O casal Erika e Paulo Gonçalves enchem uma sala da Sociedade Amor da Pátria com as sonoridades características do bandoneon às quartas e sextas feiras. O instrumento tipicamente associado ao Tango argentino dá o mote para que os cincos pares que frequentam as suas aulas se possam agarrar e bailar durante uma hora e meia esta dança oriunda da América do Sul.
Os dois lisboetas entraram em contato com este e muitos outros estilos na preparação para o dia do seu casamento. Queriam acima de tudo deixar uma boa imagem na primeira dança enquanto casal, “para não chegarmos lá e parecermos robôs a dançar” confidenciou Paulo Gonçalves.
Já apaixonados pelo Tango, deslocaram-se para a ilha do Faial à pouco mais de um ano quando Paulo recebeu uma proposta de trabalho. Os dois professores que lhes ensinaram os passos e incutiram a paixão por esta dança de salão, Rui Barroso e Inês Gomes, aproveitaram a circunstância para lhes propor uma missão: “virmos para cá e tentarmos espalhar o que é o tango argentino” contou o instrutor.
Durante a conversa informal Paulo foi avançado aos poucos o porquê de ele e da Erika considerarem o tango tão atrativo. Entre os argumentos aponta “o poder de improvisação a cada passo” e o não se estar “preso a nenhuma estrutura rítmica” como dois dos principais fatores desse fascínio.
“Posso ouvir a mesma música três ou quatro vezes e irei dança-la sempre maneira diferente. Agora presto atenção ao piano, depois ao violino e depois ao bandoneon” explicou. Essa liberdade permite uma “infinidade de passos” e associando-a a durante a execução poder haver interrupções ou não, dançar-se mais lentamente ou mais rapidamente encontra-se mais um aspeto que leva ao entusiasmo destes por estes estilo nascido na Argentina.
Mas a principal razão passa por bastar um simples gesto, que fazemos regularmente, para se iniciar o baile: um abraço. “Se perguntar a qualquer bailarino que vá a milongas, os bailes de tango, vão dizer que a coisa mais importante é o abraço. Desde que o abraço seja bom a partir dai constrói-se uma dança, não há o bom dançarino ou o mau dançarino, há o adequar-se um ao outro” considerou o professor de tango.
Numa dança em que, à semelhança de muitas outras, o homem comanda e a mulher é a follower/a que é guiada, Paulo, enquanto homem, vê esse facto como sendo “muito engraçado” pois “ temos de ser nós a pensar em muita coisa”.
As aulas do par ErikayPaulo, nome artístico pelo qual gostam de ser conhecidos, decorrem na Sociedade Amor da Pátria às quartas feiras entre as 20h00 e as 21h30 e às sextas feiras entre as 20h30 e as 22h00. Mas o casal avisa de antemão que, “aquilo que se aprende na primeira dança dá para qualquer dança, tem muito a haver com a ligação ao par, e isso dá para todas as danças”, facto que não deve servir como desmotivação pois no seu entender “o tango é daquelas danças em que ao início parece que não se evolui quase nada, mas a partir do segundo, terceiro ano começa-se a evoluir”, constaram este dois lisboetas que vieram para o Faial com o objetivo de espalhar a mística do Tango.