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Hoje, 21 de Março, comemorou-se o Dia Mundial da Árvore e da Floresta. Para assinalar a data, a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) juntou os idosos utentes do Centro de Dia da Conceição aos jovens que frequentam as várias valências da associação e a algumas crianças da Escola da Vista Alegre em torno de uma missão comum: plantar árvores e arbustos junto daquele Centro de Dia, recentemente inaugurado.
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A recém-chegada Primavera deu uma ajuda à festa e trouxe de presente uma tarde de sol. Depois de uma cantiga a lembrar esta estação do ano, a cargo dos mais pequenos, foi tempo de arregaçar mangas e plantar dezenas de pequenas árvores.
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Esta iniciativa foi também uma forma de celebrar o Ano Europeu do Envelhecimento Activo, que se celebra em 2012.
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Esta iniciativa teve o apoio da Câmara Municipal da Horta e da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas.
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Ontem, domingo de Entrudo, as Freguesias dos Flamengos e Praia do Almoxarife promoveram os já tradicionais desfiles de Carnaval.
Na Praia do Almoxarife, a ameaça de chuva fez com que o desfile fosse transferido para a sede da Sociedade Filarmónica. Miúdos e graúdo exibiram as suas fantasias, algumas bem originais, e até o grupo de idosos da freguesia marcou presença.
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Fundada a 22 de Janeiro de 1912, a empresa Costa & Martins, Lda. surge como uma casa de atacado, para se dedicar às vendas por grosso. Com a ilha a ser tocada por navios com uma periodicidade muito mais alargada do que hoje, este ramo de actividade era de grande importância para os faialenses, e a empresa foi prosperando nessa área de negócio. Entretanto, com o passar do tempo e as alterações no mercado, foi procurando adaptar-se às mudanças através da diversificação das suas actividades. Em 2012, comemora o seu centenário, num cenário de grandes dificuldades para o sector empresarial. Para assinalar a efeméride, Tribuna das Ilhas conversou com Tomás Duarte e Francisco Rosa, actualmente responsáveis pela gestão da firma. As dificuldades do actual cenário económico, as especificidades do Faial no que à actividade comercial diz respeito e os desafios do futuro foram alguns dos temas em análise.

A empresa Costa & Martins surgiu no mercado faialense como uma sociedade por quotas do género familiar. Desaparecidos os dois fundadores que lhe deram o nome, continuou a funcionar na posse de outros sócios, que entretanto se juntaram ao projecto. Hoje, é gerida pela terceira geração, os netos desses sócios.
Quando ao Faial chegavam apenas dois vapores com periodicidade quinzenal, o negócio da venda por grosso era muito importante, pois garantia o abastecimento de bens necessários à subsistência da população. Esta era servida, em cada freguesia, por pequenos botequins e mercearias, que, com pouca capacidade de aprovisionamento, se serviam dos estabelecimentos de venda a grosso. Para além do Faial, Costa & Martins actuava nas ilhas do Pico, S. Jorge e Flores, que então dispunham apenas de estabelecimentos de venda a retalho.
Depois do terramoto de 1926, a empresa construiu o edifício que actualmente lhe serve de sede, na altura um moderno e amplo espaço que se destacava na cidade da Horta.
Em 1939, Costa & Martins, Lda parte para a diversificação da sua área de actividade, e funda duas novas empresas nas quais detinha posição maioritária: a Reis & Martins, Lda dedicada à caça à baleia, e a Sociedade Industrial Marítima Açoriana, dedicada à indústria transformadora, instalada no Porto Pim. Esta última foi a primeira fábrica do género a surgir nos Açores. As duas explorações findaram em 1975, na sequência das medidas de protecção das espécies em vias de extinção então implementadas.
Hoje, a empresa continua a representar nas ilhas do Faial e do Pico várias marcas nacionais e internacionais, como é o caso da Galp e da Cin, bem como de algumas marcas de ferramentas eléctricas e manuais e de reparação automóvel.
Em 2007, numa lógica de adaptação ao mercado, dedicou-se à informática, criando a marca Navig@te na Horta. Entretanto, criou também um espaço para comercialização de vinhos, licores e aguardentes.
Também em 2007, a empresa decidiu alargar a sua área de actividade ao transporte marítimo e ao agenciamento de navegação, com a aquisição da FaialTráfego – Transitários e Agentes de Navegação, Lda., bem como a TransHorta, Lda, especializada em transportes e serviços terrestres, ficando assim habilitada a novo desafios no mercado actual.
Hoje, no total das empresas onde detém participação maioritária, a Costa & Martins, lda emprega cerca de 50 funcionários, continuando a ser uma referência da economia faialense.
Olhar para o mercado
Para Tomás Duarte e Francisco Rosa, o segredo da longevidade da empresa de que são gerentes é o seu constante trabalho de adaptação às mudanças no mercado.
“Para explicar como Costa & Martins, Lda muda é preciso olhar para o mercado. Se continuássemos a ser só o que éramos há 100 anos éramos apenas grossistas. Mas o mercado foi-se desenvolvendo e nós fomo-nos adaptando. Antes, a periodicidade com que os navios chegavam ao porto da Horta era muito maior. Hoje em dia é diferente”, explica Tomás, justificando desta forma as várias áreas de actividade em que a empresa hoje actua.
Para o gerente, é essencial que, no actual cenário, a empresa vá concentrando energias nas áreas comerciais que lhe trazem mais-valias. Mas, como diz Francisco Rosa, o mercado é cada vez mais difícil para os empresários: “as margens são cada vez menores, os clientes têm cada vez menos poder de compra e, consequentemente, há menos procura. Além disso os mercados estão cada vez mais globalizados; há determinados produtos a que toda a gente tem acesso, independentemente de vir à Costa & Martins, Lda ou não, e se calhar a preços melhores. Então há que diversificar, perceber quais são os nichos de mercado rentáveis, e apostar num serviço de qualidade, em produtos de qualidade, no pós-venda…”, explica.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 20.01.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
Em Bruxelas, o eurodeputado Luís Paulo Alves falou ao Tribuna das Ilhas sobre as grandes questões que se debatem na Europa e afectam de forma especial os Açores. Pescas, agricultura e aproveitamento dos fundos estruturais foram alguns dos temas abordados, bem como a forma como o velho continente deve encarar a crise que está a deixar de rastos alguns dos estados-membros, como Portugal. Para o socialista, a solução para esta situação passa apenas por uma Europa unida.
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Quando o faialense Luís Paulo Alves chegou ao Parlamento Europeu, há três anos, a Europa já estava doente. Agora, todos os dias chegam notícias que provam que o modelo europeu está em dificuldades. Depois da Irlanda, da Grécia e de Portugal, as dificuldades da Itália – uma das economias mais influentes do velho continente – mostram que o grande desequilíbrio entre os Estados está a prejudicar a Europa.
Luís Paulo Alves reconhece a “falta de competitividade” do modelo europeu em relação aos Estados Unidos ou a economias emergentes como a China ou a Índia. Além disso, a volatilidade dos mercados e a falta de capacidade da Europa para a acompanhar agudiza as dificuldades. “Temos uma moeda única mas não temos tido condições para manter a união entre os países”, explica. Para o socialista essa união é, no entanto, fundamental, e enquanto a Europa não a encontrar estará “a correr atrás do tempo”.
A atrasar a solução, entende Luís Paulo Alves, estão as visões nacionalistas que começam a surgir, e que, na sua óptica, não fazem sentido: “a Europa não tem possibilidades de sobreviver sem união. Nem a duas velocidades, nem cada um por si. A única hipótese que nós temos é a de, em conjunto, encontrar uma saída que possibilite manter a posição europeia no século XXI”, defende.
Depois do Tratado de Lisboa ter fortalecido a potencialidade de união entre os estados membros ao conferir mais força ao Parlamento Europeu, surgem notícias de que a Alemanha de Merkel e a França de Sarkozy querem negociar com os países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) uma espécie de “Europa a duas velocidades”. No entanto, Luís Paulo Alves entende que no comboio europeu não é sensato deixar carruagens para trás. O eurodeputado lembra que, se no século XX a Europa partilhava com os EUA a preponderância no desenvolvimento económico mundial e nas relações internacionais, no século XXI e com apenas 8% da população mundial – cerca de 500 milhões de habitantes –, será impossível a uma Europa fragmentada competir com as economias emergentes. “Não é possível neste momento deixar ninguém para trás: quer do ponto de vista financeiro quer do ponto de vista estratégico, os países estão ligados. Não temos nenhuma solução de futuro se nos desagregarmos”, frisa.
Pescas
O sector das pescas é um dos mais caros à Região, e por isso merece especial atenção dos eurodeputados açorianos. Para Luís Paulo Alves, os Açores, com “muita água e pouco peixe”, têm, acima de tudo, de assegurar a sustentabilidade do sector. Os recursos são escassos, por isso deles devem usufruir primeiro as populações locais, e é precisamente a “articulação entre a sustentabilidade dos recursos e a sustentabilidade das pessoas que deles dependem” que deve preocupar os responsáveis políticos tanto na Região como na Europa.
Outro problema que se coloca aos pescadores açorianos é a disparidade entre os preços a que o pescado sai em lota e os preços a que ele chega ao consumidor final: “não só na pesca como noutros sectores primários, como a agricultura, existe uma má distribuição do valor gerado ao longo da cadeia alimentar. Isso advém de uma competição e de um abuso e desequilíbrio de posições nessa cadeia”, reconhece.
Para Alves, a Europa tem um papel a desempenhar na solução para este problema: “os poderes europeus podem legislar para que essas práticas abusivas deixem de poder ser executadas. Depois, podem reforçar o poder das associações de produtores, fortalecendo a sua organização e colocando-as numa situação de maior equilíbrio negocial; dando mais transparência aos termos de troca em cada fase da cadeia de valor”.
Agricultura
A agricultura detém cerca de 40% do Orçamento da União Europeia, e é um sector estruturante da economia açoriana. Luís Paulo Alves é membro suplente da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Sobre este sector, o eurodeputado entende que nos Açores é preciso trabalhar acima de tudo para substituir as importações, uma vez que a Região não possui dimensão suficiente para produzir com vista à exportação.
O sector dos lacticínios deve, para Alves, continuar a ser encarado como uma grande força açoriana: “produzimos 30% do produto a nível nacional, quando temos 2.5% da população do país”, frisa. Tendo isto em conta, a possível abolição do regime de quotas leiteiras é um dos temas quentes do debate europeu que interessam aos Açores.
Apesar do fim das quotas ser um cenário cada vez mais provável, Alves garante que ainda não chegou a hora de deitar a toalha ao chão.No entanto, do ponto de vista interno, lembra que é melhor prevenir do que remediar, e os Açores devem continuar a “fortalecer a capacidade de resiliência” das explorações leiteiras. Nesse sentido, a Europa deve continuar a apoiar os investimentos dos agricultores, e estes devem apostar cada vez mais no aumento das explorações, da produtividade dos seus animais e da sua própria formação.
Já do ponto de vista externo, o eurodeputado entende que o trabalho a fazer no Parlamento Europeu passa por insistir na necessidade de avaliar com mais atenção o impacto de decisões como a abolição das quotas nas Regiões Ultra Periféricas. Além disso, caso o regime seja efectivamente abolido, Alves defende a luta por outros mecanismos de regulação. Para o socialista, a crise na Europa prova que os mercados precisam de ser regulados, e o sector da alimentação em especial. O eurodeputado defende que, com ou sem regime de quotas, os Açores têm de ser compensados monetariamente pela distância a que se encontram do centro europeu. “Se os Açores se situassem no coração da União Europeia, junto aos mercados, não teríamos qualquer problema, dadas as nossas excelentes condições” no que à qualidade do produto diz respeito. Ora, “nos não estamos no centro dos mercados; estamos no centro do Oceano Atlântico, logo o nosso problema é a distância”.
Fundos Estruturais
Os fundos estruturais absorvem cerca de 40% do Orçamento da União Europeia. Enquanto membro permanente da Comissão de Desenvolvimento Regional, Luís Paulo Alves dedica especial atenção a esta questão em particular. Sobre os Açores, o eurodeputado congratula-se com o aproveitamento que a Região faz destes apoios europeus, e assegura que tem escutado vários elogios em Bruxelas pela capacidade de utilização destes fundos da parte dos açorianos.
“No caso da agricultura, temos a utilização de fundos do POSEI e do PRORURAL em níveis excelentes que contrastam com muitas regiões da União Europeia”, explica, acrescentando que a prova de que a Região tem feito um bom uso dos dinheiros comunitários é a convergência do PIB açoriano para a média europeia: “em 1995 tínhamos 59% da média europeia de PIB e hoje temos 77%. Apesar de sermos uma Região Ultra Periférica temos vindo a crescer mais que a média europeia o que significa que temos feito boa utilização dos fundos e boas escolhas políticas na sua canalização”, diz.
Na passada semana, uma comitiva de 23 elementos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Faial (AHBVF) esteve em Bruxelas a convite do eurodeputado Luís Paulo Alves. Uma passagem pelo Parlamento Europeu, onde ficaram a saber mais sobre o funcionamento das instituições europeias e sobre as políticas da União Europeia que mais influenciam os Açores, bem como uma visita ao quartel dos bombeiros de Bruxelas, marcaram esta viagem. Para o anfitrião, esta foi a melhor forma possível de assinalar o Ano Europeu do Voluntariado, que se celebra em 2011.
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A noite fria de Bruxelas, o avançado da hora e o cansaço da viagem desde a Horta convidam os bombeiros faialenses a descansar no quarto após a chegada à Bélgica, a convite do eurodeputado açoriano Luís Paulo Alves. No entanto, já madrugada, os soldados da paz, fardados, aguardam à porta do hotel. Ninguém vai dormir sem antes receber o anfitrião, que também faz questão de dar as boas vindas aos seus convidados. Em Bruxelas há cerca de dois anos, o faialense ainda não conhece bem a cidade - à excepção do Parlamento Europeu, onde passa os seus dias -, e demora um pouco mais a encontrar o hotel. Ao chegar, não esconde a surpresa e a comoção ao encontrar os seus conterrâneos fardados à sua espera. As palavras custam a sair, enquanto cumprimenta os bombeiros um por um.
No dia seguinte, durante um encontro com os bombeiros faialenses no Parlamento Europeu, Luís Paulo Alves confessa aos seus convidados que se emocionou com a recepção. “E uma enorme alegria, honra e orgulho para mim recebê-los aqui”, refere. Alguns deles são conhecidos do eurodeputado, que em criança cresceu junto do quartel dos bombeiros. Neste Ano Europeu do Voluntariado, prestes a terminar, o faialense quis prestar homenagem aos homens que, ao toque da sirene, largavam tudo e corriam até ao quartel para ajudar quem quer que precisasse do seu auxílio. Num discurso emocionado, Luís Paulo Alves recordou alguns fogos memoráveis no Faial nos tempos da sua infância, e alguns soldados da paz com quem convivia, e que via frequentemente em correrias desalmadas pelas ruas da cidade: “sempre vos vi correr o mais depressa possível para ajudar os outros”, refere.
Aos jornalistas, o eurodeputado confessa que a imagem mais forte de voluntariado é, para si, a dos bombeiros, por isso quis trazer até Bruxelas os soldados da paz faialenses. Tratou-se de uma forma de celebrar o Ano Europeu do Voluntariado e, simultaneamente, homenagear os homens que dão tanto de si a troco de nada. “Os bombeiros merecem neste Ano Europeu do Voluntariado uma distinção pelo trabalho que fazem, colocando a segurança das pessoas e dos seus bens em primeiro lugar face à sua própria segurança, e nos dias que correm, onde o individualismo é tão grande, haver um conjunto de pessoas que faz isso, e que o fez ao longo de cem anos, como é o caso dos bombeiros do Faial, é fantástico”. “Não vi melhor forma de fazer essa homenagem a todos os bombeiros da Europa do que através da AHBVF”, referiu.
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No final do encontro com Luís Paulo Alves, a AHBVF agradeceu o convite, e aproveitou para retribuí-lo, convidado o eurodeputado a integrar a Comissão de Honra do Centenário daquela associação, que se celebra a 16 de Maio do próximo ano, convite a que o faialense acedeu de imediato.
Bombeiros faialenses visitam quartel em Bruxelas
Para os faialenses, a visita aos bombeiros de Bruxelas, na manhã de quinta-feira, foi o ponto alto da viagem. Com um efectivo de cerca de 1000 bombeiros, apoiados por 200 funcionários civis, a corporação belga é profissional e assiste uma população de cerca de 1,4 milhões de pessoas, numa área bastante reduzida – 176 quilómetros quadrados -, mas com uma densidade populacional muito elevada. Trata-se de uma realidade bem diferente da que vive diariamente a AHBVF.
Os bombeiros faialenses visitaram o maior serviço de luta contra incêndios da Bélgica, e puderam ver de perto infra-estruturas e equipamentos considerados dos mais avançados da Europa Ocidental. Na qualidade de cidade sede do Parlamento Europeu, Bruxelas dá especial relevo às questões da segurança, e por essa razão os bombeiros da cidade contam com equipamento bastante avançado, de fabrico alemão, como explicaram os guias da visita, dois bombeiros da corporação chefiada pelo coronel Charles Schneider.
Os bombeiros sapadores de Bruxelas contam com um serviço de incêndios com 200 veículos, com a particularidade destes serem adaptados, conservados e reparados por mecânicos do próprio quartel. Contam também com equipas cinotécnicas, equipas de mergulhadores, entre outras.
Apesar das grandes diferenças entre os bombeiros faialenses e os belgas, foi possível também encontrar algumas afinidades. Os soldados da paz do Faial encontraram alguns equipamentos semelhantes àqueles que utilizam na Horta, apesar de muito mais avançados, e ficaram a saber que, à semelhança do que acontece na ilha, também no grande quartel belga a maior parte dos serviços está relacionada com o transporte em ambulância.
Os bombeiros faialenses tiveram ainda a oportunidade de assistir a um dos exercícios que incluem o treino dos novos bombeiros no quartel belga e viram também um vídeo sobre a rotina dos soldados da paz de Bruxelas.
O agradecimento aos bombeiros belgas pela recepção esteve a cargo de Hélio Pamplona. O presidente da AHBVF deu a conhecer os bombeiros faialenses, lembrando, entre outras coisas, o trabalho por estes desenvolvido na articulação das quatro ilhas servidas pelo Hospital da Horta, e também o facto desta associação contar com elementos que já participaram em missões internacionais.
Após a visita guiada e a visualização do filme, os bombeiros faialenses puderam saber mais sobre a abordagem europeia às questões da protecção civil, graças a uma palestra proferida pelo Intendente Paulo de Almeida Pereira, representante de Portugal junto da União Europeia para a cooperação policial, protecção civil e aspectos civis na gestão de crises.
De acordo com Luís Paulo Alves, que acompanhou a visita ao quartel, a intervenção das instâncias europeias nas questões da protecção civil é cada vez mais importante, e por isso o eurodeputado quis que os bombeiros deixassem Bruxelas mais informados sobre o funcionamento da cooperação na União Europeia no que a estas questões diz respeito.
Paulo Pereira falou das competências do Parlamento, da Comissão e do Conselho Europeu no âmbito da protecção civil, e explicou como funcionam os mecanismos da União Europeia para resposta a catástrofes. De acordo com o Intendente, os mecanismos europeus mais visíveis nessa área são um centro de acompanhamento e um centro de monitorização. Estes são accionados quando um estado-membro enfrenta uma catástrofe natural e pede ajuda. Aí, os países com disponibilidade de fornecer os recursos de que o país afectado necessita oferecem a sua colaboração. Esta colaboração extravasa as fronteiras da Europa. Portugal, por exemplo, já colaborou no rescaldo de catástrofes como o tsunami asiático ou o sismo no Haiti.
Actualmente, discutem-se algumas formas de melhorar os mecanismos europeus de actuação no âmbito da protecção civil, não apenas em caso de catástrofes mas também de ajuda humanitária. Os apoios psico-sociais tanto às vítimas como aos agentes que intervêm, o reforço da segurança nuclear e a abordagem à forma de comunicar com o público durante situações de catástrofe são algumas arestas que, segundo Paulo Pereira, estão neste momento a ser limadas.
Outra das grandes preocupações da União Europeia é a criação de uma resposta mais abrangente em caso de catástrofe, não apenas humanitária mas também ao nível dos recursos militares e da garantia da segurança das populações. As instâncias europeias tentam também que tudo esteja coordenado de forma a que o apoio às populações possa ser accionado o mais rapidamente possível. No caso do sismo do Haiti, em 2010, passadas apenas 14 horas do sucedido, chegaram ao local equipas belgas e luxemburguesas para auxiliar os sinistrados. O Intendente chamou a atenção dos soldados da paz faialenses para o trabalho feito pela União Europeia em prol desta resposta rápida, trabalho esse que “no terreno não é perceptível”. Esta resposta, salienta, só é no entanto possível com “o valor e a dedicação” das pessoas que, como os bombeiros do Faial, trabalham para garantir o apoio às populações.
Por sua vez, Luís Paulo Alves lembrou que os Açores, pelas suas características físicas, necessitam de forma especial de uma protecção civil eficaz. As ilhas, localizadas na Crista Média Atlântica, são uma região sísmica, e caracterizam-se pela enorme distância que as separa do continente europeu, que lhes confere um isolamento que pode dificultar a chegada de apoio em caso de catástrofe.
Ponte entre os Açores e o centro da Europa
Para Luís Paulo Alves, o intercâmbio entre a Região e Bruxelas, coração do Parlamento Europeu, é muito importante, especialmente pelo facto dos Açores serem uma região ultraperiférica em relação à Europa. Nesse sentido, entende que os eurodeputados açorianos têm um papel primordial na ligação da Região ao velho continente: “o meu papel é aproximar os cidadãos da Europa”, explica, lembrando que por diversas vezes tem levado comitivas da Região a Bruxelas.
“Os europeus que vivem nos Açores estão mais distantes os que vivem em Bruxelas, Paris ou Londres”, e, nesse aspecto, a ponte entre as duas realidades deve ser feita “com maior intensidade”. “Isso obriga-nos a andar muitas vezes para cá e para lá, não só trazendo cá pessoas mas também levando pessoas da Comissão Europeia e de outras regiões da Europa aos Açores, para que conheçam as nossas realidades e para que na Região se possam debater alguns dos assuntos que são aqui debatidos”, explica.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 18.11.2011 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário