Nasceu na Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 9 de Outubro de 1907, filha de Francisco Maria Gomes e de Maria Gomes Armas, ele agricultor e ela doméstica que eram pais de vários filhos.
Depois de fazer a Instrução Primária na sua terra natal, onde, com elevada quantidade de jovens, fez o exame da 4.ª classe em Agosto de 1918, sob a direcção da prof. Maria de Freitas Mendonça1. Face à sua privilegiada inteligência e à sua elevada classificação, numa altura em que eram poucas as meninas florentinas que seguiam outro ensinos, terá iniciado os seus estudos secundários na cidade da Horta, passando depois para o Liceu de Ponta Delgada onde, em 1929, concluiu o seu curso de professora com elevadíssima classificação. A esse respeito o jornal “As Flores” escreveu então sobre ela a seguinte notícia: “Depois de concluir com optimas classificações o seu curso para o magesterio primário na Escola Normal Primária de Ponta Delgada, S. Miguel, onde sempre se distinguiu, chegou no ultimo paquete a Exm.ª Sr.ª D. Maria do Ceu Gomes, prendada filha do Sr. Francisco Maria Gomes, da freguesia da Fazenda, concelho das Lajes”2.

Começou a sua carreira profissional pela freguesia da Caveira, onde, em 1930 esteve a lecionar 3. Em Outubro desse ano casou na vila das Lajes com o seu colega, Prof. Manuel da Silva Júnior, natural da ilha do Pico 4. No ano seguinte, o casal, para além de lecionar na vila das Lajes, desenvolveu importante actividade cultural e recreativa. O Prof. Manuel da Silva Júnior, ajudou a fundar e dirigiu, durante algum tempo, a “Filarmónica Nossa Senhora do Rosário”, de Lajes das Flores, participou e dirigiu o grupo coral da igreja e organizou actividades teatrais 5. Do casal nasceu, nas Lajes das Flores, a sua filha mais velha, Maria Manuela Gomes da Silva (já falecida), que também viria a ser professora, enquanto que nasceriam mais tarde, já no Pico ou no Faial, Maria Ester Gomes da Silva, professora, hoje a leccionar na Terceira, e José Mário Gomes da Silva, funcionário de Finanças, hoje aposentado.
Com era desejo do casal aproximar-se da Horta para melhor garantir os estudos e carreiras profissionais dos filhos, em 1933 começou por se transferir para S. Roque do Pico, onde ela lecionou em Santo António. Poucos anos depois fixaram residência na cidade da Horta, tendo ela passado pelas escolas da Grota, Flamengos, Angústias e Matriz, escola esta onde ensinava quando se aposentou, em data que não pudemos precisar, já na década de 1960. O marido, por ter adoecido aposentou-se muito cedo.
Mantinha, sobretudo durante os primeiros anos, uma boa ligação com a sua freguesia natal, ligação essa que foi esmorecendo com o decorrer dos anos, sobretudo com o desaparecimento progressivo dos pais e das pessoas do seu tempo e também com as muitas solicitações da vida moderna. A sua invulgar inteligência, que igualmente se transmitiu aos filhos, era evidenciada por diversas pessoas dela conhecedora, nomeadamente pelo seu colega faialense Prof. Fernando Sousa (“Barata”).
Era extremamente devota, tendo participado em muitas actividades religiosas e educado os filhos com extremoso amor e dedicação.
Viria a falecer, já viúva, em 18 de Maio de 1980, depois de uma vida de trabalho dedicada com entusiasmo e profissionalismo exemplar ao ensino da juventude das escolas primárias por onde passou.
Bibliografia: Trigueiro, José Arlindo Armas, “Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso”, (2008), pp. 269, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
1 Jornal-Rádio, de 18-8-1918.
2 Jornal “As Flores”, de 17-8-1929.
3 Jornal “As Flores”, de 2-8-1930.
4 Jornal “As Flores”, de 1-11-1930.
5 “Filarmónicas das Flores”, 1998, p. 37, ed. da C. M. de Santa Cruz das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro.