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26
junho

Empreendedorismo Municipal

Escrito por  Fernando Guerra
Publicado em Fernando Guerra

Os gestores públicos, as empresas e os potenciais empreendedores já perceberam que o desenvolvimento económico e social passa pelo empreendedorismo, tanto que é uma palavra gasta na boca dos políticos e de quem é e de quem quer ser empresário, a ponto de ser desnecessária a sua definição.

Em resposta à questão de fundo como se cria ou se potencializa um ambiente que leve à tomada de decisão de investir um euro numa economia insular, há três linhas muito importantes: a primeira provem da competência do gestor público, que deverá analisar todas as barreiras existentes e fazer o que estiver ao seu alcance para as eliminar ou atenuar; a segunda é deixarmo-nos de discursos redondos, com palavras bonitas e afirmações como “Temos que empreender e ser inovadores”, sem dizer em quê e sem ter sido proativo anteriormente; a terceira linha consiste no poder local, sendo imperioso que as autarquias entrem no terreno e sejam igualmente agentes neste processo de empreendedorismo. Neste contexto, com o pacto de agressão de que a economia Faialense está a ser alvo, o município da Horta tem um papel e responsabilidade acrescidos.

A autarquia Faialense não pode ficar à sombra das ações governamentais de empreendedorismo e à espera que algo aconteça, pois a percentagem de projectos empreendedores no Faial está aquem da de outras ilhas, por isso é necessário trabalhar mais, e duma forma simples, se não tiver capacidade de inovação (e já deu provas de que não tem), deve pegar nas ideias governamentais e majorar os incentivos ou complementa-los, direcionando-os para o que constitui os seus pontos fortes. 

Alguns exemplos práticos, a autarquia não tem de esperar que seja o governo regional  a introduzir no contexto escolar a sensibilização para o empreendedorismo, deve promover colóquios, seminários e concursos, atribuir prémios ao nível secundário, e por via da Escola Profissional, e de uma forma direta e já sobejamente recomendada, fomentar a criação de empresas virtuais,  incutindo na prática a cultura empresarial.

A autarquia não deverá ficar na sombra do gabinete de empreendedorismo da Secretaria Regional com competência nesta área, nem da associação comercial, nem da associação de desenvolvimento local. Justifica-se que entre em ação e crie o seu próprio gabinete de empreendedor, não para ser mais do mesmo e haver sobreposição de competências, mas para trabalhar em parceria com aquele no sentido de combater as barreiras à entrada de empreendedores.

Deve dotar este gabinete de elementos de proximidade com a empresa municipal, no sentido de oferecer aos potenciais empreendedores da zona industrial planos de arquitetura, de viabilidade económica e planos de marketing, para que os negócios ganhem aceleração. Deve inclusivamente cruzar a oferta de espaços no mercado municipal e na zona industrial, e deve utilizar instrumentos fiscais ao seu alcance, tornando-os de incentivo ao empreendedorismo.

 

Sim, deve ser muito pragmática e em vez de só se intitular Horta, cidade Mar, deve ser assertiva nesta matéria e facilitar a entrada de capital e de conhecimento estrangeiro para trabalhar com o departamento de oceanografia e pescas, pelo simples facto que os parques tecnológicos não são para o Faial, daí a necessidade de empreendedorismo municipal.

 

Ainda no âmbito do mar, que é o nosso ponto forte, porque não criar uma linha de crédito com bonificação de juros para quem se instalar no parque empresarial nas áreas conexas, como a marítimo-turística, o comércio, a biotecnologia, a construção naval...

Pressionar os proprietários das instalações da Cofaco para, em parceria com o governo regional, promover a requalificação e a dinamização deste espaço desocupado, apresentando candidaturas a apoios comunitários para afectar à economia do mar.

A autarquia tem de ser empreendedora, requalificando a mão de obra excedentária da construção civil, advinda do fim da reconstrução e da crise económica, formando e atualizando, para que quando chegarem as medidas da requalificação urbana já anunciada, os nossos desempregados destes sectores estejam aptos a utilizar as técnicas de construção mais modernas, para que haja produtividade e ganhos na requalificação da cidade da Horta.

A autarquia da Horta deve deixar-se de demagogia, como fez quando o seu vice-presidente e candidato, num intercâmbio municipal no continente português, afirmou que os municípios não devem estar de costas voltadas, sendo exatamente isso o que faz em relação aos municípios do Pico, não criando economia local com esta proximidade de concelhos e que necessitam de uma cimeira urgente para debater estes assuntos! Ou passar de uma jantarada porreira oferecida pelo município aos jovens estudantes no continente por altura da Bolsa de Turismo de Lisboa a uma postura proativa, com medidas concretas e verdadeiras, como majorar os programas Estagiar L para aqueles que queiram ser empreendedores na sua terra. 

Sumariamente, gerar confiança e esperança no empreendedor requer muito empreendedorismo municipal, que tem estado ausente.

 

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