A falta de lugares e o número de voos insuficientes no aeroporto da Horta, quer interilhas quer com Portugal Continental, está a gerar desconforto no seio da Comissão Politica da Ilha do Faial (CPI) do Partido Social Democrata (PSD). Num comunicado assinado por Eduardo Pereira, presidente do órgão local do partido, há fortes críticas à gestão da SATA.
Sair ou chegar aos Açores e viajar dentro do arquipélago é missão quase impossível até dia 15 de setembro para quem não tinha, pelo menos, reserva efetuada. As dificuldades da companhia aérea açoriana em dar resposta à afluência crescente da Região são conhecidas e resposta peca por ser tardia e, quase sempre, escassa.
Eduardo Pereira acredita que a falta de lugares nos voos da SATA de e para o Faial “está a causar enormes constrangimentos à vida das pessoas e ao nosso desenvolvimento económico", e arrasa a administração da transportadora aérea dizendo que esta “não tem tido capacidade nem competência para responder positivamente às potencialidade desse modelo”, referindo-se ao novo modelo de transporte aéreo em vigor desde 29 de março último.
Para o presidente da CPI do PSD/Faial, sob pena da companhia se transformar “num enorme obstáculo ao desenvolvimento e à coesão dos Açores”, existem alterações que urgem ser implementadas num futuro próximo e mudanças de paradigma na gestão da companhia.
Um dos exemplo dados por Eduardo Pereira foi o facto do novo modelo garantir a possibilidade das ilhas não servidas por companhias low cost não ficarem a perder, com os passageiros a usufruir de reencaminhamentos gratuitos após chegadas às gateways das Lajes e Ponta Delgada, mas a realidade é que “sem lugares nos voos inter-ilhas o Faial e as outras ilhas não poderão beneficiar dessa possibilidade e exige que a SATA responda com "eficácia e urgência”.
Outro ponto frisado pelo feteirense foi a falta de lugares também nas ligações diretas entre Lisboa e Horta, declarando que esta “não pode ser resolvida em cima dos joelhos, com o anúncio do reforço dos voos entre Lisboa-Horta-Lisboa, para vigorar entre 22 de julho e 26 de agosto, feito a oito dias de se iniciar a operação, ou com o anúncio, ainda mais recente, de dois voos extraordinários, um para 30 de Agosto e outro para 13 de Setembro, quando perceberam que é quase impossível sair do Faial até meados de Setembro”, aumentando o tom crítico ao afirmar: “estes anúncios avulsos são bem reveladores do amadorismo e da falta de planeamento que infelizmente se verificam na maioria das decisões da administração da SATA”.
Para combater a sucessão de lacunas o PSD torna a reivindicar a manutenção do número de voos semanais no verão IATA, 14, que eram garantidos até ao ano de 2014, quando era a TAP a assegurar a quase totalidade da ligações com Portugal Continental e a ilha do Faial, e lembra ao Executivo de Vasco Cordeiro e à administração da empresa que esta “existe, em primeiro lugar, para promover a mobilidade dos açorianos” e atualmente se transformou num “forte entrave”.
Pereira vê como “urgente” o reforço da operação da companhia, “facultando mais lugares e mais voos, mas é também urgente que haja na administração SATA mais competência, mais profissionalismo e uma maior capacidade de organização e planeamento, coisas que ao Governo Regional, seu acionista único, não parecem preocupar”, acusa.
O grupo SATA tem uma frota composta por 12 aeronaves: três Airbus 310, três Airbus 320, quatro Bombardier Q400 e dois Bombardier Q200.