Sofia Ribeiro, eurodeputada, participou na Conferência "TTIP: diálogo entre parceiros", que decorreu no Centro Cultural de Belém, numa iniciativa promovida pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia em Portugal.
A eurodeputada considerou "muito interessante, numa lógica de transparência deste importante acordo comercial, cujos interesses nacionais e regionais têm de ser acautelados. É importante que todos saibamos bem o que acontecerá caso se confirme este acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos".
A representante de Portugal no Parlamento Europeu interveio no Debate I - Agricultura e indústrias agro-alimentares onde afirmou que "com toda a cautela que os acordos desta dimensão devem ter, a perspectiva é que este é um acordo muito importante para a Europa, uma vez que representa um novo parceiro comercial e um novo e enorme mercado de exportação, tendo em conta que a leste perdemos o mercado russo, especialmente para o sector agro-alimentar" acrescentando que "para Portugal, importa acompanhar de perto estas negociações e estar muito atento às questões das barreiras não tarifárias, pois muitas vezes é este o problema com a exportação dos nossos produtos para os EUA."
Sofia Ribeiro entende que "há que ter cuidados redobrados em sectores como o dos produtos lácteos, fazendo valer as nossas certificações de qualidade europeia "Indicação Geográfica" e "Denominação de Origem Protegida" e apostando fortemente na promoção destes junto do mercado americano. Só assim, diferenciando-nos pela qualidade, é que poderemos ter algum sucesso e aproveitamento de um acordo com esta dimensão, para mais numa Região como a nossa, os Açores, que como sabemos, não pode competir pela quantidade, mas apenas e só pela qualidade" disse a Eurodeputada.
Sofia Ribeiro afirmou ainda que "há outra área que poderá ser aproveitada com este acordo, nomeadamente ao nível energético e de sustentabilidade das nossas explorações, pois passaremos a ter acesso a matérias-primas que poderão fazer diminuir os nossos custos de produção no sector agrícola", ao que acrescentou que "importa continuar o processo de reforço das Organizações de Produtores, para que estes consigam coordenar todo o processo de produção, imprimir qualidade ao seu leite, influenciar a formação de preço e participar igualmente na cadeia comercial. Dada a enorme Diáspora com que os Açores contam nos EUA, julgo ser da maior importância aproveitar estes nossos representantes, por exemplo as Casas dos Açores e outras, para a promoção e colocação dos nossos produtos lácteos. Mas este trabalho tem de começar a ser feito já" finalizou.