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16
fevereiro

Efeméride - Casa de Infância de Santo António comemora 160 anos

Escrito por  Tribuna das Ilhas
Publicado em Geral
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No âmbito das comemorações dos 160 anos da Casa de Infância de Santo António - CISA, o Jornal Tribuna das Ilhas em colaboração com a Direção daquela Instituição vai promover a realização, ao longo do presente ano, de entrevistas a 12 personalidades que marcaram de forma indelével o desenvolvimento da Casa de Infância.

Tomás Manuel Rocha, de 71 anos, reformado e proprietário de um estabelecimento comercial, dedicou 23 anos da sua vida a esta instituição, também conhecida por Colégio.
Sendo um dos presidentes que mais tempo esteve à frente da CISA, foi o escolhido para marcar o arranque das entrevistas que durante os próximos 12 meses iremos publicar nestes semanário.

Nos finais do século XVII, no local onde hoje é a Casa de Infância de Santo António, existia uma quinta de que era proprietário António da Silveira Linhares Peixoto, que nela mandou construir uma ermida de invocação a Santo António. Por escritura feita em 1710, pouco antes da sua morte, doou toda essa propriedade aos frades capuchos da Ordem de S. Francisco, para que nela edificassem um convento, que foi autorizado por carta régia de 1717, onde se estipulava que não poderia ter mais que sete religiosos.
Em 1832, serviu como hospital militar.
No ano seguinte, quando os frades saíram, o edifício foi cedido à Santa Casa da Misericórdia, que nele instalou provisoriamente o seu hospital, até 1835, ano em que foi ordenada a sua demolição e a igreja foi completamente despojada dos seus altares, imagens e mobiliário.
No entanto, pouco depois, o Governo Civil do Distrito da Horta decidiu salvaguardar o edifício, para o qual nomeou uma comissão e recolheu donativos, ficando novamente recomposto em 1846.
Anos depois, o Governador Civil António José Vieira Santa Rita intercedeu junto do Ministério do Reino para que o cedesse para o Asilo da Infância Desvalida, instituição então em formação, que dele tomou posse por Portaria de 28 de Julho de 1857.
Depois de numerosas doações, incluindo do futuro rei, então Infante D. Luís, em 1858, a 28 de Dezembro desse ano foi fundado definitivamente, com o nome de “Asilo da Infância Desvalida do Infante D. Henrique”, com estatutos aprovados a 27 de Dezembro de 1875, por uma comissão presidida por um dos seus fundadores e grande benemérito, o Padre João Pedro de Ávila.
Aquando da sua fundação contava com seis internas e em 1941 com quarenta e duas.
Com o sismo de 31 de agosto de 1926 o conjunto ficou em ruínas, tendo sido reconstruído cerca de dois anos depois, embora a igreja, da qual pouco mais ficou que a fachada, tenha sido demolida apenas algum tempo depois.
Em 1932 o serviço interno foi entregue às Irmãs Hospitaleiras Franciscanas Portuguesas, que lá permaneceram durante mais de setenta anos.
A atual Capela de Santo António foi benzida em 1964.
Após o sismo de 1998, mais uma vez, todo o complexo foi reconstruído, e as construções dos anos 20 foram substituídas pelos edifícios actuais. Do convento original já nada resta, mas num dos portões ainda persiste um pequeno sino que se diz ser do tempo dos frades, do século XVIII ou XIX.
Atualmente, a Casa de Infância de Sto. António é constituída por várias valências de apoio à sociedade Faialense. Creche, Jardim de Infância e Escola Básica (Privada), conhecida também por Colégio. Continua com a missão que lhe deu a sua razão de existência, o Lar, em regime de internato, com duas casas, uma mista de crianças até aos 12 anos e uma de jovens feminina até aos 18 anos de idade.

 

Tomás Rocha deu 23 anos da sua vida à CISA

No âmbito das entrevistas a personalidades que passaram ao longo dos últimos anos pela Casa de Infância de Santo António, Tribuna das Ilhas foi ao encontro de Tomás Rocha, antigo presidente da instituição.
Tomás Manuel Rocha, de 71 anos, reformado, dedicou 23 anos da sua vida Casa de Infância de Santo António, também conhecida por Colégio.
Sendo dos presidentes mais duradouros da casa, Tomás Rocha começou a sua jornada na instituição em 1990 como Secretário da Direção cargo que exerceu até 1992. No entanto, ao observar as “péssimas condições” do lar feminino, que na sua opinião era a valência mais importante, decidiu apresentar uma lista.
Em 1993 a sua lista foi eleita para a Direção da Casa, iniciando assim os seus 17 anos com Presidente, divididos em 5 mandatos.
Tomás Rocha afirma ter tido sorte por poder trabalhar com as irmãs, “que eram pessoas muito carinhosas”, que “faziam tudo e mais alguma coisa” pelas crianças e colaboravam muito bem com a direção, e por a instituição ter “bons funcionários”.
A primeira dificuldade que sentiu quando assumiu as funções de presidente, foi monetária pois não tinha como pagar o subsídio de natal aos funcionários e precisava de dinheiro para começar as obras no lar feminino. A solução que encontrou foi convidar o Presidente do Governo a visitar a instituição e a pedir “que o governo investisse naquela casa”.
Deste modo, e com a ajuda do comércio local, Rocha viu inaugurada a casa das meninas, que “foi a coisa mais bonita que fiz ali”, revelou.
Quando questionado sobre o que adquiriu no colégio e que ainda preserva na sua vida, o antigo presidente respondeu a amizade que criou com as crianças que passaram pelo lar e que ajudou a formar que ainda hoje em dia passam no seu café para o cumprimentar. “Isso para mim foi a melhor recompensa que podia ter”, revelou com emoção.
Tomás Rochas explicou que passou tantos anos à frente da instituição, não só pela dificuldade em encontrar um substituto, mas também por gosto. Enquanto lá esteve sempre teve muito apoio por parte dos funcionários e com a sua ajuda criou as festas do Espírito Santo, as festas de Santo António, entre outras coisas que ainda hoje em dia se realizam, referiu.
Outro dos seus feitos foi encontrar uma solução que impedisse que fossem despedidos funcionários quando a Segurança Social o solicitou, funcionários estes que ainda recorda com um carinho especial.
Após o término do seu último mandato como Presidente, em 2010, Tomás foi ainda Presidente da Assembleia da CISA 2011 a 2013.
No que à Direção atual diz respeito, Rocha considera que “estão a fazer um bom trabalho”, mesmo com a presente falta de apoios do governo. O ex-Presidente mostrou-se satisfeito com o avanço das obras do ginásio, que foi a única coisa que não conseguiu concretizar na duração dos seus mandatos.
Apesar de já não fazer parte dos órgãos sociais Rocha, confessa manter uma relação especial com a instituição e procura estar presente sempre nos momentos mais importantes.
Atualmente a Direção tem “sempre a amabilidade de me convidar para as festas” nas quais participa, “nem que seja por pouco tempo”, revelou.
É ainda importante referir que Tomás Rocha foi homenageado como sócio honorário na Assembleia Geral da Casa de Infância de Santo António, a 3 de dezembro de 2013, pelos anos de serviço à Casa.

 

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