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29
março

160 anos da CISA - Colégio importante na transmissão de valores e na promoção do ambiente familiar, destaca Zoraida Nascimento

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Reportagem
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Maria Zoraida Bettencourt Salema Stattmiller de Saldanha do Nascimento, nasceu na ilha do Faial.
Frequentou o Liceu Nacional da Horta, tendo recebido por três anos consecutivos o prémio de melhor aluna de Inglês e concluído o sétimo ano em Ponta Delgada, no ano de 1943, com a classificação de 17 valores.
Licenciada em Farmácia com especialização em Análises Clínicas, durante dois anos foi docente do Ensino Secundário e quinto ano no Externato do então designado Colégio de Santo António.
Ao Tribuna das ilhas, no âmbito das entrevistas que este semanário irá publicar nos próximos meses para assinalar os 160 anos da instituição, a professora partilha a experiencia vivida na Casa de Infância de Santo António – CISA, onde diz ter adquirido os valores da disciplina, camaradagem e solidariedade.

Maria Zoraida Bettencourt Salema Stattmiller de Saldanha do Nascimento, tem 90 anos, e durante 30 anos lecionou a disciplina de Físico-Química no Liceu Nacional da Horta.
Iniciou a sua carreira de docente no Colégio de Santo António onde lecionou as disciplinas de Ciências Naturais e Físico-Química durante dois anos.
Ao Tribuna das Ilhas a professora recorda que em 1953, quando regressou à Horta, após ter concluído, a sua licenciatura em Farmácia com a especialização em análises clínicas, foi convidada “pela Madre Superior para lecionar Físico-Química e Ciências da Natureza, no Ensino Secundário e quinto ano no Externato”.
Tendo em conta que tinha terminado a faculdade e ainda não tinha uma ocupação profissional, resolveu aceitar o desafio e aí permaneceu até “ser convidada para dar aulas no Liceu da Horta”, refere.
Desse tempo Zoraida Nascimento, destaca a forma carinhosa como foi acolhida, o ambiente e as condições de trabalho da instituição. “Eu tive muito bom acolhimento, um excelente ambiente, boas condições de trabalho, cooperação com as irmãs – sendo algumas delas também colegas – e com os restantes colegas, nomeadamente Ilda Mesquita Fraião, Maria Manuela Lopes, Horácio Saloio, Maria Evelina Ramos e Maria Fernanda Pimentel”, revive com saudade.
A professora, salienta que apesar de ser ainda muito jovem e de a experiência profissional não ser muita, conseguiu com “que as alunas fossem dedicadas ao estudo, cumpridoras e no final tivessem um bom aproveitamento”, confessa com orgulho.
No que se refere aos constrangimentos sentidos pela sua geração naquela época a docente aponta a complexidade dos jovens prosseguirem os estudos. “Eu destacaria sobretudo a dificuldade de continuarem os estudos fora da ilha, o que acarretava despesa que a família não podia comportar”, outro constrangimento prendia-se também com o facto de alguns pais “não gostarem que principalmente as filhas fossem sozinhas para o continente”, avança.
Segundo a professora para além destas situações acrescia “a dificuldade de ligação entre Açores e Continente. O transporte era feito de barco, demorando a viagem no mínimo oito dias”, recorda.
A este respeito a professora adianta que foi uma privilegiada. Para além de os seus pais terem família no Continente, na cidade do Porto, que a acolhia, o facto de ser uma aluna empenhada deu-lhe acesso a uma bolsa de estudo. “Consegui uma bolsa de estudos, dada pela Junta Geral, bolsa essa que foi atribuída por ter tido a melhor classificação no Liceu”, conta.
No que se refere à Casa de Infância de Santo António, Zoraida Nascimento, considera que “teve um papel muito importante” naquela época. “Além da capacidade formativa e educativa, foi também um transmissor de valores e promotor de ambiente familiar”, entende.
“A instituição acolhia meninas de diferentes origens com a finalidade de as formar para a vida. Uma vez que elas estavam em regime de internato, as irmãs franciscanas substituíam a sua família. Algumas, porém, tinham família, mas como eram de outras ilhas, os pais achavam que era melhor ficar em regime de internamento”, explica.
Para Zoraida Nacimento falar de CISA é sinónimo de “Educação e formação”. A passagem pela instituição, deixou marcas e valores, que a professora preserva ainda hoje na sua vida, dos quais destaca a disciplina, camaradagem e solidariedade.
Esses valores levaram a professora ter uma participação mais ativa na sociedade. Zoraida Nascimento foi a cofundadora do Núcleo Cultural da Horta e sua Presidente durante 20 anos. Foi também representante da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta no Faial. Frequentou a Universidade Sénior onde fez parte integrante do Orfeão. Foi várias vezes homenageada por entidades locais e regionais. Em 1999, recebeu o Diploma de Mérito atribuído Câmara Municipal da Horta e em 2015 foi agraciada no Dia da Região com a insígnia Autonómica.

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