De acordo com o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcâ-nica dos Açores (CIVISA) e a proteção civil açoriana foram registados, desde 19 de abril, mais de 500 sismos na ilha do Faial.
Num comunicado divulgado pelo Serviço Regional de Bombeiros e Proteção Civil dos Açores, as duas entidades revelam que seis desses sismos foram sentidos pela população do Faial e, alguns deles, de maior intensidade, também em São Jorge e no Pico.
“Desde o dia 1 de maio que a atividade sísmica se apresenta persistente com alguns breves episódios de aumento da frequência horária de eventos, não mostrando alterações significativas”, lê-se no comunicado.
O mesmo texto explica que “sob o ponto de vista geológico”, a zona onde estão a registar-se estes sismos (entre 27 e 46 quilómetros a oeste-noroeste do Faial), “situa-se próxima do extremo noroeste da fronteira de placas, entre a placa eurasiática e a placa africana (Núbia)”.
Entretanto, sobretudo nas redes sociais, a população tem se manifestado preocupada e apreensiva em relação a esta situação.
Tribu
na das Ilhas foi tentar perceber o que se está a passar. Victor Hugo Forjaz, em declarações ao Correio da Manhã, disse que “habitualmente temos 4 ou 5 eventos sísmicos por dia e agora tem havido 60. Não é normal, mas também não é prenúncio de um fenómeno mais grave. Resulta da fricção entre falhas da crosta terrestre que se movimentam”.
Victor Hugo adianta ainda que “não há aqui nada de natureza vulcânica. E como coincide com o sismo no Nepal e com a reativação de vulcões na América do Sul, as pessoas assustam-se, mas não existe qualquer relação. A experiência anterior indica que dentro de 8 a 15 dias volte ao normal”.
“É a tal evolução natural da abertura do Atlântico. O fundo do mar Atlântico não é um mar morto, é um mar que está em contínua expansão" – explica.
Recorde-se que a última erupção marítima nos Açores aconteceu em 1998, ano em que as ilhas, especialmente as do triângulo Pico, Faial e São Jorge, foram afetadas por um valente sismo de magnitude 5.6 na escala de Richter e que, para além da destruição, tirou a vida ainda a seis pessoas. Assim sendo, o cientista Victor Hugo Forjaz afirma que o que está neste momento a acontecer “é semelhante a uma outra crise registada em 1993-94, na mesma zona”.
Leia a reportagem completa na Edição Impressa do Tribuna das Ilhas de 15 de maio de 2015