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21
março

Há 40 anos no Distrito da Horta (4) - (Des)esperando pelo Governador

Escrito por  José Andrade
Publicado em Hugo Rombeiro

Dois meses depois do 25 de abril de 1974, os faialenses manifestavam-se descontentes e impacientes com o impasse de Lisboa para a nomeação da nova autoridade distrital. Os governos dos três distritos autónomos da Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada tinham sido provisoriamente entregues aos respetivos secretários-gerais ainda em abril, sem que desde então houvesse novidade.

A Câmara Municipal da Horta, pela sua parte, tomou a iniciativa de pressionar uma solução com a demissão do presidente Victor Lemos Macedo da Silva e do vice-presidente José Athayde Novais de Oliveira, em funções desde julho de 1969:

“Após o 25 de Abril, a decisão em referência, logo na primeira sessão, havia sido definida para quando da chegada dum novo Chefe do Distrito. Como este se demorasse, o Presidente e Vice-Presidente acharam agora oportuno apresentar a sua demissão, o que fizeram dirigindo-se ao Governo Civil para, por sua vez, a levar ao conhecimento do Ministro da Administração Interna.” (O Telégrafo, 9 de junho de 1974)

Enquanto a Câmara Municipal forçava uma decisão para a nomeação do Governador do Distrito, o Movimento Democrático Faialense – cuja Comissão Executiva “é formada pelos srs. Dr. Francisco Carmo, Dr. Mora Porteiro, Dr. Fernando Faria, José P. Almeida e Mário Fraião” (O Telégrafo, 22 de junho de 1974) – procurava uma solução e, inclusivamente, avançava com contatos que lhe não caberiam: 

“Em resultado da votação de uma das moções apresentadas na sessão pública levada a efeito no Teatro Faialense, o M.D.F. enviou ao Comandante Vasco Lúcio Costa Santos o telegrama seguinte: “Assembleia Pública cerca seiscentas pessoas Movimento Democrático Ilha do Faial reunida dia sete corrente mês manifestou decididamente desejo ter Vexa como Governador Distrito Horta ponto Julgando interpretar assim setor importante opinião pública Movimento Democrático Faialense apoiado por intenções idênticas expressas grupos democratas ilhas Flores e Pico solicita a Vexa aceitação cargo consciente embora enormes sacrifícios pessoais ponto” (Correio da Horta, 11 de junho de 1974).

Para pronto encerramento deste caso particular, registe-se a resposta do visado:

“O sr. Comandante Vasco Lúcio Costa Santos endereçou o telegrama seguinte:

“Referência vosso telegrama dia onze além razões já aduzidas para declinar vosso honroso convite fui nomeado ontem presidente comissão administrativa Junta Central Casas Pescadores de todo impossibilitando desejos meus amigos Horta ponto” (Correio da Horta, 14 de junho de 1974).

Apesar desta primeira contrariedade, o Movimento Democrático Faialense não desistiria de sugerir titular para a vacatura do cargo e, na semana seguinte, avança um segundo nome:

“Pelo Movimento Democrático do Faial foram expedidos telegramas para o Ministro da Administração Interna, Movimento Democrático Português, Casa dos Açores e dr. Herberto Goulart no sentido de que seja nomeado Governador deste distrito este nosso conterrâneo, há anos radicado no Continente e figura destacada na luta contra o fascismo.” (Correio da Horta, 19 de junho de 1974)

Mas, também neste caso, valores mais altos se levantaram, como se depreende de uma breve notícia aparentemente não relacionada que o mesmo Correio da Horta divulgava três semanas depois:

“O dr. Herberto Goulart, membro da CDE de Lisboa, faialense e particular amigo, foi nomeado para o alto cargo de Presidente do Fundo de Fomento da Mão de Obra.” (Correio da Horta, 6 de julho de 1974)

 

 

 

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