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22
outubro

Faial vai ter nova câmara hiperbárica em Novembro

Escrito por  Marla Pinheiro/fotos: DR
Publicado em Reportagem
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A medicina hiperbárica consiste no uso terapêutico de oxigénio a pressões mais elevadas que o normal. Não é nenhuma novidade médica, muito pelo contrário, uma vez que já no século XIX existem registos da sua utilização. No entanto, o entusiasmo gerado pelas suas virtudes é recente. O Hospital da Horta foi o segundo do país a ser dotado de uma câmara hiperbárica. A Lolita – como foi baptizada – está no Faial há 20 anos. No entanto, e apesar de ter sido vital por diversas vezes ao longo deste período, só agora está a ver as suas potencialidades aproveitadas ao máximo. O sucesso da utilização terapêutica da câmara é notório, e está prevista para o final de Novembro a chegada de uma câmara hiperbárica maior e mais moderna, que permitirá aproveitar ainda melhor este ramo da medicina. Tribuna das Ilhas conversou com Luís Quintino, médico responsável pela medicina hiperbárica praticada no Faial.

 

LUÍS QUINTINO O médico é o responsável pela medicina hiperbárica no Faial

Respirar é algo que fazemos inconscientemente, centenas de vezes ao longo do dia. No entanto, a inalação de ar é vital para a nossa existência. Se formos privados desse gesto, somos privados da vida. O responsável por esta dependência do ar é o oxigénio. Quando respiramos normalmente, respiramos 21% desse gás. Mas, mesmo que respiremos oxigénio a 100%, essa quantidade não chega aos nossos órgãos. Luís Quintino explica porquê: “o oxigénio é transportado pelos glóbulos vermelhos, e estes apenas podem transportar uma determinada quantidade”.  É aqui que a câmara hiperbárica pode operar uma espécie de milagre: “quando respiramos oxigénio puro dentro da câmara conseguimos que ele seja transportado através do plasma. Como o plasma é líquido, transporta mais quantidade de oxigénio. Além disso, permite que este vá a sítios onde os glóbulos vermelhos não chegam”, explica. Contas feitas, recorrendo à câmara hiperbárica, é possível fazer chegar o oxigénio aos tecidos em doses quinhentas vezes superiores ao normal.

Existem três situações em que a câmara hiperbárica é o único tratamento possível. No entanto, a maioria das utilizações da medicina hiperbárica prende-se com tratamentos coadjuvantes. Como o nome indica, são tratamentos que servem para ajudar ao tratamento de complicações resultantes de outras doenças, e como tal trata-se de um complemento a outros tratamentos.

No Faial, o tratamento das complicações das diabetes será a área em que a câmara mais é utilizada, de acordo com o responsável. No entanto, nem só de úlceras diabéticas vive a medicina hiperbárica no Hospital da Horta. Antes do Verão, Luís Quintino tratou cinco doentes com surdez súbita. Os resultados não tardaram a aparecer, e foram encorajadores: “dos cinco casos que tivemos, quatro ficaram quase completamente curados”, diz o médico.

ANTES E DEPOIS A utilização da câmara hiperbárica no tratamento desta úlcera diabética trouxe melhorias surpreendentes

Medicina Hiperbárica no Faial

No hospital da Horta, a câmara hiperbárica, carinhosamente baptizada de Lolita por uma das médicas que a opera, existe há cerca de 20 anos. Foi a segunda câmara a aparecer no país.

Em 1989, Eugénio Leal, então secretário regional do Turismo e Ambiente, percebeu a importância estratégica que seria dotar os Açores de câmaras hiperbáricas. “O Eugénio Leal é um homem de grande visão, que percebeu que o turismo subaquático podia ter muito sucesso nos Açores”, lembra Luís Quintino.

Ciente de que os acidentes de mergulho têm de ser tratados no local, já que as vítimas não podem voar, o então secretário dotou os Clubes Navais da Horta e de Ponta Delgada de verbas que lhes permitissem adquirir câmaras hiperbáricas.

Na ocasião, o Naval da Horta optou por adquirir uma câmara melhor. Achando que não havia condições para mantê-la no clube, a direcção pediu para colocá-la no Hospital da Horta. O pedido foi acatado.

No entanto, o facto da câmara ser propriedade do Clube Naval, mas estar no Hospital da Horta, sendo operada pelos seus técnicos, criava algumas complicações. Então, por sugestão do anterior tutelar da pasta da Saúde no Governo Regional, o Clube Naval da Horta, na altura presidido por João Garcia, ofereceu a câmara hiperbárica ao Hospital.

Agora, faltava resolver o problema da formação. É então que Luís Quintino, médico e simultaneamente mergulhador, grande entusiasta de medicina hiperbárica, surge naturalmente como o clínico com o perfil indicado para coordenar esta área de potencialidades emergentes no Hospital da Horta. Com o apoio inicial da Direcção Regional do Turismo, os médicos Luís Quintino e Orlando Simas foram ao Hospital da Marinha fazer uma formação e, posteriormente, estiveram em Barcelona a fazer uma especialidade em medicina hiperbárica.

Manusear a câmara também não é tarefa para qualquer pessoa. Aqui, a formação é igualmente uma necessidade, que não foi fácil de colmatar. Neste momento, Luís Quintino trabalha com três operadores, acabados de sair do Curso de Operador Marítimo-Turístico do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, e que receberam depois uma formação complementar, ministrada pelo médico.

LOLITA A actual câmara hiperbárica tem 1,20 m de diâmetro

O ano do arranque em força

Luís Quintino marca 2010 como o momento de viragem na medicina hiperbárica no Faial.

Já este ano, o desafio foi lançado a Quintino quando a administração lhe propôs que tratasse um doente que deveria ser transferido para Lisboa, mas que não o desejava. Recorrendo à câmara hiperbárica, a mesma verba destinada ao tratamento de um único doente permitiu que fossem tratados seis.

Em 2010, foram tratados nove pacientes na câmara hiperbárica do Hospital da Horta, quatro dos quais vindos de São Miguel. No futuro, Luís Quintino espera tratar muitos mais.

Nova câmara com capacidade para oito pessoas

A Lolita é uma câmara de tamanho modesto. A nova câmara hiperbárica do Hospital da Horta, que se prevê chegar ao Faial ainda em Novembro, terá 2,40 metros de diâmetro, e capacidade para oito pessoas.

NOVA CÂMARA HIPERBÁRICA O novo equipamento tem o dobro da capacidade do actual

Câmara Hiperbárica no Grupo Central é “fundamental”

Quem o diz é Luís Quintino, que alerta para a importância deste equipamento na assistência ao turismo subaquático. O médico, mergulhador experiente, não duvida de que o público que procura este tipo de turismo é muito bem informado, e escolhe os seus spots de mergulho em função de algumas condições. A proximidade de uma câmara hiperbárica é uma delas.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.10.2010

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