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28
maio

Marta Baeta apresenta projeto "From Kibera With Love" aos alunos da CISA - Da Kibera com amor, ou como se pode mudar o mundo, um bocadinho de cada vez

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Local
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Com apenas 25 anos, Marta decidiu deixar o conforto da sua vida e partir para África, para fazer voluntariado no Quénia, um dos países mais pobres daquele continente. Em Kibera, uma comunidade queniana considerada o maior bairro de lata do mundo, onde vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas em condições desumanas, Marta apaixonou-se por um grupo de crianças, que decidiu ajudar com todas as suas forças. Assim, pôs em marcha o projeto "From Kibera with love", para tentar melhorar a vida das crianças daquela comunidade. A ajuda de todos é bem vinda e, nessa lógica, Marta esteve no Faial a apresentar o projeto na Casa de Infância de Santo António (CISA). Tribuna das Ilhas conversou com ela

Marta Baeta, esteve no Faial para apresentar aos alunos da Casa de Infância de Santo António (CISA) o projeto de voluntariado que desenvolve no Quénia, “From Kibera With Love”, através do qual presta ajuda várias crianças e suas famílias.

A ação de apresentação decorreu na tarde da passada quarta-feira, nesta instituição de solidariedade social, no âmbito de uma visita que a responsável efetuou pelos Açores, nomeadamente a São Miguel, Terceira e Faial com o intuito de dar a conhecer e divulgar este seu projeto de ajuda às crianças de Kibera.

Marta Baeta é uma jovem lisboeta de 25 anos, que há cerca de dois anos e meio resolveu, através da AIESEC, uma organização internacional gerida por estudantes que oferece aos jovens experiências profissionais e de voluntariado no estrangeiro, fazer voluntariado no Quénia, mais precisamente em Kibera, um bairro de lata que concentra a maior parte da população de Nairobi, capital daquele país africano. Apaixonou-se por 25 miúdos e depois de conhecer as condições desumanas em que vive a população daquela localidade resolveu criar este projeto.

Ao Tribuna das Ilhas, Marta contou que a ideia de vir aos Açores partiu de um grupo de voluntários que ajuda a divulgar este projeto desde o ano passado, junto de grupos de jovens e nas escolas. “Nesta vinda aos Açores a ideia foi tentar abranger o maior número de escolas”, de forma a sensibilizar as crianças para o facto de “existirem meninos noutros sítios sem as condições que nós temos cá e fazer com que eles contem esta história em casa, aos pais e às pessoas que conhecem, para chegar ao maior número de pessoas possível e incentivá-los a participar nesta ajuda”, disse.

Segundo Marta Baeta, esta visita pelos Açores correu “muito bem”. “A adesão por parte das escolas foi muito boa, até pelo facto de mostrarem vontade de fazer atividades, no futuro, e até mesmo integrar este projeto no seu plano educativo, para que seja uma ação continua”, disse.

Também para a presidente da direção da CISA “o objetivo de trazer a Marta Baeta à instituição foi sensibilizar as crianças e fazê-las perceber que existem outras realidades e que existem crianças que precisam muito da nossa ajuda”. Rosa Dart teve conhecimento da vinda de Marta Baeta aos Açores através de uma amiga que ajuda este projeto e aproveitou a oportunidade. A partir de agora a ideia é “fazer aquilo que estiver ao nosso alcance; falar com pessoas que possam ajudar e contribuir", explica Rosa, lembrando que o pouco com que cada pessoa puder participar significará muito para os destinatários deste projeto. 

 

Projeto From Kibera With Love

A primeira ação que Marta promoveu para ajudar estas crianças aconteceu durante as primeiras cheias que presenciou no Quénia. A voluntária apercebeu-se que aquelas crianças não tinham galochas, que custam 2,50€, nem meios para as comprar, e lançou um apelo via Facebook. As ajudas chegaram de todos os lados. Depois das galochas, a sua ação nunca mais parou. Comprou material escolar para as crianças e comida para fazerem duas refeições por dia na escola e foi aí que nasceu o projeto From Kibera With Love.

Inicialmente, este começou por garantir a educação a 16 crianças, uma vez que, no Quénia, o acesso à educação é um luxo e a maioria das crianças da Kibera não tem essa sorte, porque as suas famílias não têm condições para assegurar o seu futuro.

Graças aos apoios que conseguiu, fez obras na escola onde começou por ser voluntária, passou a assegurar apoio médico, roupas, brinquedos, calçado, material escolar e até mesmo festas de anos a estas crianças, uma vez que muitas até desconhecem a sua data de nascimento.

Apesar de, há um ano, ter sido ameaçada após denunciar um caso de corrupção, a voluntária portuguesa não desistiu da “sua família”, como lhe chama. Hoje são já 60 crianças e jovens a beneficiar do esforço solidário realizado por esta portuguesa, que faz chegar inúmeras doações a Kibera, o maior bairro de lata do Mundo, situado no Quénia.

Marta tem mais missões que pretende realizar em Kibera. Do seu plano de ações consta a compra de 29 casas para as famílias das crianças que apoia. Mas caso não consiga concretizar esta sua ideia, o objetivo passa por fazer obras nas casas que habitam.

Segundo informação disponível nas redes sociais, que utiliza para promover o seu projeto e angariar fundos, a jovem pretende ainda desenvolver um projeto de pequenos negócios para os pais que não têm emprego. 

Como ajudar

Marta não conta com qualquer tipo de financiamento ou apoio por isso toda a ajuda é bem-vinda. O maior apoio de que precisa neste momento, tendo em conta que não consegue transportar todos os donativos de uma só vez, é monetário. No entanto, para Marta toda a ajuda é bem vinda.

Para conhecer e acompanhar este projeto basta visitar a página de facebook From Kibera With Love, onde consta toda a informação sobre o projeto, as formas  de ajudar e onde é também possível comprar artesanato típico do Quénia feito pelos pais das crianças ajudadas ou merchandising do projeto.

Segundo Marta, quem quiser também pode apadrinhar uma criança, assumindo, por exemplo, as suas despesas de educação.

 

 

 

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