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05
junho

2.ª edição do Azores Trail Run reúne mais de 500 atletas no Faial

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em Reportagem
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O espanhol Tòfol Castanyer foi o primeiro atleta a cortar a meta do Azores Trail Run (ATR) 2015, prova que decorreu sábado, 30 de maio, na ilha do Faial.

Na linha de partida do Ultra Trail “Faial Costa a Costa”, às 09h00 na freguesia da Ribeirinha, marcaram presença 254 atletas. Destes, 246 concluiram a prova, cruzando a meta instalada no Capelo, junto ao Vulcão dos Capeli-nhos, onde marcaram presença, muitas pessoas para apoiar os participantes.

Este evento de trail running, que vai na sua segunda edição, foi composto por duas provas, que percorreram algumas das paisagens mais emblemáticas do Faial, como a Caldeira ou o Vulcão dos Capelinhos.

A prova de menor dimensão - “Trilho dos 10 Vulcões” -, percorreu cerca de 22 quilómetros, com partida na Caldeira e chegada no Vulcão dos Capelinhos.

O destaque esteve para a prova de maior dimensão: o “Faial Costa a Costa” que atravessou toda a ilha do Faial, ao longo de 48 quilómetros, com partida na Ribeirinha e chegada ao Vulcão dos Capelinhos.

 A primeira edição do ATR, em 2014, contou com cerca de 200 participantes. O sucesso da prova e os elogios dos atletas participantes, como a então campeã mundial, Anna Frost, ou os portugueses Carlos Sá e Armando Teixeira, elevaram a fasquia para a segunda edição, que contou com mais do dobro das inscrições.

Eram 12h55 quando Castanyer concluiu os 48 quilómetros que compunham o Ultra Trail “Faial Costa a Costa”, prova que pontua para o Circuito Nacional de Trail Ultra.

Natural da ilha de Mallorca, o atleta concluiu a prova em 03h55m10s, tendo mantido a liderança isolada desde a partida, na Ribeirinha, até ao final.

Recorde-se que a edição de 2014 desta prova foi ganha pelo português Armando Teixeira, que demorou 04h05m a completar o percurso.

Cerca de 27 minutos depois de Castanyer chegou Luís Fernandes. O madeirense, atual campeão nacional, fez a prova em 04h22h47s, garantindo o segundo lugar do pódio.

Em terceiro lugar da geral ficou Miguel Silva, que concluiu o percurso em 04h26h45s.

A primeira atleta feminina a terminar a prova de 48 quilómetros foi a portuguesa Sónia Tubal, que concluiu o percurso em 05h56m14s.

Quanto aos atletas da ilha a participar na prova, o primeiro a cruzar a meta foi João Pires, que garantiu o 6.º lugar da geral. Destaque ainda para Sónia Mendes, que foi a primeira mulher do Faial a concluir os 48 quilómetros.

 

 

JOSÉ BAPTISTA REPETE A VITÓRIA DE 2014 NO “TRILHO DOS 10 VULCÕES”

 

Depois de vencer a edição de 2014 da prova de 22 quilómetros, José Baptista era um dos favoritos à vitória em 2015 e não deixou escapar os créditos por mãos alheias.

O atleta faialense correspondeu às expetativas e foi o primeiro a concluir o “Trilho  dos 10 Vulcões”, em 01h51m37s. Ainda assim, Baptista não conseguiu suplantar a sua própria marca pessoal, estabelecida em 2014, quando fez o percurso em 01h35m39s.

A Baptista seguiram-se o também faialense Dário Moitoso (01h55m56s) e Carlos Peixoto (01h56m28s).

A primeira mulher a concluir a prova de 22 quilómetros, que partiu da Caldeira às 11h30, foi a espanhola Sofia Bardoll. A atual campeã do European Mountain Maratons fez o percurso em 02h10m55s. De entre as mulheres faialenses a competir no “Trilho dos 10 Vulcões”, a primeira a cruzar a meta foi Andrea Mota.

Nesta prova participaram 197 atletas, dos quais 190 concluíram o percurso.

 

VOLUNTÁRIOS SÃO PEÇA CHAVE

Destaque também para a vasta equipa de voluntários, constituída por cerca de 200 pessoas, que estiveram distribuídas pelas inúmeras tarefas que é necessário executar para pôr em prática um evento desta natureza.

Numa prova com estas caraterísticas os atletas gastam muitas energias. Por essa razão, foram montados postos de abastecimento de líquidos e sólidos ao longo do percurso, coordenados por voluntários, para que os participantes se mantenham hidratados e possam repor as energias que foram perdendo.

Os responsáveis pela segurança, socorro/emergência e Comunicações estiveram concentrados no Centro de Coordenação, na Sociedade Amor da Pátria. Foram estes voluntários que coordenaram todos os aspetos relacionados com a segurança da prova.

AZORES TRAIL RUN “É O MAIOR EVENTO DESPORTIVO LIGADO À NATUREZA DOS AÇORES”

Depois de concluída a prova, o Azores Trail Run (ATR) 2015 chegou oficialmente ao fim em clima de festa no jantar de entrega de prémios, que decorreu ao início da noite, na Marina da Horta, e juntou os cerca de 500 participantes aos quase 200 voluntários que colaboraram na organização do evento.

Na ocasião, o presidente do Clube Independente de Atletismo da Ilha Azul (CIAIA), clube organizador da prova, congratulou-se com mais uma edição bem sucedida do ATR, fazendo um agradecimento especial aos voluntários que colocaram a prova no terreno.

Mário Bastos deu também o mote ao momento mais emocionado da noite, destacando a preservança dos três atletas mais velhos da prova, que mereceram uma ovação de pé.

Para o diretor regional do Turismo não restam dúvidas de que o ATR “é o maior evento desportivo ligado à natureza nos Açores”.

João Bettencourt confessou que o Governo Regional, que apoia o evento, não esperava, na sua primeira edição, que este viesse a ter a importância que já ganhou para a região, destacando a sua “extraordinária componente promocional”.

Também o presidente da Câmara Municipal da Horta destacou o sucesso do projeto, parabenizando em especial os voluntários e os participantes faialenses na prova. José Leonardo Silva deixou ainda um abraço especial aos visitantes, que vieram não apenas do resto do país mas de diversos pontos do mundo.

O ponto comum de todos os discursos da noite foi o reconhecimento do trabalho dos três mentores que sonharam o Azores Trail Run e o puseram em prática: Mário Leal, Frederico Soares e João Melo.

Na entrega de prémios, destaque para os vencedores do Ultra Trail “Faial Costa a Costa”, o espanhol Tòfol Castanyer e a portuguesa Sónia Tubal, que receberam um voucher para participar na edição de 2016 do ATR, com deslocação e estadia incluídas.

O deputado socialista Lúcio Rodrigues, que também participou como atleta no ATR, considera que esta prova tem um “impacto grande na nossa economia, uma vez que se trata de associar o desporto à natureza”. Esta é, no entender do deputado regional, “a melhor forma de divulgação daquilo que temos de bom, do nosso parque natural e mesmo, atrevo-me a dizer, da verdadeira identidade dos Açores”.

“Para quem participa, esta prova é algo de surreal. Sente-se a dinâmica de tudo isto, a extraordinária capacidade organizativa, a simpatia dos voluntários e, claro está, o espírito de entre ajuda entre atletas nos trilhos. Com tudo isto, mesmo os menos preparados conseguem fazer a prova”, diz Rodrigues acrescentando “nunca participei em algo desta dimensão, sempre com muita alegria… o cansaço é o que menos importa”.

Lúcio Rodrigues entende que esta prova tem uma repercussão económica significativa para o Faial, “estes 500 atletas trouxeram famílias, ficaram hospedados nos nossos hotéis, comeram nos nossos restaurantes e ainda compraram lembranças para levar… isto é muito importante, a par, claro está, de toda a divulgação que fizeram nas redes sociais do Faial e da prova” que remata que “para a nossa economia o Azores Trail Run é claramente algo reprodutivo!”

O deputado social democrata Luís Garcia entende que a segunda edição do ATR “foi um sucesso e constituiu um momento de afirmação e consolidação deste evento. Não é fácil um evento atingir com apenas duas edições esta dimensão, esta envolvência e esta projeção. Estão, por isso, de parabéns para além dos participantes, o CIAIA, os seus mentores, as entidades que o apoiam e as dezenas de voluntários que muito contribuem para a sua organização exemplar.”

“Este evento não é apenas uma prova desportiva. É muito mais do que isso. É um evento que alia desporto, turismo e conservação da natureza, numa simbiose quase perfeita daquilo que deve ser o mote da promoção dos Açores e do desenvolvimento sustentável que ambicionamos. Além disso este evento tem efeitos económicos bem visíveis nos dias que o envolveram, constitui já um incentivo para a prática desportiva de muitos faialenses e é uma exigência para uma manutenção regular de muitos trilhos e locais na nossa ilha”, defende o deputado eleito pelo PSD Faial à Assembleia Regional que deixa ainda um recado, “o sucesso deste acontecimento deve fazer com que muitas entidades públicas reflitam sobre os métodos e os dinheiros públicos que são gastos em alguns eventos com o objetivo de promover os Açores.”

Alerta ainda para os desafios que este sucesso coloca “cuidar do futuro deste evento pensando sempre nem tudo está feito e que é possível inovar. Esta é uma tarefa exigente pois as expetativas estão bem elevadas. E, por outro lado, desafia-nos a procurarmos outros eventos desta ou de outra natureza, que possam constituir contributos válidos para o nosso desenvolvimento sustentável”.

 

Opinião dos participantes

Ainda a prova não tinha chegado ao fim e já as opiniões sobre esta prova “choviam” nas redes sociais, opiniões e fotografias que viajam pelo mundo fora promovendo o Faial, as suas paisagens e, sobretudo, a sua capacidade de organizar provas de renome.

Luís Campos, voluntário na área da fotografia escreve assim, “mais uma vez, foi excelente poder partilhar com tanta gente esta experiência fantástica que é o Azores Trail Run. Este é o tipo de prova que se pode dizer ser uma autêntica festa, onde interessa acima de tudo participar e contemplar as paisagens que a Ilha do Faial oferece. É um orgulho ouvir os atletas parabenizar a organização e todos os voluntários que tornaram a prova mais acolhedora. Este é o meu singelo contributo para mostrar a todos os que não poderam estar presentes, uma parte desta grande festa que é o AZORES TRAIL RUN.”

Marla Pinheiro, voluntária escreveu na sua página “(…) assistir de perto a um evento como o Azores Trail Run faz qualquer pessoa ter vontade de correr também. Há uma mística difícil de explicar à volta desta prova. Não sei se são as paisagens fantásticas do Parque Natural do Faial. Não sei se é o facto de juntar gente de todas as idades, dos 23 aos 83, e de todo o mundo. Não sei se é aquele momento, antes da partida, onde atletas de renome internacional e pessoas anónimas são exatamente iguais; cheios de adrenalina; ansiosos para começar a correr. Não sei se é a azáfama dos que assistem à prova e puxam pelos participantes com todas as suas forças. Assistir à chegada à meta de uma prova como esta é um privilégio. Ficamos genuinamente contentes com a alegria de quem chega, esgotado mas feliz. Aquela sensação de desafio superado liberta uma energia que nos faz sentir orgulhosos daquela pessoa, mesmo quando não a conhecemos de lado nenhum. Se é um dos nossos que chega (um da nossa ilha; um que traz uma camisola do nosso clube; um com quem nos cruzámos ontem e apenas uma vez, mas com quem simpatizámos), a alegria ainda é maior.

Por tudo isto, foi um prazer ser um pequenino parafuso na gigantesca máquina humana que põe de pé esta prova (…) Precisamos de mais gente nesta terra a fazer coisas com paixão!”

Já o atleta Togui Pinto afirmou “estou muito feliz de ter finalizado os 48 km, era o meu principal objetivo. Mais feliz fiquei ainda por ter completado esta duríssima prova em 7 horas e 11 min (…) não conheço ainda muitas provas de trail mas esta posso afirmar sem medo que é uma das melhores do mundo. Estão de parabéns. Quero também fazer referência ao trabalho fantástico de todos os voluntários que auxiliam esta prova. São fantásticos mesmo e uma enorme força para quando já não nos resta ponta de energia e obrigam-nos a ir em frente mesmo sem sentir-mos as pernas.”

O atleta Rui Couto referiu-se ao atleta mais velho em prova (83 anos), no testemunho que deixou na página oficial do Trail, “o senhor Américo  passou por mim na prova, estava eu sentado, completamente sem forças, a apreciar a beleza da caldeira do vulcão! Parou e perguntou-me se eu precisava de ajuda ao que eu respondi que precisava de descansar um pouco porque não tinha forças/coragem para continuar. O Sr. Américo disse-me, com um sorriso rasgado de quem aprecia mesmo a vida: “Eu coragem tenho muita, vai-me é faltando a resistência!”. Certificou-se que estava tudo bem comigo e continuou a desbravar aquela subida para a qual eu nem conseguia olhar! Um pouco atrás aparece uma senhora que também me perguntou se eu precisava de alguma coisa ao que respondi que, além de estar mesmo muito cansado e com muita dificuldade em continuar, a paisagem era linda demais para eu não parar um pouco a apreciá-la. A senhora olhou em frente e disse-me: “Olhe o meu marido! Tem 82 anos e farta-se de esperar por mim. Ele simplesmente não pára. Nunca! “Olhei em frente, quase com as lágrimas nos olhos e disse: Sabe, eu gostava tanto, mas mesmo tanto de poder voltar aqui com 82 anos e fazer o que o seu marido está a fazer que nem imagina. Que orgulho que deve ter nele!”

Paulo Alexandre Lema Pelicano frisou “foi o melhor e mais simpático voluntariado de todas as provas em que participei em quase  dois anos de trail ... e muitos trails”.

Miguel Silva, um dos principais atletas da equipa da Solomon Portugal, mostrou-se extremamente satisfeito por poder participar, destacando o feedback positivo que a primeira edição provocou entre os adeptos do trail running: “Depois de ver os vídeos e as fotos e ouvir o feedback positivo dos outros atletas, eu tinha de estar cá este ano”, disse.

Um dos vários participantes dos Estados Unidos é Leon Lutz, que destaca o empenho da organização do ATR e a paixão que encontrou no Faial à volta desta prova. Para além de correr, Lutz escreve sobre as suas experiências nestes eventos, tal como vários jornalistas de outros países que também marcam presença nesta que promete ser mais uma grande edição do ATR.

 

CAMINHADA SOLIDÁRIA

"DE VULCÃO PARA VULCÃO"

Em paralelo com as duas provas do Azores Trail Run decorreu uma caminhada solidária na Ribeirinha.

A receita resultante desta caminhada destina-se a apoiar a população afetada pela erupção do vulcão na ilha do Fogo, em Cabo Verde

Esta caminhada contou com a participação de 55 pessoas, o mesmo número do que no ano passado, e foi organizada pela AZORICA – Associação de Defesa do Ambiente.

Teve o seu início junto ao polivalente da freguesia da Ribeirinha, passando pelo porto daquela freguesia, seguindo até ao Farol e terminando no Polivalente.

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