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02
janeiro

Florentinos que se distinguiram - FRANCISCO DE FREITAS SILVA (1906-1973) Funcionário do Fundo do Desemprego

Escrito por  José Trigueiros
Publicado em José Trigueiro

Nasceu a 13 de fevereiro de 1906, no lugar da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, filho de José Furtado Silva e de Maria de Freitas Silva, ele agricultor e ela doméstica.

Em 1918 fez o exame da 3.ª Classe da Instrução Primária, conjuntamente com vários outros fazendenses, sob a égide do Prof. Vila Lobos, conforme noticia o Jornal-Rádio, instruçãoessa que viria a ser concluída, em 1936, quando fez o exame da 4.ª classe, lado a lado com a filha Maria Alice de Freitas*. Durante a sua vida essa instrução foi enriquecida, com estudos e cursos que acabou por fazer para exercer com dignidade a sua vida profissional.

Casou no dia 26 de Julho de 1924, em primeiras núpcias, com Maria Inês de Freitas e no dia 11 de Novembro de 1933, em segundas núpcias, com Maria Vieira Gomes Silva, tendo nascido do primeiro casamento Maria Alice de Freitas* e do segundo Maria Isília de Freitas Silva, José Florentino Vieira de Freitas Silva, Maria Francisca de Vieira Freitas Silva* e Maria Vieira de Freitas Silva.

 Durante a sua juventude trabalhou de carpinteiro, tendo prestado serviço militar na ilha do Faial. Regressando à ilha voltou para a sua actividade de carpinteiro até que, já na década de 1940, ingressou como funcionário do Fundo do Desemprego. Para esse efeito veio à Horta frequentar um estágio e um concurso, tendo sido admitido com a categoria equivalente à de escriturário, cargo de que foi progressivamente subindo até à sua aposentação ou ao seu falecimento.

Entretanto, em meados da década de 1930, fez parte de um grupo de fazendenses que se deslocava diariamente à noite à freguesia da Lomba, onde frequentou as aulas de música do Maestro Coelho da Silva. Dotado de especiais qualidades para a música, aprendeu violino, bem como regência, tendo feito parte da primeira orquestra do grupo coral da igreja da Fazenda, grupo que sempre dirigiu com grande qualidade. Deste modo, quando em 1939 foi organizada a Filarmónica da freguesia ele era um dos 1.ºs clarinetes, para além de ter pertencido à sua comissão organizadora, embora sua avançada idade já não lhe tenha permitido um boa aprendizagem, como teria acontecido se tivesse ocorrido mais cedo.

Mas foi sobretudo no teatro que atuou com mais eficiência, representando, improvisando e encenando com grande arte invulgar, tendo feito diversos papéis com tanta qualidade como a de muitos profissionais da especialidade, diziam várias pessoas que o viram atuar. O seu melhor papel foi o de “compere” na revista “Ditos e Mexericos” da autoria de Manuel José Matoso, um lisboeta habituado às revistas, teatros e filmes que eram levados à cena no Parque Mayer, que, sobretudo apoiado nele, a encenou na Fazenda, em 1946/1947, percorrendo depois com ela as principais localidades da ilha.    

Era sério, atencioso e inteligente e estava sempre pronto a colaborar em atividades de natureza social, cultural ou desportiva que se organizavam na freguesia ou na ilha. Os seus conselhos e decisões transmitiam prudência, saber e experiência.

No desporto praticou a caça, geralmente com arma, quer aos pombos quer aos coelhos. Mas foi como dirigente que se distinguiu, tendo estado por várias vezes à frente de Direcções da equipa de futebol do Fazendense.

Na política, exerceu a Presidência da Comissão Concelhia da União Nacional, cargo que desempenhou com dignidade, durante vários anos, gratuitamente, a pedido do tio, Dr. António de Freitas Pimentel, que foi Governador Civil da Horta.

Caracterizava-se pela sua passada larga e firme, demonstrando um caracter sereno, quer na forma como educava os filhos, quer nas decisões que tinha de tomar. Revelando sempre grande honestidade, era também prestável e atencioso para todos os que com ele tinham de lidar. 

O seu falecimento ocorreu em 9 de novembro de 1973, na sequência de um acidente que teve no seu automóvel, Wolkswagen 1300, numa das curvas da estrada antes da freguesia da Caveira quando seguia para a vila de Santa Cruz.

 

BIBL: Filarmónicas das Flores, 1998, p.53, ed. da C. M. de Santa Cruz das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro; Futebol na Ilha das Flores, 1998, p. 76, ed. da C. M. de Lajes das Flores; Jornal-Rádio, de 18-8-1918; Trigueiro, José Arlindo Armas, Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso, (2008), pp. 219, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores. 

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