A direção da Câmara do Comércio e Indústria da Horta – CCIH, anunciou que vai exigir ao governo e ao grupo SATA o aumento do número de voos e de lugares disponíveis, na operação verão IATA 2018 para o Faial.
Os empresários da Mesa do turismo, estão também “altamente” preocupados com a sustentabilidade e a rentabilidade dos seus negócios por isso vão reivindicar, junto do poder político, que seja “adequada” a oferta à procura nas ilhas do Triângulo e das Flores e Corvo.
A CCIH garantiu que vai exigir ao governo e à SATA que proceda ao aumento das ligações e consequentemente ao número de lugares, na programação de verão 2018 para a Horta.
Numa conferência de imprensa, realizada na manhã de sexta-feira, dia 9 de março, na sede da instituição na Horta, Francisco José Rosa, afirmou que a “CCIH vai exigir ao governo e ao poder político que haja uma adequação da oferta à procura que existe neste momento para o destino das ilhas do Triângulo e das ilhas de sua intervenção”, nomeadamente as Flores e o Corvo.
O representante da CCIH, adiantou que embora ainda não sejam conhecidos os horários de verão da companhia área regional, tem conhecimento que está prevista uma redução do número de voos e lugares para a ilha do Faial.
Neste contexto, o empresário defendeu que “o governo enquanto principal acionista da SATA e da Azores Airlines, tem que intervir junto da administração no sentido de que haja um aumento de frequências, de lugares disponíveis, e um aumento da operação diária na época alta e que esta se estenda inclusivamente à altura noturna”, viabilizando desta forma “a chegada no mesmo dia ao destino para quem quiser aceder ao destino Horta, Pico ou Flores e Corvo”, reforçou.
Os empresários exigem que haja ainda uma mudança de atitude no que há promoção do destino diz respeito. Segundo Francisco José Rosa, “o dinheiro que é investido em termos de promoção, que não é pouco, é do erário público e de todos os contribuintes, tem sido promovido só num sentido ou em dois sentidos” e não de acordo com o previsto na Autonomia “de distribuição pelas ilhas”. “Neste momento, o que se verifica é que existe uma concentração de promoção demasiada em certos destinos. Os Açores são nove ilhas e o Triângulo tem de ser entendido como uma unidade”, entende.
Francisco Rosa, lembrou ainda que apesar da oferta de camas ter aumentado consideravelmente na ilha nos últimos anos, resultado do investimento privado, não foi acompanhada pelo crescimento das dormidas, devido às restrições nas acessibilidades.
“Estas exigências não são feitas de ânimo leve”, disse o empresário, salientando que “o número de camas aumentou a uma proporção superior áquilo que foi o aumento das dormidas”.
Francisco Rosa avançou ainda que “os empresários do turismo estão seriamente preocupados que os imensos cancelamentos verificados em 2017, sejam repetidos em 2018” e por isso receiam não “conseguir rentabilizar os seus negócios”.
Também Paulo Oliveira, membro da Mesa do Turismo e empresário, não poupou criticas ao governo e à operação da SATA, denunciando que a companhia aérea regional está mais preocupada em “estudar” novos mercados do que em servir melhor os açorianos, nomeadamente as ilhas do Triângulo.
“A administração da SATA vai estudar o mercado da Madeira, está a estudar o mercado de Cabo Verde. Mas este mercado que está debaixo dos olhos e que eles vêm cá todos os meses ao parlamento parece não querer estudar”, afirmou o empresário reforçando que “para aqui nunca há aviões, nem para o Faial nem para o Pico”, disse.
Quanto à possibilidade da Ryanair passar a voar também para o Triângulo, a Mesa do Turismo considera como positivo, na medida em que representa “mais gente a chegar a estas ilhas”, defendendo que “o Aeroporto da Horta tem condições quer técnicas, quer de segurança para que essa operação se realize”.
Francisco Rosa, recordou que desde que esta direção da CCIH tomou pose, tem promovido várias reuniões com partidos políticos, com a autarquia, com o governo, com a Administração da SATA e com a ANA, colocando em cima da mesa as suas preocupações, sem no entanto, obter respostas.
“Em todas essas reuniões foram postas em cima da mesa todas as propostas que nós tínhamos, foram apresentados os constrangimentos, e as dificuldades que temos em termos empresariais e o que aconteceu é que nos foram pedidos prazos para algumas respostas, nomeadamente por parte da SATA”, revelou o empresário, adiantando ainda que “passaram os prazos e como é público a operação de verão ainda não está definida”, lembrou.
No que se refere ao aumento da pista do Aeroporto, Francisco Rosa, avançou que não está, neste momento, nem da parte do governo Regional, nem da parte do governo da República “previsto qualquer investimento”. “Não existe programação nenhuma, nem sequer está equacionada em termos orçamento essa obra, da mesma maneira que as rezas, as seguranças que toda a gente fala de que a ANA tem obrigação em termos de contrato, que tem um prazo até 2024 para as resolver, ou seja, nem a curto prazo teremos melhorias em termos de segurança”, sustentou.