Nasceu em 2 de Janeiro de 1835, no lugar da Ribeira dos Barqueiros, freguesia e concelho de Santa Cruz das Flores.
Emigrou para os Estados Unidos da América, onde chegou a Boston em 1848, tendo, portanto, a tenra idade de 13 anos. Era habitual, nesse tempo, os jovens florentinos emigrarem com idades semelhantes, geralmente apoiados por familiares ou amigos, embora sem ser na companhia dos pais. Aí aprendeu a profissão de barbeiro e certamente terá procurado aprender a língua inglesa, frequentando alguma escola nocturna, como geralmente o faziam os jovens emigrantes desse tempo, aumentando dessa forma a sua instrução, bem como a precária cultura com que saíra das Flores.
Em 1861 muda-se para a Califórnia, pouco tempo depois de casar com Rosa Freitas. Aí entusiasma-se pela corrida ao ouro e dedica-se à exploração desse minério, actividade essa que o ocupa durante os anos que se seguiram, numa época em que ainda era frequente nela se fazerem fortunas rapidamente. Esses árduos e intensos trabalhos, sempre dependentes da sorte de cada um, seriam localizados nas proximidades do Estado de Nevada. Mesmo assim, não deverá ter descurado a sua formação.
Após conseguir reunir considerável capital, decide mudar-se para San Francisco, onde abre um hotel e um restaurante situado na Rua Jackson, os quais são por ele geridos durante cerca de quatro anos. Mais tarde, passa para Hayward onde abre uma barbearia no Hotel Hayward, a primeira no género nessa cidade californiana, que se situa nas proximidades de San Leandro.
Quando em 1876 essa cidade é incorporada e elevada a município, torna-se membro da primeira comissão instaladora camarária, ficando ligado a vários departamentos. Assume, simultaneamente, funções de Juiz de Paz e de Vereador municipal, cargos que desempenha durante vários anos. Em 1892 é então nomeado Juiz de Paz efectivo. Após esse cargo se tornar electivo, demite-se do lugar de Vereador, sendo então oficialmente eleito por um período de oito anos, mantendo-se assim ligado à Câmara Municipal até ao seu falecimento, o qual ocorreu em 7 de Dezembro de 1900.
Mas a acção de José Pimentel não se limitou ao exercício de actividades profissionais e políticas. Distinguiu-se também no exercício de cargos de interesse social, geralmente não remunerados.
Em Agosto de 1880, aderiu à U.P.E.C. - União Portuguesa do Estado da Califórnia - sociedade de interesse social, cultural e recreativo que a comunidade portuguesa fundou
O seu primeiro Presidente foi o picoense António Fonte, natural da Praia do Galeão, freguesia de S. Mateus, concelho da Madalena do Pico, que lhe confiou a organização do 3.º Conselho levado a efeito
A seguir àquele picoense, José Pimentel foi eleito, em 1893, Presidente Supremo da U.P.E.C., tendo nela desenvolvido importantes empreendimentos, salientando-se a organização da Convenção que, em Outubro do ano seguinte, essa associação realizou em Watsonville, sob a sua presidência.
A U.P.E.C., durante a sua presidência, aumentou grandemente os seus associados, nela recebendo cerca de 202 membros e organizando o seu 15.º Conselho.
Os fundos activos da U.P.E.C., quando ele deixou a presidência, atingiam $7,826.81 e a instituição contava com 1.353 membros. Exerceu funções de Director entre 1887 e 1889 e entre 1895 e 1898, tendo sido Mestre de Cerimónias em 1890, e Vice-Presidente durante um período de dois anos, entre 1891 e 1892.
Foi também responsável por uma vasta legislação ou regulamentos implementados nos primórdios da existência daquela Instituição.
Interessa referir que, quando em 1984, estive na California, visitei a U.P.E.C.,
Após o falecimento do florentino José Pimentel, a revista americana “Hayward Review”, de 14 de Dezembro de 1990, dedicou-lhe um editorial intitulado “The life of José Pimentel” — “A Vida de José Pimentel” — onde dele se pode ler o seguinte: “... serviu para demonstrar onde é possível chegar através da determinação e da diplomacia. Nasceu humilde em terras longínquas e veio para o Estados Unidos, em busca de vida melhor. Sem instrução, procurou ultrapassar esta lacuna, tornando-se auto-didacta, aproveitando todo o tempo livre que a profissão de barbeiro em Boston lhe proporcionava para estudar, por forma a conseguir os conhecimentos que tanto desejava possuir. Intrínseco a esse homem, um espírito inquieto, digno daqueles que movem a humanidade para grande feitos. Líder nato, a sua palavra foi lei para muitos. Imbuído do espírito da conquista do Oeste, parte então à conquista do ouro e dirige-se para a Califórnia onde se tornaria parte integrante do Estado”.
José Pimentel era um “Freemason” — isto é, um mação, pertencente à Maçonaria americana — e foi membro da “Odd Fellows”, e da A.O.U.W. da “Alameda Encampment”, de Hayward, organização humanitária (talvez secreta) de grande prestígio que ali então existia.
Nessa instituição deve-se ter relacionado com altas figuras da vida política, económica e social americana, o mesmo acontecendo, certamente, nos diversos cargos políticos que exerceu.
Do seu casamento nasceram sete filhos, com os seguintes nomes: Will, Alfred O., Charles, Louis H., Ada, Edward, e John G. Dassell, que foi figura importante no Estado da Califórnia.
Não sabemos se na ilha das Flores existem ou não parentes deste ilustre florentino que, como acima referimos, nasceu no lugar da Ribeira dos Barqueiros, da vila de Santa Cruz.
BIBLIOGRAFIA: “Portuguese Immigrants - (The Centennial Story of the Portuguese Union of the State of Califórnia)”, pág. 157, de Carlos Almeida; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Florentinos que se Distinguiram”, 2004, p.