A dupla faialense de ralis João Borges/Sandro Sousa, campeã em título da Taça de Ralis do Canal de 2011 e actual segundo classificada na taça de 2012, vai abandonar esta competição, bem como outras provas que sejam organizadas pelos clubes CAF, PAC e ou TAC.
A decisão surgiu depois de, no fim-de-semana passado, a dupla ter sido alegadamente prejudicada com um tempo que lhes foi averbado na PEC V do Rali de Verão que se realizou na Ilha do Pico e por não lhes ter sido permitido apresentar a reclamação.
Segundo o piloto, o tempo que lhe foi atribuído (06:29:1) não corresponde ao tempo real efectuado (aprox.4:41).
A dupla do Subaru Impreza contou ao Tribuna das Ilhas que “devido à chuva que se fazia sentir, quando terminámos a PEC V não nos foi averbada hora de chegada nas cartas de controle alegando o controlador que estava tudo molhado, ilegível e que não tinham comunicações. Foi nos dito pelo mesmo controlador que devíamos seguir sem o averbamento. O navegador, Sandro Laranjo pediu, na altura que o controlador rubricasse a folha, o que aconteceu e avançámos sem qualquer tipo de tempo averbado na carta.”
João Borges explica que sabem, qual o tempo que fez porque cronometra sempre os troços todos, para saber e estudar estratégias para o resto da prova, e adianta “temos noção de que por vezes esses tempos diferem dos tempos oficiais por décimas ou até às vezes 1 segundo, mas nunca por quase 2 minutos , como aconteceu neste caso”.
Entretanto, entendeu a organização, que somente os quatro primeiros concorrentes teriam tempos reais e os restantes fariam o resto do troço em ligação, ou seja, marcha normal, sem capacetes, porque o troço estava praticamente intransitável. A esses concorrentes ser-lhes-ia, conforme dita o regulamento, atribuído um tempo dos quatro pilotos que concluíram a PEC, neste caso o tempo atribuído foi o mesmo que atribuiram a João Borges e que era também o pior tempo de todos os que concluiram.
Quando chegou ao pódio João Borges recebeu indicações para aguardar porque subiria ao pódio em segundo lugar. “Daí a pouco vieram instruções contrárias no sentido de que passássemos todos no pódio, por ordem numérica e não de classificação e fossemos para o parque fechado. Assim fizemos”.
Foi ao chegar ao parque fechado que João Borges se deparou com os tempos afixados das PECs e viu que o seu tempo da PEC V não correspondia à verdade.
“Vimos que o nosso tempo, bem como o do José Paula, estava "empolado" em mais de um minuto. Mal constatámos isso dirigimo-nos à pessoa que assume o cargo de relação com concorrentes (RC), bem como ao director de prova, a alertar para o lapso e disponibilizamo-nos para colaborar naquilo que a organização considerasse necessário para repôr a "verdade desportiva" – esclarece.
“A organização, na pessoa da RC tranquilizou-me e disse que a situação iria ser averiguada e reposta a verdade. Entretanto, fomos-nos preparar para a entrega de prémios e, aí sim, nos demos conta da verdadeira dimensão deste erro: a classificação apontava-nos para a terceira posição e não para o segundo lugar” – adianta o piloto que refere ainda que “perante este facto, tentámos averiguar se tínhamos sido alvo de alguma penalização, o que não se verificou; o que aconteceu realmente foi que o dito tempo da PEC V não havia sido corrigido. Após esta breve conferência foi-nos comunicado pela RC após ter consultado o colégio e inclusivamente o observador da FPAK por volta das 20h45 que, se discordava do tempo atribuido, deveria proceder a uma reclamação oficial e apresentar um cheque caução no valor de 500€ conforme regulamento” - relata.
Reclamação feita e cheque passado, "no bar dos Bombeiros, pois não nos deixaram ir ao secretariado/sala de organização, e sempre sob o olhar atento da Srª Secretária de Prova”, conta. João Borges nunca conseguiu entregar o documento a quem de direito, uma vez que este, "o director de prova, me disse que não poderia receber a minha reclamação porque a Classificação Final Provisória já era resultado de uma reunião do colégio de comissários e que estes era soberanos nas suas decisões, pelo que, e apesar de a classificação ser provisória os tempos que dela constavam eram definitivos e, portanto não podia aceitar que a reclamação fosse entregue.”
Perante todo este desenrolar de acontecimentos, “nos corredores escuros” dos Bombeiro Voluntarios da Madalena João Borges diz que se sentiu desrespeitado e desprezado como concorrente por não ter sido sequer ouvido, bem como ter tido a possibilidade de entregar a reclamação que a própria organização o mandou fazer.
Instado a pronunciar-se sobre o que vai fazer a seguir, isto é, se vai fazer um apelo à Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, o piloto diz que quer mas ainda não sabe se o vai fazer, porque em causa está uma caução de 4000 euros e os constrangimentos financeiros actuais podem impedi-lo de reclamar à mais alta instância do automobilismo nacional.
Todavia, o piloto afirma que “na sequência destes acontecimentos, e porque bem poucas mais formas de protesto me restam, ou me são permitidas, vou-me retirar da competição "Taça de Ralis do Canal", pelo que e enquanto a situação actual se mantiver não irei participar em provas que sejam organizadas por qualquer um dos 3 clubes intervenientes neste resultado, (CAF/PAC/TAC) uma vez que se torna muito complicado quando este tipo de erros ocorrem, e não são devida e atempadamente corrigidos por quem de direito.”
Acresce que apesar de tudo está convicto de que se trata apenas de um erro, e de que não existe "má fé" por parte dos organizadores, não duvidando portanto que “o tempo que nos foi atribuído exista de facto num papel algures, o que não é, é o nosso tempo, nem é o que foi averbado aquando a passagem do nosso carro, pois esse tempo até agora a organização não o encontrou/procurou, nem divulgou.”
Em relação aos patrocinadores - Tintas Pigal Acorola, Venâncio Costa, MOTUL, TRW, A Parisiana, Grupo 18, GELPICO e Connect Designs - estão “solidários com esta minha decisão, pelo que consegui renegociar os contratos para que possa cumprir com as premissas inicialmente contratadas, mas noutros moldes e noutros sitios, evitando assim incumprimentos da minha parte”.
POSIÇÃO DO COLÉGIO DE COMISSÁRIOS
Tribuna das Ilhas contactou um dos elementos do colégio de comissários desta prova, Francisco Rosa, que, confrontado com esta situação nos disse que “de acordo com o regulamento os pilotos podem reclamar entre as 20h30 e as 21h00. Até a essa hora não obtivemos qualquer contacto para reclamação, logo não há nada a ter em consideração”.
Francisco Rosa disse ainda que o Colégio de Comissários tem “comprovativos dos tempos, há um papel do pronter que tem os tempos dos carros a passar, o que, no caso de apelo, será facultado à FPAK”.