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20
agosto

Do Pacífico ao Atlântico quo vadis cinco chagas

Escrito por  Rufino Vargas
Publicado em Rufino Vargas

Na década de 50 quando era jovem, vi um filme intitulado "Quo Vadis", que ficou indelévelmente gravado na minha mente até hoje. Era baseado no encontro entre o Mestre da Cristandade e S. Pedro, em que este Lhe fez a tão famosa interrogação: Quo Vadis Dominus, para onde vais Senhor. Para onde vai a nossa Igreja, julgo ser uma peocupação de muitos Portugueses.  Atualmente temos um dinâmico e zeloso Pastor Açoreano Rev. António Silveira, que movido pela pujança da montanha mais alta de Portugal que é o Pico de onde é natural, coadjuvado por muitos obreiros voluntários é a resposta  acertada para a presente conjetura.  A Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas localizada em S.José da Califórnia, está presentemente a comemorar a vetusta e invejável efeméride de 100 anos.  Foi fundada a 13 de novembro de 1914 pelo Monsenhor Henrique Augusto Ribeiro grande patriota português, açoriano e faialense de corpo e alma.  O seu “curriculum vitae” é assombroso e multi-facetado.  No desempenho do seu múnus sacerdotal na ilha das Flores, sobressai a sua valiosa contribuição sócio-cultural e religiosa, destacando-se em particular a fundação da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes em Santa Cruz, onde existe uma lápide de homenagem gratidão e  reconhecimento como fundador desta Igreja.  Emigrou para a Califórnia antes da primeira grande guerra mundial, e prestou os seus serviços religiosos na Igreja Nacional Portuguesa em Oakland, sendo transferido para S. José onde se estabeleceu, concebeu e concretizou o seu sonho magnum opus a fundação-criação da Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas.  Com o seu espírito ambicioso empreendedor e com a imprescindível cooperação de 18 famílias portuguesas, conseguiu obter uma petição composta de 18 páginas de assinaturas, sendo a obra aprovada pelo Arcebispo Patrick William Riordan em outubro de 1914.  A construção da Igreja foi autorizada por decreto da Santa Sé em novembro do mesmo ano.  A 13 de julho de 1919, foi solenemente inaugurada por Sua Exc. Rev. Edward J. Hanna Arcebispo de San Francisco.  Monsenhor Ribeiro manteve um diário no qual registava a par e passo as suas atividades quotidianas até à véspera da sua morte em 8 de agosto de 1936. Parafraseando o Monsenhor…"Na cidade de S.José  e nas povoações próximas, não creio que haja uma única família portuguesa que tenha deixado de auxiliar   esta construção tão grandiosa, para todos o meu indelével testemunho da minha gratidão"!!!  Monsenhor Ribeiro foi o último padre a ser elevado a este título eclesiástico durante a monarquia.  Depois da implantação da Républica em 1910, desencadeou-se um acérrimo clima e campanha anti-clerical, em que a a religião foi vilificada e praticamente banida.  Foi tão grave que o governo de Sua Majestade Britânica mandou um vaso de guerra a Lisboa, expressamente para evacuar religiosos(as) de nacionalidade inglesa, operação esta que relembrou  o Ultimato Inglês de fin de siècle  de triste memória.  O mundo estava assolado pela primeira guerra mundial.   O panorama político e sócio - económico era devastador.  De traça manuelina a Igreja foi desenhada por um arquiteto bracarense e inspirada no desenho arquitetónico da Igreja de Santa Cruz de Braga em Portugal.  Levou 5 anos para ser construída e custou $90 mil dólares o que representava o dobro do orçamento original.  As nossas casas são os nossos castelos, mas a Casa de Deus deve ser a mais imponente. Em preparação para o centenário, o Padre António Silveira tem desenvolvido um trabalho extraordinário na manutenção e embelezamento do perímetro circundante do nosso Templo, que em sentido figurativo representa a vinha do Senhor. A antiga  escola Portuguesa das Cinco Chagas fundada pelo Rev. Mário Cordeiro em 1960 e encerrada em 2009, está a  funcionar em pleno, com 134 alunos sob a prestigiada direção dos Jesuítas que neste Vale e cidade de Santa Clara, são portadores de muito poder e influência politico-religiosa. Concumitantemente o Monsenhor Ribeiro apoiado por 81 paroquianos, fundou  a Irmandade do Espírito Santo, (I.E.S.), que recentemente também celebrou com muita pompa e circunstância o seu centenário. Ultimamente tem existido e prevalecido uma certa controvérsia e dúvida quanto à devida relacionação da Irmandade vis-à-vis Igreja.  Assim diz o Monsenhor no seu diário"… edificou-se a capela do Espírito Santo e um pequeno salão para as reuniões e entretenimentos dos paroquianos e durante mais de 4 anos na pequena mas devota capela celebraram-se os Divinos Mistérios"… A Irmandade arvora o símbolo religioso do Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade que é Sagrado.  A Irmandade e a Igreja devem coexistir como duas irmãs gémeas, isto é, uma não pode ou não deve viver sem a outra. Com a devida vénia passo a relatar o teor do editorial do Portuguese Tribune de 9 de fevereiro de 1989…Aqui as Irmandades tem vindo a evoluir a olhos vistos, cumprindo hoje mais uma função social (a das sopas) que outra qualquer.  Esta de S. José por exemplo cuja Capela serviu de Igreja paroquial e quase foi Matriz, chegou a designar-se oficialmente por Irmandade do Espírito Santo para benefício da paróquia de Santo Christo Os seus encargos de início (artigo 18° dos primeiros estatutos):auxiliar o Rev. Pastor em todos os atos mais solenes do culto católico; fazer a festa do Divino Espírito Santo todos os anos no domingo antes da Festa de S. Pedro e S. Paulo; promover o mais possível o esplendor da festa das Endoenças desde o Domingo de Ramos até ao Domingo de Páscoa; assistir também à festa do Padroeiro da Igreja o Senhor Santo Cristo das Chagas… Na minha opinião uma Irmandade religiosa não é uma mera sociedade.  A Deus o que é de Deus, a César o que é de César.  Pressumo que o sonho do Monsenhor Ribeiro, não foi plenamente realizado por escassez de fundos.  A nossa passagem pela orbe terrestre é efémera, e temos o dever cívico e moral de legar um futuro melhor para as gerações vindouras.  O campanário ou seja a sineira da Igreja precisa de muito trabalho, assim como os preciosos vitrais, arranjo e conserto do orgão de tubos e instalação de um relógio na fachada da Igreja, como é normal em quase todas as Igrejas em Portugal, e nos alerta que  tempus fugit ou seja o tempo não volta para trás.  Temos boas e talentosas almas que eventualmente poderão ser mecenas para a realização destes projetos.  Quem dá a Deus não paga juros e é justamente recompensado

Parabéns às Cinco Chagas “Ad multos Annos.”

   

 
Lido 2488 vezes Modificado em segunda, 21 agosto 2017 10:43
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