A Deputada do CDS-PP Açores Ana Espínola insistiu, esta quarta-feira, na necessidade da Região “adquirir um avião mini cargueiro para facilitar a exportação e a circulação interna dos bons produtos açorianos”, afirmando que este avião “ao pé da proposta de compra dos novos navios, custa 50 vezes menos e é 50 vezes mais eficaz”.
Numa Declaração Política sobre a política de transporte de carga nos Açores, no Parlamento dos Açores, Ana Espínola frisou que “o que nós precisamos é de um meio de transporte rápido, eficiente e barato e, sobretudo, dimensionado à escala das trocas comerciais nos Açores”, apresentando contas feitas: “Se quiserem comprar o avião novo, custa cerca de 1 milhão de dólares; se quiserem comprá-lo com a idade dos DASH Q 200 da SATA, custa cerca de 200 mil dólares; o preço por quilo de carga transportada varia entre 30 a 40 cêntimos; e, se devidamente articulados os horários dos transportes aéreos, consegue-se escoar para o exterior os produtos da pesca, da agricultura, da floricultura, do artesanato ou outro tipo de carga no mesmo dia”.
“Ao longo de vários anos, desde 2007 precisamente, o CDS-PP propôs, nesta Assembleia, que a Região adquirisse um avião mini cargueiro. Oito anos volvidos continuamos a entender que é uma aposta racional, eficiente e barata. Este avião mini cargueiro, ao pé da proposta de compra dos novos navios, custa 50 vezes menos e é 50 vezes mais eficaz. Porque nós não produzimos milhões de quilos de iogurte, nem milhões de toneladas de queijo, nem capturamos milhares de toneladas de peixe, todos os dias”, disse.
“Em 2011, depois de vários anos de insistência do CDS-PP, a maioria socialista aprovou uma proposta no sentido de realizar um estudo de viabilidade económico-financeira que justificasse a aquisição do avião mini cargueiro. Já passaram quatro anos e ninguém conhece o resultado de tal estudo, se é que ele chegou a ser realizado”, desafiou a Deputada popular eleita pela ilha de São Jorge.
Mas sobre os resultados do estudo os democratas-cristãos não ouviram qualquer resposta do Governo ou da maioria, apesar de ambos terem reconhecido a preocupação manifestada por Ana Espínola.
A Deputada do CDS-PP acentuou a descontinuidade territorial da Região para justificar “a importância acrescida” da rede regional de transportes para a economia das ilhas, “seja por via dos bens que cada uma tem que receber de fora, como na capacidade de exportação dos nossos produtos”, manifestando estranheza que “hoje em dia deparamo-nos com problemas que não são compagináveis com os índices de desenvolvimento que se almejam”.
Concretamente, disse, “continuamos a ouvir os produtores e os empresários a queixarem-se, com muita frequência, da falta de capacidade de carga da SATA ou a assistir a limitações de operação em diferentes portos da Região. Entretanto, aguarda-se com expectativa elevada a conclusão do concurso público internacional, para a entrada em vigor, a 1 de Julho próximo, das novas obrigações de serviço público de transporte aéreo de carga e correio, resultantes da liberalização do espaço aéreo da Terceira e de São Miguel. Para já, os representantes institucionais dos comerciantes de pescado e dos empresários vão optando por transferir o escoamento dos seus produtos da via aérea para a via marítima, com todas as consequências daí resultantes para o lucro ou mais-valias, respetivamente nos casos de produtos frescos e/ou perecíveis”.