Na aprovação do Orçamento para 2015, o Congresso norte-americano proíbe a redução da estrutura militar da Base das Lajes até à divulgação do relatório que faz o estudo de avaliação técnica das bases americanas na Europa, documento já entregue ao Secretário da Defesa.
Notícias veiculadas pela comunicação social no mês de junho realçaram afirmações do novo comandante americano da Base das Lajes ao proclamar que esta continuava a ser de vital importância para o seu país, “para Portugal, para a NATO e para toda a segurança internacional e vai continuar a ser no futuro”. Na mesma altura, o novo embaixador, Robert Sherman, enfatizou que vai concentrar a sua atividade em questões económicas, nomeadamente nas trocas comerciais entre Portugal e os EUA, dando origem à criação de postos de trabalho. Neste contexto, os Açores “têm oportunidade” e “não há tempo a perder”. Será que esta iniciativa já proporcionou encontros bilaterais com o governo português com vista a definir estratégias e de que modo foram os Açores enquadrados nesses projetos?
As notícias que vão circulando mostram que o processo do lado americano não está parado, apesar dos avanços e recuos e do atraso em relação aos prazos definidos; todavia, nada se sabe quanto à atitude do Governo Português. O cidadão mais atento, e duma forma muito especial os açorianos, interrogam-se com toda a legitimidade se o Governo da República anda de braços cruzados ou se está acompanhando todo o processo e tem negociado contrapartidas.
Considerando que estamos numa fase extremamente decisiva, torna-se necessário o reforço da atuação política na defesa da manutenção da presença militar norte-americana na Base das Lajes, como afirmou o presidente do Governo Regional. Com estas notícias recentes, ficamos com a esperança de existir uma luz ao fundo da pista, mas, além de não serem definitivas, não resolvem os problemas que já estão criados e afetam a ilha Terceira.
No decurso da visita do primeiro-ministro aos Açores teve lugar um encontro com o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória que declarou à imprensa ter o primeiro-ministro assumido o compromisso de avaliar as medidas propostas pelo município praiense, a fim de atenuar o impacto da já ocorrida redução dos efetivos militares americanos na Base das Lajes. De igual modo, prometeu dar essa resposta, até ao final do corrente ano, para uma cooperação efetiva do Governo da República na implementação de um plano que contivesse medidas de apoio social e de qualificações que resolvessem alguns problemas do desemprego.
O primeiro-ministro recusou o Plano de Revitalização Económica apresentado pelo Governo Regional, tal como a maioria PSD-CDS/PP o havia reprovado na Assembleia da República, no âmbito da discussão dos orçamentos do Estado de 2013 e 2014. Contudo, deduz-se das afirmações do primeiro-ministro que o Governo da República tenha engendrado um plano alternativo para resolver os problemas sociais que o próprio reconheceu existirem. O prazo definido pelo primeiro-ministro está a expirar. Será que vale a pena deixar o sapatinho na chaminé?