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14
novembro

Amor com humor se paga

Escrito por  Carlos Enes
Publicado em Carlos Ferreira

Já é bem conhecida de todos os portugueses a teimosia do Primeiro-ministro, que vive obcecado com os números, revelando uma tremenda falta de sensibilidade social, por mais que a propaganda tente polir essa carapaça.

Há bem pouco tempo ficou evidente na Assembleia da República o lamentável voto da maioria PSD/CDS-PP, relacionado com o apoio às vítimas da intempérie que assolou os Açores, em março de 2013. A má vontade em solidarizarem-se com quem tinha sido fustigado pelas forças impiedosas da natureza ultrapassou todos os limites da decência, com desculpas esfarrapadas que só desmerecem quem as engendrou. 

A contestação generalizada foi de tal ordem que muita gente pensou que Passos Coelho iria ter uma hipótese de se redimir, aproveitando a visita à Região, a convite do Governo Regional. 

Puro engano. Por detrás de sorrisos e acenos, revelou uma grande desconsideração por todos nós. Para os problemas que estão pendentes há muito, a resposta foi recusar pura e simplesmente a sua resolução ou adiá-la para as calendas gregas: a ampliação e a segurança do aeroporto da Horta, o estabelecimento prisional de Ponta Delgada, o Serviço Público de Rádio e Televisão, a Universidade, as funções do Estado na Região e as quotas leiteiras foram dossiês deixados em aberto, em que se comprometeu apenas “continuar a trabalhar”. 

Um assunto de grande importância, o plano de revitalização da economia terceirense afetada pela situação decorrente da Base das Lajes, foi também recusado. Afastou liminarmente a proposta do Governo Regional, tal como a maioria já havia feito no Orçamento do ano anterior, mas reconheceu, agora, que deveriam ser propostas medidas de apoio social e de qualificações que ajudassem a resolver os problemas de desemprego. Parecia que Passos Coelho finalmente reconhecia que os problemas existiam e ficou a esperança de que iria tomar medidas concretas. Enganem-se os ingénuos. O Primeiro-ministro afinal não se compromete e esclarece que não “pretende criar expetativas que depois não possam ser cumpridas”.  

Se a questão dos transportes aéreos ficou encaminhada, o diferencial fiscal nos Açores, voltando a subir para os 30%, não teve como contrapartida a reposição do nível de transferência que existia anteriormente, o que corresponde a uma forte penalização para os Açores

Bem pode o sr. Primeiro-ministro dizer que pretende resolver os nossos problemas do passado e do futuro “com muito amor”: - “precisamos de pôr muito amor naquilo que fazemos, para que a política se torne alguma coisa mais tangível e humana do que muitas vezes parece”. 

É preciso uma dose muito grande de humor para digerir estas afirmações do sr. Primeiro-ministro. Esperemos pelo Carnaval, pois temos aqui matéria abundante para inspirar e animar os nossos bailhinhos. 

 

 

 

 
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