26 de abril de 1974 – o dia seguinte, na ilha do FaiaL. De manhã, “O Telégrafo” abre com a manchete “Na madrugada de ontem em Lisboa eclodiu uma subvenção denominada Movimento das Forças Armadas”, reconhecendo no seu breve desenvolvimento tratar-se de “uma subvenção cuja dimensão e principais características são ainda desconhecidas”.
De tarde, o “Correio da Horta” já faz manchete com uma afirmação do General Spínola na sua comunicação ao país: “A Junta de Salvação Nacional assume o compromisso de garantir a sobrevivência da Nação como pátria soberana no seu todo pluricontinental”.
O vespertino faialense acrescenta ainda outros títulos de impacto – “Dissolvida a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado”, “Extinta a ANP, DGS, LP e MP”, “Abolida a censura e o visto prévio”, “O Almirante Américo Thomás e o Prof. Marcello Caetano em exílio na Madeira” – para depois inserir um comentário da sua Redação, de reconhecimento e desejo, intitulado “A Horta viveu ontem horas de espectativa”:
“Mais uma vez, valeu-nos o Rádio Clube de Angra. E à própria redação do “Correio”. Pois possibilitou-nos poder dar, embora sucintamente e à última hora, notícia do movimento militar que tomou conta do governo. Que a nova Junta de Salvação Nacional, que tem como presidente o Torre e Espada, General Spínola, leve a bom termo o programa que anuncia, são votos deste jornal, que sempre desejou o progresso e prestígio de PORTUGAL!”
De entre os exilados políticos que regressam a Portugal destaca-se Mário Soares. O fundador do Partido Socialista português, exilado em França durante cerca de quatro anos, aproveita o comboio entre Bona e Lisboa para uma “primeira leitura” do programa da Junta de Salvação Nacional. Chegado à capital portuguesa, presta declarações à Emissora Nacional:

“Eu estava na Alemanha Ocidental, precisamente em Bona, a convite do Partido Social Democrata alemão. A visita devia prolongar-se ainda por mais dois dias, mas nós antecipámo-la, evidentemente, para regressar a Portugal. (…) Penso que o pronunciamento das Forças Armadas é um ato altamente patriótico, altamente louvável e, evidentemente, parece-me que o programa apresentado pela Junta de Salvação Nacional – li-o já no comboio, a caminho de Portugal – na primeira leitura que fiz, parece-me ser uma esplêndida base de trabalho.”
Bem se aplicaria a Mário Soares o título do dia no Correio da Horta de 29 de abril – “Veio para Servir”. Contudo, a nota de abertura do vespertino faialense, assinada pelo diretor-adjunto Armando Amaral, é dirigida ao Dr. Manuel Linhares de Andrade no momento em que este apresenta a sua demissão do cargo de presidente da Junta Geral do Distrito da Horta, evocando especialmente a sua convivência com a crise sísmica de novembro de 1973 nas ilhas Faial e Pico:
“Nem chegou a um ano que esteve na chefia do Distrito, cargo que desempenhou com inteligência, devoção e até sacrifício da própria saúde, como todos estão bem lembrados a quando desses dias, que se prolongaram por semanas, de intensa atividade sísmica. (…) Assim, em vésperas da partida, que por força das circunstâncias do momento da vida nacional lhe é imposta, e apesar de cientes de corrermos o risco de ofender a sua conhecida modéstia, não podemos calar esta pequena referência.”