Como se previa, a 25.ª edição da Atlantis Cup está a proporcionar uma interessante competição aos 38 veleiros que nela participam. Com duas etapas cumpridas, destaque para a derradeira perna, que sai sábado de Angra do Heroísmo com destino ao Faial. Na segunda etapa, entre São Miguel e a Terceira, os velejadores apanharam vento forte, pela proa, o que lhes dificultou a tarefa e provocou mesmo a desistência de alguns barcos. O XCape, de Luís Quintino, vencedor da última edição da Atlantis Cup, foi o mais rápido a cumprir esta etapa.
A 25.ª edição da Atlantis Cup – Regata da Autonomia largou de Santa Maria no passado domingo. Na largada, 38 embarcações, envolvendo cerca de 170 velejadores, para comemorar as bodas de prata desta mítica prova da vela regional. Tripulações vindas de diversas ilhas açorianas, do Continente, da Madeira, de distintas partes da Europa e dos Estados Unidos da América marcam presença nesta Atlantis Cup, realçando a dimensão internacional da regata.
Ao início da tarde de quarta-feira, os barcos participantes na prova largam para a segunda etapa, rumo à Terceira. As 92 milhas até chegar a Angra do Heroísmo foram marcadas por ventos fortes, que obrigaram mesmo alguns barcos a desistir da prova. Foram 17 os veleiros que regressaram a São Miguel, alguns com avarias e problemas a bordo.
O primeiro a cumprir o percurso até à Terceira foi o Xcape, que chegou a Angra ao início da manhã de quinta-feira. A tripulação enfrentou constantemente vento forte, que chegou aos 36 nós, pela proa, o que obrigou a velejar à bolina. O veleiro do skipper Luís Quintino teve de percorrer 142 milhas até chegar a Angra. Este resultado do barco faialense deixa antever uma disputa com o Açor, vencedor da primeira perna, na terceira etapa. O barco do terceirense João Leal também já concluiu a segunda etapa.
Até ao final desta manhã tinham chegado a Angra seis barcos. Para além do Xcape e do Açor, destaque para o Rift, de Carlos Moniz, primeiro da classe ORC 2 a chegar a Angra, que está a fazer uma Atlantis Cup “sem espinhas” e é muito provável que vença a regata na sua classe.
Também o Harfang Two, de Nuno Alexandre, que compete na classe ANC A, já está em Angra, ele que venceu a primeira etapa da prova na sua classe.
A largada para a terceira etapa, rumo ao Faial, está agendada para sábado.
Vereadora na autarquia faialense entre 2005 e 2009, altura em que CDU e PS geriram o município na sequência de um acordo pós-eleitoral, Maria do Céu Brito quer compensar o que entende ser o vazio na cultura e na ação social que caracterizou o mandato que agora termina e por isso lidera a candidatura da CDU à Câmara Municipal da Horta (CMH). A ela junta-se José Decq Mota, que também exerceu as funções de vereador no mandato 2005/09, desta feita como primeiro candidato à Assembleia Municipal (AM). Os candidatos foram apresentados ontem, na sede do partido, com José Decq Mota a deixar um aviso: a CDU não põe de parte um acordo pós eleitoral pois entende que o entendimento alcançado com o PS em 2005 foi benéfico para o concelho. No entanto, os comunistas dizem ter aprendido com a experiência na qual dizem, houve “falta de lealdade política” dos socialistas.
Líder regional do PCP durante quase três décadas, há alguns anos que Decq Mota estava alheado das lides políticas. Decidiu concorrer à AM por entender que, na atual conjuntura de crise, é necessário que neste órgão, que neste mandato contou com dois elementos da CDU, estejam “deputados municipais convictos da importância do poder local”. Para o candidato, a CDU é a alternativa à falta de ação socialista no município e também à coligação PSD/CDS/PPM: “é necessário retirar esta nossa ilha do buraco onde foi metida, quer pelos que dirigem de modo medíocre o município, quer pelos que, no plano governativo, querem enfraquecer e destruir o Poder Local”, disse.
O desaparecimento de eventos como “Faial Filmes Fest”, “Na Rota dos Bons Ventos” ou o prémio literário “Florêncio Terra” são, para Maria do Céu Brito, sinais da falta que a CDU fez no presente mandato autárquico.
A candidata propõe um novo modelo de desenvolvimento para o concelho, com a participação de todos e uma gestão descentralizada. A co-gestão das infra-estruturas e a valorização das identidades locais são outras das prioridades de Maria do Céu Brito que destacou algumas medidas a tomar na área social, como o desenvolvimento de programas de combate à pobreza e ao desemprego jovem e de promoção da igualdade.
A Conceição celebrou ontem, 30 de julho, o Dia da Freguesia, assinalando desta forma o seu 445.º aniversário.
Na Sessão Solene que decorreu na sede da Junta de Freguesia, coube a Francisco Garcia, que integra o elenco autárquico da Conceição, fazer o balanço da obra feita nos últimos tempos. Destacando a diversidade de instituições que a freguesia acolhe, Garcia enalteceu o papel das gentes da Conceição na preservação do seu património.
Desse património, destaque para o palacete do Pilar e para a Casa do Gaiato, com o autarca a garantir que a Junta de Freguesia vai reivindicar a sua recuperação.
Por outro lado, a recuperação dos moinhos e das ermidas, a criação do Centro de Dia e, mais recentemente, a nova cozinha comunitária foram obras que mereceram o destaque do autarca, que salientou também a dinâmica que o novo terminal de passageiros do porto da Horta está a trazer à Conceição. Francisco Garcia congratulou-se com os protocolos de delegação de competências assinados entre a Junta e a Câmara Municipal da Horta (CMH), fundamentais para a realização de várias intervenções na freguesia.
Também o vice-presidente da CMH destacou a importância destes protocolos para a vida do concelho. De acordo com José Leonardo Silva, neste mandato a autarquia investiu 210 mil euros na Conceição ao abrigo dos mesmos.
Destacando o “excelente relacionamento” entre a CMH e as instituições da Conceição, José Leonardo quis deixar uma homenagem a João Bettencourt, que este ano termina o seu terceiro mandato aos comandos da Junta de Freguesia, referindo-se ao autarca como “uma referência e um exemplo” e agradecendo o seu contributo não apenas para a vida da Conceição mas de todo o concelho.
Em representação do Governo Regional, o diretor regional dos Assuntos do Mar destacou a importância do poder autárquico e criticou a intenção, a nível nacional, de se reduzirem freguesias. Para Frederico Cardigos, um dos exemplos da importância dos autarcas de freguesia prende-se com a identificação de situações de carência ambiental às quais, pela proximidade com que exercem as suas funções, estão mais sensíveis. Nesse sentido, destacou a importância do programa Eco-Freguesias.
Sobre a freguesia aniversariante, Cardigos destacou o facto de ser “socialmente viva”. “A Conceição é uma freguesia dinâmica que olha pelos seus”, considerou.
Neste Dia da Freguesia foram homenageados o Império da Rua da Conceição, António Pacheco Alves e José Rodrigues Soares Machado.
Foi apresentada ontem a lista da coligação PSD/CDS/PPM à Câmara Municipal da Horta (CMH).
Sem surpresas, junta-se a Luís Garcia, como número dois da lista, Laurénio Tavares, que termina este ano o seu terceiro mandato na presidência da Junta de Freguesia da Matriz. Seguem-se Suzete Amaro, Rui Martins, Ana Luísa Machado Dias, Lubélia Neves Azevedo, Hugo Parente, Esmeralda Escobar, Rui Caldeira, Leónia Melo, Danny Alberto, Conceição Gomes, Anne Marie Mendes, Sérgio Gomes, Helena Sobreiro de Azevedo e Herlander Pacheco.
Com uma média de idades de 42 anos, sete independentes e nove candidatos com filiação partidária, a lista caracteriza-se, segundo Luís Garcia, pela abrangência e disponibilidade.
Para o candidato, 24 anos de gestão socialista na CMH “é tempo demais”. Garcia entende que essa gestão “perdeu capacidade de inovar” e careceu de ambição a estratégia de desenvolvimento: “não houve nem há linha de rumo”, considerou, apontando exemplos como “o sempre adiado saneamento básico, o abandonado mercado municipal, a desertificação e degradação da baixa citadina, o não aproveitamento do potencial da nossa marginal, aos problemas de trânsito e estacionamento e até aos planos de ordenamento desatualizados e inibidores do nosso desenvolvimento”.
Lembrando que estas eleições não servem para avaliar a ação dos governos da Região e da República, mas sim a gestão autárquica, Luís Garcia pediu aos faialenses “cartão vermelho” para o poder socialista no município.
Como alternativa, o candidato propõe suprir algumas das lacunas em termos de investimento mas, principalmente, “abrir uma nova e diferente fase no poder local”: “queremos ser agentes ativos do desenvolvimento económico e de criação de emprego no nosso concelho”, considera, destacando o incentivo ao setor privado como prioridade.
Em tempos de crise, os apoios sociais são, para Garcia, importantes: “pode ficar algum investimento por fazer mas não pode existir ninguém a passar fome no Faial”, entende, defendendo que a CMH deve ter um papel de articulação entre as entidades públicas e privadas envolvidas nas respostas sociais no concelho.
A aposta na qualificação dos faialenses, a revitalização da baixa citadina e do mercado municipal e a criação de “uma marginal digna de uma cidade cosmopolita a turística” são algumas das linhas de ação da coligação, que lembra aos faialenses que “quem é responsável pela doença não pode curar”.
O independente João Stattmiller, sociólogo de 40 anos, é a aposta do Bloco de Esquerda para a corrida à Câmara Municipal da Horta (CMH). A ele junta-se outra independente na candidatura à Assembleia Municipal: Sílvia Lino, 33 anos, licenciada em engenharia biotecnológica e doutoranda do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores. Os candidatos foram apresentados esta manhã, no miradouro do Monte Carneiro.
Sob o lema “De pessoas para pessoas”, esta candidatura é, apesar da chancela partidária do BE, independente, já que a maioria das pessoas que a integram não tem filiação partidária. À comunicação social, Stattmiller salientou a abertura do partido para acolher esta iniciativa. Quanto às razões que o movem, o candidato destaca a vontade de contribuir para a vida do concelho e, sobretudo, de motivar outros a fazer o mesmo: “sentimos que é preciso reforçar a democracia e a liberdade. Sentimos um certo medo por parte das pessoas; uma certa apatia e descrédito nos processos democráticos. É importante contrariar isso e motivar outras pessoas a fazê-lo”.
Funcionário das Nações Unidas durante vários anos, Stattmiller esteve mais de duas décadas longe do Faial, onde regressou recentemente. Entende por isso que pode trazer uma perspetiva diferente para a ilha.
Quanto à campanha, a candidatura do BE pretende ser diferente do habitual: “o Faial é uma terra cheia de potencial e coisas boas; cheia de gente com capacidade. Esta campanha será feita pela positiva, tentando evitar o habitual bota-abaixo e a crítica destrutiva. Queremos destacar as nossas forças e potencialidades. Não está tudo mal; há muita coisa bem e que faz sentido no Faial. Mas também há coisas que é preciso melhorar”, entende o candidato. Nesse sentido, os desafios passam por reforçar a sociedade civil e lutar contra os clientelismos partidários: “é preciso fazer uma divisão clara entre o Estado e a Administração Pública e os partidos. Temos de despartidarizar essas estruturas e dar espaço a pessoas que não façam parte de máquinas partidárias, para que também possam participar”, refere.
Sobre o longo período de governação socialista na Horta, Stattmiller entende que se nota “um desgaste”: “a democracia, para ser saudável e sã, deve permitir a alternância. Esta é necessária e não devemos ter medo dela, até para não acharmos que só há caminho de um lado. Há muitos caminhos possíveis”, considera.
Numa lista maioritariamente feminina, Dora Gomes surge como número dois na candidatura à CMH. O BE está, no entanto, igualmente focado na corrida à Assembleia Municipal, onde entende que um deputado eleito por esta candidatura pode fazer a diferença. Caso isso aconteça, o partido pretende que a sua representação na Assembleia Municipal se exerça de forma rotativa.
Facilitar a participação dos cidadãos na gestão do município, combater os clientelismos partidários, promover o emprego sustentável e construir uma visão estratégica de futuro para o Faial são algumas das propostas da candidatura bloquista.