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07
fevereiro

Ano Internacional da Agricultura Familiar

Escrito por  Maria do Céu Patrão Neves
Publicado em Patrão Neves

70% dos alimentos produzidos em todo o mundo são provenientes de explorações agrícolas familiares; na União Europeia, 97% das explorações agrícolas são familiares; em Portugal, 80% da mão-de-obra total ao serviço da agricultura é população agrícola familiar e 7,5% da população nacional está afeta à agricultura familiar; nos Açores, 17,3% da população está afeta à agricultura familiar. Estes são alguns números que evidenciam a importância da agricultura familiar, à qual a Organização das Nações Unidas dedicou este ano de 2014.

O que é então a agricultura familiar? Existindo diversas definições, elas convergem na afirmação de que consiste num meio de organização das produções agrícola, florestal, pesqueira, pastoril e aquícola, gerida e operada por uma família, predominantemente dependente de mão-de-obra familiar e em que o lucro cobre o trabalho não remunerado e o capital do investidor e da família. 

Mais frequentemente o cidadão comum associa a agricultura familiar a uma atividade de subsistência, como o que se verifica na maioria dos países em vias de desenvolvimento, onde desempenha um papel determinante na erradicação da fome e da pobreza, na provisão de segurança alimentar e nutricional; porém, a agricultura familiar é também determinante para a coesão social e emprego, gestão dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, sobretudo nas áreas rurais – desideratos que cumpre mais plenamente nos países desenvolvidos, como os europeus. 

Mais frequentemente o cidadão comum associa a agricultura familiar a pequenas explorações de tipo tradicional; porém, a agricultura familiar também pode ocupar grandes áreas e, em qualquer caso, não ser necessariamente de pequena dimensão económica, nem tão pouco incompatível com a modernização.

Em Portugal e particularmente nos Açores – uma das regiões do país em que esta atividade económica assume maior expressão – é a agricultura familiar que fixa as pessoas à terra, no cuidado pelo meio ambiente e pela diversidade biológica, numa relação que não é meramente económica, na exclusiva obtenção de lucro, mas essencialmente vivencial, num modo de ser e de estar contextualizado pela paisagem e modelado pela ligação à terra. Este apego à terra, a capacidade de produzir o que lhe está mais adaptado, a animação dos mercados locais e da economia rural, o orgulho por este estilo de vida são o garante mais prometedor da sua perpetuação.

Neste ano de transição entre o de 2013, que foi o da reforma da Política Agrícola Comum, e o de 2015, em que esta virá a ser efectivamente implementada, este ano de 2014 – Ano Internacional da Agricultura Familiar – constitui uma oportunidade excelente para valorizar a agricultura familiar, no seu papel social, económico, ambiental e cultural, garantindo que esta agricultura que, afinal, caracteriza a nossa Região, o nosso país e a nossa Europa, subsista como alma da ruralidade, mesmo quando a agressividade anónima dos mercados livres impõem formas de produção intensivas.

 
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