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02
fevereiro

Atlanticoline - Navio “Mestre Simão” tem como destino a sucata

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em Geral
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O navio “Mestre Simão” que encalhou no início do mês no Porto da Madalena não é recuperável. O navio foi dado como perdido, não vai voltar a navegar, sendo agora um destroço que é preciso remover. Por causa desta situação, a AtlânticoLine vai avançar com a construção de um novo navio com características semelhantes e conta ter o novo navio a navegar até ao final do ano de 2019

Na conferência de imprensa realizada no final da passada semana com o Presidente do Conselho de Adminis-tração da AtlânticoLine e a Secretária Regional dos Transportes, eavançaram que “as seguradoras concluíram que não é viável recuperar o “Mestre Simão”, tendo-o dado como perdido. Perante este cenário, a administração da AtlânticoLine com a concordância do Governo Regional optou por promover de imediato a construção de uma nova embarcação, similar àquela que foi dada como perdida”.
Na conferência de imprensa, o Presidente da empresa adiantou também que as seguradoras consideram o navio irrecuperável, e que, portanto, não volta a navegar.
O próximo passo é a remoção do navio por conta de uma seguradora que decidirá se o “Mestre Simão” é desmantelado no Porto da Madalena ou é deslocado do local. Esta decisão será conhecida em breve de acordo com o presidente da AtlânticoLine, Carlos Faias. “O responsável por todas as operações de remoção do navio já enviou convites às empresas do ramo para apresentarem propostas de remoção do destroço e o respectivo plano de remoção, estimando-se obter as respostas em cerca de duas semanas”, salientou o presidente.
Para Carlos Faias “esse plano será entregue na Capitania da Horta, o qual uma vez aprovado levará a iniciar as operações de remoção do mesmo desde que as condições meteorológicas o permitam”.
O Presidente da AtlânticoLine deu ainda a garantia de que estão cobertos pelos seguros todos os prejuízos provocados pelo acidente. “Estamos a falar de duas seguradoras, uma que segura o próprio navio e outra que assegura os danos contra terceiros”.
A segunda seguradora cobre os custos de remoção do combustível e da remoção do próprio navio, enquanto a outra paga à AtlânticoLine a quantia de 9 milhões e 200 mil euros, sendo este o atribuído ao navio, considerado pelas próprias seguradoras irrecuperável.
“O valor da indemnização a pagar ascende a 9 milhões e 200 mil euros, calculados tendo em conta a construção de navio idêntico pelo preço de mercado atual, com uma depreciação resultante da idade do navio, ou seja, da taxa legal de amortização aplicada às embarcações de 5% ao ano”, referiu Carlos Faias.

Empresários do Pico exigem o fretamento de navio

Os empresários do Pico temem que a falta da embarcação “Mestre Simão” provoque danos irreparáveis no destino turístico, sobretudo, no período que medeia entre maio e Setembro, isto porque já assumiram a venda de pacotes turísticos para os principais meses de verão que inclui a estadia no Pico, com viagens de barco às ilhas do Faial e de São Jorge.
Os empresários do Pico entendem que os Cruzeiros do Canal e das Ilhas, juntamente com a embarcação “Gilberto Mariano” não terão a capacidade para dar a mesma resposta no período de verão, além de não transportarem viaturas. Por isso, pretendem que o Governo Regional accione os meios necessários para resolver este problema e encontrar no imediato um barco que juntamente com o “Gilberto Mariano” assegure as ligações no Triângulo, para não se prejudicar de forma irreversível o destino turístico.
Relembre-se que no ano passado foram transportados entre as ilhas do triângulo cerca de 500 mil passageiros.

Propostas para remover navio encalhado no Pico

O capitão do porto da Horta revelou que foram convidadas nove empresas para a “apresentação de um plano de remoção” do barco “Mestre Simão”, encalhado no Pico, tendo as entidades até 09 de fevereiro para apresentar as propostas.
“Recebidas as propostas, haverá lugar a uma análise acerca da adequabilidade e de eventuais impactos, sendo o plano final aprovado pela Autoridade Marítima”, de acordo com uma nota emitida pelo capitão do porto da Horta, Rafael da Silva.
Do “Mestre Simão”, embarcação da Atlânticoline, foi já retirado todo o combustível, óleo lubrificante e óleo hidráulico, e “nos próximos dois a três dias, irá proceder-se a uma verificação final, de segurança, de todos os tanques”, prosseguindo também “a remoção de objetos sólidos que não se encontrem fixos ao navio”.

AtlânticoLine avança para a construção de um novo navio

A AtlânticoLine já descartou a possibilidade de fretar um navio. Diz que até haver um novo navio não vai recorrer ao fretamento de outro barco para que faça o mesmo serviço. Ao invés, vai mandar construir um novo navio para substituir a embarcação “Mestre Simão” que encalhou a 06 de janeiro no Porto da Madalena, na ilha do Pico.
O Presidente do Conselho de Administração da empresa Carlos Faias apresentou na conferência de imprensa que realizou conjuntamente com a Secretária dos Transportes os argumentos para não enveredar pelo fretamento de um barco. “Não há navios no mercado com condições para operar nos portos do Triângulo e que a empresa prefere investir o dinheiro da indemnização na construção de um novo navio que possa durar mais uns 20 anos”.
“De uma pesquisa que já conseguimos fazer ao mercado não existem soluções que se permitam adaptar às condições dos nossos portos”, disse.
Carlos Faias acredita que “seria estrategicamente um erro por parte da administração da AtlânticoLine canalizar o valor que vai receber da indemnização para um eventual fretamento de um outro barco para colmatar essa lacuna que temporariamente possa existir”.
Para o presidente da empresa “estamos a falar de um valor que em termos de fretamento, ao fim de duas ou três operações estariam totalmente investidos. Com esse valor, o que pretendemos fazer é repor a frota da AtlânticoLine e permitir ter um novo navio para mais de vinte anos”.
Segundo Carlos Faias “estima-se que o novo navio entre ao serviço no último trimestre de 2019, fruto de alguns contatos que já fizemos. Estamos a falar de um preço de construção que pode variar entre 16 e 20 meses, daí que avancemos com esta estimativa”.
Faltando ainda apurar as causas do acidente, mas quaisquer que elas sejam, não alteram as contas, mesmo que o acidente tenha sido provocado por erro humano. De acordo com o Presidente da empresa “a seguradora fez as peritagens que tinha que fazer para chegar à avaliação que fez e à comunicação formal que fez”.
A indemnização foi fixada pelas seguradoras mesmo antes de se saber as causas do acidente, pois ainda não foi divulgado o conteúdo da caixa negra. “As razões do encalhe ainda não foram apuradas, não sendo, no entanto, de rejeitar que possa ter havido aquilo que designamos por “infortúnio de mar”, ou seja, terem ocorrido condições de mar extraordinárias e imprevisíveis que colocaram o navio sem possibilidade de governo”, salientou o responsável.
Por outro lado, o Tribuna das Ilhas sabe que a AtlânticoLine está a indemnizar os passageiros que seguiam a bordo do “Mestre Simão” e que perderam alguns dos seus bens, tendo já sido entregues até ao momento cerca de 16 mil euros.
O navio “Gilberto Mariano” irá regressar aos açores no dia 1 de março, iniciando o transporte de viaturas e a operação sazonal com navios fretados começará no dia 3 de maio.

PSD/Açores requer audição da secretária regional dos Transportes no parlamento

O grupo parlamentar do PSD/Açores requereu a audição, com caráter de urgência, da secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, na Comissão de Economia do parlamento açoriano, na sequência do acidente com o ‘Mestre Simão’ e do anúncio do Governo regional de que este navio está “irrecuperável”.
Segundo Luís Garcia, deputado do PSD/Açores na Comissão de Economia, a audição a Ana Cunha justifica-se com a necessidade de “esclarecer dúvidas e incertezas” sobre o transporte marítimo de passageiros e viaturas, “desde logo para a época alta que se avizinha”, entre o Faial, Pico e São Jorge, bem como no grupo Central, e ainda “que navios serão utilizados” nesta operação.
“A saída de circulação do ‘Mestre Simão’ altera rotinas e dinâmicas comerciais que importa restabelecer o mais breve possível. Os agentes económicos precisam de saber rapidamente com o que contam”, lê-se no requerimento assinado pelos deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial, Pico e São Jorge.
As ligações marítimas entre as ilhas do Grupo Central, nomeadamente no Triângulo, assumem particular importância não só do ponto de vista económico, mas também na deslocação diária de passageiros e de viaturas por motivos profissionais e de saúde entre as diferentes ilhas, e especialmente entre o Pico e o Faial.

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