se consegue melhor desempenho quando há emprego e o maldito dinheiro.

A esta alteração de meio para se atingir um fim, a esta inversão de prioridades está associada a mudança. Podemos ser conservadores por educação ou por natureza mas atualmente esta componente é um bónus com que a vida nos presenteou e o qual não podemos rejeitar.

O mercado de trabalho muda 15% ao ano, pelas mais variadas circunstâncias, pela mais drástica, a extinção do posto, mas também pela criação, pela alteração das funções, pela atualização. Isto é, podemos não gostar de mudança, mas em menos de sete anos os postos de trabalho são totalmente mudados e estar contra a mudança chocar com o trabalho e o rendimento e, consequentemente, com tudo o resto.

Podemos não gostar de mudança, mas o mundo à nossa volta muda. Podemos não concordar, mas o acordo comercial entre a Europa e os Estados Unidos vai mudar as nossas vidas. O novo quadro de referência de apoio de Bruxelas aos Estados membros vai iniciar-se em 2014 e vigorar até 2020; podemos não querer mudar, mas este documento estratégico vai mudar as nossas vidas. Podemos não concordar com as medidas de austeridade do orçamento de Estado ou do orçamento regional, mas as mudanças nestes documentos têm efeitos práticos no nosso dia-a-dia, alteram o nosso trabalho e o nosso rendimento e temos que mudar e adaptarmo-nos duma forma inteligente.

Em suma, o Estado mudou, a Região também. Com todas estas mudanças, a questão que se deve colocar aos Faialenses é exatamente o que fizeram para se adaptar? Caso nada façam, teremos menos família, menos educação, menos cuidados de saúde, pois teremos menos empregos e menos geração de riqueza.

Como tem participado a sociedade Faialense, ou os seus representantes, nas medidas do novo quadro de apoio? Tem intervindo? Tem sabido lutar pelos interesses da sua terra, tem sabido defender a diferença de desenvolvimento que o Faial tem relativamente às ilhas maiores? Ficarão preto no branco as nossas especificidades?

Espero que sim, que se esteja a trabalhar nesse sentido, mas infelizmente não tem sido do conhecimento público contributos com efeitos na criação de emprego.

Ao nível regional já está tudo decidido, o plano de médio prazo está publicado e já sabemos que o Faial será objeto de cortes severos. Estamos preparados para estas mudanças de austeridade?

Mas mais uma vez, mesmo com estas mudanças regionais que tornam o Faial mais periférico e mais marginal, mesmo dentro da própria Região, temos que ser audazes em conseguir trabalho e rendimento, nem que seja com uma postura reivindicativa incómoda, exigindo, por exemplo, instalar-nos no parque tecnológico de São Miguel, que se diz dos Açores, e por essa via gerar bem-estar cá. Por outro lado, há grandes ameaças nas mudanças dos transportes aéreos, como podemos influenciar para ganhar vantagens e beneficiar das alterações que se anunciam? Tudo isto passa pela qualidade e capacidade dos nossos representantes e de quem os segue...

Ao nível autárquico nada mudou, parece que os seus protagonistas não vivem neste mundo em mudança, está tudo igual. Veja-se, a título de exemplo, que em 2009, na campanha do partido que governa o município, o elenco camarário (socialistas e comunistas) pintou na avenida o espaço onde antes era um jardim e criou um parque de estacionamento; agora, quatro anos depois, está a pintar as ruas para estacionamento... Sim, nada mudou...

Assustam-me os discursos românticos de quem não aceita nem vê esta realidade onde está tudo a mudar, de quem não enxerga que esta ilha necessita ter um projeto sério de desenvolvimento, para que se renove, ano após ano, os 15% de mudança. É urgente que se perceba que com sorrisos fáceis e pancadinhas nas costas e uns baldes de tinta não se conquista o futuro.

Espero que o Faial consiga, durante o que já foi considerado o maior festival náutico, entrar no Guiness com a maior dança de chamarrita, mas não para fazer como fez Zorba, o Grego, que dançou em cima da calamidade, mas que seja inspirador e motivador, mostrando-nos que se conseguimos um recorde também conseguimos mudar como os povos modernos.

 

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