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14
março

Do Teatro Faialense à estátua de Arriaga

Escrito por  José Andrade
Publicado em Hugo Rombeiro

Especial expressão popular teve a comemoração do 1º de Maio de 1974 na ilha do Faial. O comício evocativo no Teatro Faialense e a romagem subsequente à estátua patriótica de Manuel de Arriaga marcaram o dia próprio na cidade da Horta e dominaram os dias seguintes na imprensa local.

Sob o título geral de “Grandes manifestações da classe trabalhadora em todo o país”, o Correio da Horta centra a sua reportagem na proclamação de Abril em Maio:

“Nesta cidade, realizou-se no Teatro Faialense, que se encontrava repleto, a anunciada reunião de reflexão sobre o momento político português. Tendo por pano de fundo baladas de José Afonso, foi lida por Mário Frayão uma proclamação, que inserimos nesta edição, da autoria de Jaime Batista Peixoto: “Vinte e quatro de abril de 1974. Pela madrugada, o povo, estupefacto e quase incrédulo, ouvia, pelo emissor da Renascença, o grito álacre e triunfante da liberdade. E era verdade! Mas lembremo-nos que só da união integral pode surgir o triunfo, que todos nós queremos e desejamos para um Portugal melhor.” (Correio da Horta, 2.5.1974). 

O Telégrafo do dia seguinte enfatiza ainda mais a comemoração faialense do Dia do Trabalhador numa reportagem que intitula como “Adesão aos princípios da Junta de Salvação Nacional – Entusiástica sessão pública e marcha patriótica até junto da estátua do grande democrata Presidente Arriaga”. Aqui se refere a proclamação de Jaime Peixoto, a intervenção de Francisco Carmo, o telegrama à Junta de Salvação Nacional e a manifestação popular que atravessou a cidade até à estátua representativa do faialense que foi eleito primeiro Presidente da República:

“Sem qualquer pressão ou prévia propaganda, na tarde do dia 1 de Maio realizou-se no “Teatro Faialense” uma reunião pública apenas anunciada como sessão de reflexão sobre o momento político nacional e da comemoração do Dia do Trabalhador, cuja iniciativa partiu dum grupo de devotados democratas. A sala, em poucos momentos, ficou superlotada.

“A sessão foi iniciada pela leitura duma Proclamação escrita pelo sr. Prof. Jaime Baptista Peixoto e lida pelo sr. Mário Frayão. Esta leitura foi interrompida, várias vezes, por prolongadas ovações. O rev. Dr. Francisco Carmo, de seguida, pronunciou largas considerações destinadas à reflexão e em ordem a consciencializar as pessoas das suas responsabilidades na construção dum novo País. O orador foi também extraordinariamente aplaudido. 

“Da reunião saiu ainda a redação de um telegrama que foi enviado à Junta de Salvação Nacional e cujo texto é o seguinte: “População Horta solidária política Junta Salvação Nacional destinos do País vem expressar seu profundo reconhecimento Forças Armadas Nação certa ser possível construir um Portugal melhor se todos nos empenharmos validamente”

“Toda a gente presente e outros que se associaram percorreram depois as ruas da cidade, lançando vivas ao General Spínola, às Forças Armadas e a Portugal. Pelas artérias citadinas o entusiasmo prevaleceu culminando junto à estátua do grande democrata faialense Presidente Manuel de Arriaga, em cujo pedestal o tenente sr. João Silveira Bettencourt depôs duas palmas com as cores nacionais.” (O Telégrafo, 3.5.1974). 

As repercussões do Teatro Faialense persistiram ainda na imprensa da Horta, quando O Telégrafo preencheu boa parte da sua edição do dia 4 com a reprodução integral da palestra de Francisco Carmo, que assim terminava: “Pessoalmente não me sinto nem triste nem emocionado mas esperançosamente interpelado por um acontecimento que me responsabiliza como homem e como cristão.”

 

 

 

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