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13
abril

Daniel Macedo Pinto veio, viu e plantou sementes

Escrito por  AG
Publicado em Entrevistas
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Daniel Pinto foi o escolhido para formador no Workshop/Laboratório de teatro que decorreu na cidade da Horta entre os dias 9 e 14 de março. A iniciativa do Teatro de Giz, que contou com a parceria da Câmara Municipal da Horta, o jornal Fazendo e a UrbHorta, permitiu a 16 faialenses viverem o teatro de uma perspetiva diferente do que se têm por normal ou do espetável à partida.
Tribuna das Ilhas sentou-se à mesa com o alfacinha-portuense para conhecer e saber como surgiu a oportunidade de se deslocar à ilha azul , e de que se tratou este laboratório, que insistentemente apelidou de masterclass.
 
Quem é  Daniel Pinto?
O Daniel Pinto é um ator do Porto, nascido em Lisboa. Tenho 38 anos mas já estou no Porto há 25 anos, ou estava -  estou na eminência de ir para Sintra viver.
Tenho trabalhado maioritariamente em teatro com vários criadores. Sou ator freelancer, ou seja não estou ligado a nenhuma companhia. Já fiz mais de 60 peças e tenho tido a sorte de trabalhar com criadores como o Jorge Silva Melo, o António Capelo, o Nuno Cardoso, o Nuno Carinhas ou o Kuniaki Ida.
 
O teatro apareceu na sua vida de que forma?
Comecei no 9.º ano a gozar com o professor de Português, mas nunca pensei fazer teatro, aconteceu apenas. Segui Antropologia e trabalhava em bares no Porto. Um dia estava a passear pelo Porto e vi um prospeto da Academia Contemporânea de Espetáculo, isto em 1995.
Na formação havia Tai Chi, Esgrima, Combate de cena, Circo, Dança contemporânea, Improvisação, e pensei  “Oh, isto é muito fixe, enquanto não me decido, já que eles pagam bolsa vamos aproveitar”. E com toda a dignidade ou falta dela que digo isto, entrei mesmo à Tom Sawyer.
 Passado meio ano, inconscientemente, já estava com o meu caminho trilhado.
 
É correto considera-lo encenador? 
Não sou encenador. Gosto de dizer que sou um ator técnico profissional, porque é essa  a minha valência.  O que tenho vindo a gostar de fazer é direção de atores ou preparação.  Mas neste caso é mesmo uma paixão entre ser ator, perceber a distância que, às vezes, o teatro está da comunidade. 
 
Como surgiu a oportunidade de vir ao Faial?
Quando o Teatro de Giz contatou alguns criadores para virem cá para fazerem um trabalho de laboratório, ou uma possível produção, falaram com o Gonçalo Amorim, que agora, além de diretor artístico do Teatro Experimental do Porto, é também diretor do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica do Porto e que não podia vir como está com série de trabalhos. Então o Gonçalo indicou-lhes o meu nome. Recebi o contato do Pedro Afonso, do Teatro de Giz, a convidar-me e imediatamente disse “vamos lá, vamos ao desafio!”.
 
Em que consistiu este workshop?
Começou por ser apenas uma espécie de experiência pós laboral, três horas  diárias durante cinco dias. O que é que uma pessoa pode fazer em tão pouco tempo? Algumas noções, mas mais do que isso sementes, ideias, discussão sobre as bases da construção, sem baixar a fasquia.
Chego como profissional e passo o processo de construção e análise de texto para se poder fazer a passagem para algum mais performático, e  digo performático porque não é minha intenção de repente encarar o Teatro de Giz como profissionalizante: são amadores e é bom que se trabalhe na humanidade dos amadores...
Estou muito grato ao Teatro de Giz. Tem um grupo extremamente interessante, com vontade de ficar com estas provocações, são amadores com toda a dignidade de o serem, e por isso mesmo devem ser inspirados da melhor forma. 
Não querendo baixar a fasquia vim para passar dois processos de análise de um texto. Não é aquela ideia à partida que estamos aqui todos a fazer cambalhotas, não há esse sentido de ginasticalidade do corpo.
Sinto que há muita vontade de fazer coisas por cá. Eu trago sempre as minhas próprias paixões e preocupações, sendo isto mais uma masterclass que outra coisa, o tempo é pouco, é toda uma sequência  de exemplos. Trabalho de mesa, análise dramatúrgica de cada texto, o que é que cada texto factualmente que possamos usar para depois transformarmos em corpo, em carne... dar emocionalidade ao texto. E através da leitura consegue-se já fazer essa ponte.
Peter Brook  diz: “Um espaço vazio. Uma pessoa atravessa o espaço, de um lado para o outro. Começa o teatro”. É observação. 
Depois surge o texto, a escuta também é um bom exercício, são esses exercícios aparentemente primários mas cujo conteúdo já é tão forte e foram analisado e debatidos , o debate a discussão de grupo, para antes afinar-mos agulhas e depois sim começarmos a experimentar, já sabendo bem o que estamos à procura. 
É esse principio de comunicação que quero que eles experimentem, não vamos criar espetáculo, são leituras, papéis na mão por todo o lado. São leituras que tem a ver com determinadas linhas de pensamento da vida, a linha da morte e da guerra, a linha da doença, como é que os hospitais desumanizam a pessoa, relatos de escritores, pensadores, filósofos e médicos a falar sobre o que é estar na pele da doença e o que fazer para manter essa emocionalidade. Processos de cura, como é que o teatro revitalizou, é conflito mas um conflito para que possamos sair mais escudados dos nossos próximos conflitos internos.
Para mim o texto é uma das grandes inspirações para a comunicação, para a necessidade de criar um espetáculo. Garantir que esse tempo é um tempo de escuta e de imaginação.
 
Do ponto de vista profissional, sente-se inspirado por quem? 
Vou corromper a questão. Para mim até esta espécie de laboratório versão masterclass, é uma inspiração. Mas trago bagagem de coisas inspiradas por mestres e encenadores. Obviamente que tenho fascínios. 
Trago comigo as experiências que tive com o Nuno Cardoso e com o Anatoly Praudin. O Anatoly é um criador/encenador de Leste que esteve no Banco. Fui convidado para fazer parte de um grupo de pessoas para fazerem pesquisa com ele, espécie de seminário e trabalhar um texto original contemporâneo de Miguel Jesus sobre o mito de Pedro e Inês. Absolutamente incontornável.
Quanto a rapidez com que podes concretizar os dipositivos, é a Joana Craveiro e o Teatro do Vestido. Nas atrizes a Maria de Céu Ribeiro da companhia de teatro As Boas Raparigas Vão Para O Céu, As Más Vão Para Todo O Lado, sem qualquer dúvida. É uma grande atriz de teatro deste tempo em Portugal.
Atores da minha geração.. O João Grosso, continua a ser um ator fantástico de ver. Ao mesmo tempo há uma série de criadores, atores novos que para mim me inspiram, como o Tiago Rodrigues ou o Gonçalo Waddington.
 
Em que papéis se sente mais confortável?
Eu dou o peito às balas. Gosto de sair da zona de conforto, acho que foi sempre esse o meu percurso. Fiz algumas novelas porque na altura servia bem, era jovem, mas gosto mesmo é de fazer teatro.
O ator trabalha para o coletivo, a minha pessoalidade, é outra coisa. Como ator gosto, acho um clown a minha carreira toda, o palhaço britânico, que abandonou o circo e quer ser ator mas não sabe como. 
Tenho um espetáculo, o Tributo a Buster Keaton, só físico: subir escadotes, cair, bater, trambolhões que dás na vida. Já parti dedos, abri a cabeça. Esse é o meu trabalho de paixão.
Adoro fazer grandes produções. Já fiz personagens bastante fora do nuclear, também trabalho com criadores para os quais não há protagonistas. Os pequenos papéis às vezes são tão mais importantes do que os grandes, porque num pequeno momento tens de ser altamente emocional, as vezes são coisas que alteram completamente determinada peça, é-se um elemento de uma estrutura.
Gosto de vilões, adoro vilões. Mas como é que foges à tipificação? Há muito o typecasting, a tua natureza é esta, tu serás este. Eu sempre quis fugir àquilo que as pessoas acharam que era o típico ou o que eu deveria fazer.
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