Em Portugal existem duas freguesias que partilham o mesmo nome. Esta particularidade levou à criação de um projeto único. O Projeto “GE(R)MINAR” foi lançado pela freguesia de Castelo Branco da Beira Baixa à sua congénere dos Açores no âmbito do protocolo de geminação assinado em 2012 que desafia as duas freguesias a desenvolver atividades de caráter cultural, desportivo, social, educativo, turístico, empresarial e económico.
Neste contexto, no decorrer da passada semana, os alunos do 4.º ano dos estabelecimentos de ensino das duas freguesias juntaram-se num intercâmbio físico, que consistiu na deslocação de 10 alunos do Faial à Beira Baixa e de cerca de 30 da freguesia continental ao Faial.
Este projeto, para além de pretender criar laços de amizade entre as crianças das duas autarquias teve ainda por objetivo a troca de experiências, a divulgação do património e a promoçãoda defesa do ambiente.
Dez alunos da Escola Básica/Jardim de Infância de Castelo Branco, acompanhados pela professora e por uma comitiva constituída pelo presidente e elementos que compõem o elenco da Junta de Freguesia albicastrense, deslocaram-se de 4 a 8 de maio à Beira Baixa, no âmbito do protocolo de GE(R)MINAR.
O périplo pela Beira Baixa ficou marcado pela recriação das tradicionais Festas do Espírito Santo em terras continentais. Os alunos integraram o cortejo ao Divino Espirito Santo, que a Junta de Freguesia de Castelo Branco do Faial, promoveu pela segunda vez, naquele concelho a pedido da autarquia local que culminou com um almoço de Sopas do Espírito Santo como manda a tradição. A primeira recriação destas festividades por terras da Beira Baixa aconteceu em 2009, no âmbito de uma deslocação da autarquia faialense à sua congénere.
Nesta visita à Beira Baixa, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer os locais mais emblemáticos da freguesia de Castelo Branco, nomeadamente o Museu da Seda, o Centro de Interpretação Ambiental, o Jardim dos Paços, as ruínas do Castelo. Esta viagem incluiu ainda uma viagem de barco pelo Rio Tejo e a plantação de uma árvore na Quinta da Fonte Nova, (um espaço que agrega várias instituições culturais) e que marca a componente ambiental que carateriza o projeto GE(R)MINAR.
Este intercâmbio mais que um intuito contemplativo teve como objetivo estreitar os laços entre os alunos das duas escolas que surpreendeu pela diversidade cultural e pelas diferentes realidades que distinguem as duas freguesias.
Também no âmbito desta permuta os alunos da Beira Baixa, visitaram o Faial e deixaram a sua marca.
Os 23 alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico da Escola Afonso de Paiva, chegaram ao Faial a 1 de maio, acompanhados por três professoras, dois auxiliares educativos e pela comitiva da Junta de Freguesia de Castelo Branco representada pelo seu presidente, Jorge Neves.
Nesta sua estadia de quatro dias, as crianças albicastrenses da Beira Baixa, visitaram o Morro de Castelo Branco onde procederam à plantação de espécies endémicas dos Açores, o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, a Casa dos Dabney, o Aquário de Porto Pim e deslocaram-se ainda à ilha do Pico.
Este intercâmbio pretendeu essencialmente reforçar os laços já existentes entre as duas autarquias eficou marcado pela hospitalidade e acolhimento que ambas as freguesias proporcionaram aos alunos.
Segundo o Presidente da Junta de Freguesia faialense, Vítor Pimentel este projeto iniciado há cerca de dez anos “após a assinatura do protocolo entre as duas freguesias”, tem permitido “criar laços de amizade e de ligação entre nós autarcas e entre a população de cada uma das localidades de tal ordem fortes que penso já mais serão quebrados”, afirmou no decorrer do almoço de sopas do Espírito Santo que decorreu no domingo.
Em relação aos vários projetos que têm vindo a ser realizados no âmbito do protocolo existente entre as duas freguesias com o mesmo nome, o autarca regista, que “este ano a atividade a que nos propusemos, e que foi iniciada no ano passado, consistia em envolver as crianças”, uma vez que até então o projeto esteve mais direcionado para as associações.
Para Vítor Pimentel, “este projeto GE(R)MINAR vai significar lançar a semente na terra que ligará estas crianças e que no futuro poderá criar um elo de ligação entre estas duas comunidades”.
O presidente tem consciência que este projeto recorre aos dinheiros públicos, no entanto, entende que se trata de um investimento “nas comunidades na cultura”.
“Efetivamente nós não viemos passear”, disse Vítor Pimentel, reforçando que “nós gastamos dinheiro do erário público é verdade, mas é num investimento que permite troca e a partilha de experiências daquilo que existe de bom aqui e no outro lado do atlântico e que permite quebramos a distância que existe no oceano que nos separa”, disse.
Neste sentido, garantiu que este investimento de “permuta pela cultura e conhecimento” já está a ter “retorno na amizade com letras maiúsculas que existe entre estas comunidades”, concluiu.
Também o Jorge Neves, presidente da freguesia albicastrense da Beira Baixa, foi de encontro às palavras de Vítor Pimentel. O autarca explicou que desde o início do projeto o “objetivo era que este relacionamento não se limitasse apenas aos órgãos autárquicos”, mas que permitisse uma “participação bastante grande por parte da nossa comunidade”.
Segundo o autarca esse “propósito foi perfeitamente conseguido. Cumprimos aquilo a que nos propusemos”, disse.
O presidente também defendeu que “não se está a gastar dinheiro, mas sim a investir nas nossas pessoas, a investir na nossa comunidade” justificando que esta atividade foi “perfeitamente enquadrada” no plano de atividades aprovado pela autarquia.
“Temos a consciência que estamos a fazer algo diferente”, afirmou, salientando a este respeito que, “por vezes quando fazemos algo diferente, surgem algumas dúvidas. Mas por vezes é preciso arriscar e este tem de ser por vezes o caminho para o desenvolvimento da nossa comunidade”, disse reforçando que “este é o papel da Junta de promover o progresso”, sustentou.