Aníbal Pires, número um da CDU no círculo eleitoral dos Açores, esteve na cidade da Horta durante o dia 28 de julho para encontros com a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) e a Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores (APEDA), juntamente com a faialense Paula Decq Mota, a número dois da coligação a nível regional. Em declarações à comunicação social deixou o mote aos açorianos para que repensem o seu voto na Legislativas de 4 de outubro.
Mesmo sabendo que “ninguém é dono dos votos”, o cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral dos Açores frisou a “possibilidade” que o “povo açoriano” tem de fazer uma reavaliação das opções tomadas nas últimas eleições legislativas.
“Em 2011 o que aconteceu foi que a maioria do povo português apoiou três partidos que são responsáveis pela governação em Portugal desde 77, o que nos conduziu à situação em que hoje nos encontramos, e que é muito difícil”, acrescentou.
Bastante crítico da atuação do Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas, Aníbal Pires referiu o aumento de carga fiscal e a redução de rendimento como exemplos das políticas assumidas nos últimos quatro anos, durante o período Troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), “tudo em nome de objetivo que não foram cumpridos”, exemplificando com o aumento registado ,na ordem dos 40%, no que à Dívida o Estado Português comparado à quatro anos atrás
“Para que serviram estas políticas? É nisto que os açorianos têm que pensar, que é fundamental fazer uma rutura com estes partidos, que apoiaram a intervenção estrangeira, e procurar dar maior pluralidade à representação açoriana na Assembleia da República”.
No encontro de mais de duas horas e meia com a APEDA os focos apontaram ao facto do Governo da República não ter regulamentado o setor dentro do Quadro Comunitário de Apoio que se estende até 2020 , com “dois anos dentro”, “impendido os pescadores e os armadores de poderem fazer o seus investimento” e limitando o tempo para utilização dos fundos europeus do Quadro, acredita o número um da CDU pelos Açores.
Na procura de mudanças efetivas neste setor, Aníbal Pires acusa a República e “não acautelar” os interesses da Região na gestão dos recursos do amar , gestão essa que entende dever ser feita em “proximidade e não em Bruxelas”.
“Sendo Portugal o país como maior linha de Costa e maior Zona Económica Exclusiva na União Europeia é gravíssimo e incompreensível nem sequer conseguirmos pescar para o nosso consumo próprio”, concluiu o candidato.
Em cima da mesa com a CCIH estiveram as preocupações dos empresários das diferentes ilhas que se encontram sobre jurisdição deste órgão e questões relativas às novas Obrigações de Serviço Público (OSP) inter-ilhas , “que não são conhecidas”, bem como as do transporte marítimo. Quanto ao aumento de impostos exigidos às micro, pequenas e médias empresas, Aníbal Pires garantiu que o PCP “irá levar à discussão propostas muito concretas no sentido de aliviar essa enorme carga”.
Nas Eleições Legislativas de 2011 a CDU foi a quinta força política mais votada no arquipélago, conseguindo a preferência de 2287 eleitores, o que correspondeu a 2,53% dos votos. Nesse sufrágio o PSD, com 47,36% dos votos da Região, elegeu três deputados pelo círculo eleitoral dos Açores e o PS, com 25,67% os restantes dois.