A cidade da Horta recebeu no passado dia 02 de junho uma reunião do Conselho Geral da UGT-Açores, tendo como principal intuito analisar a situação económica e financeira de Portugal e dos Açores e o respetivo modelo de desenvolvimento económico.
Para esta estrutura sindical, o atual modelo de desenvolvimento económico dos Açores “está esgotado”, o que “impede uma mais rápida aproximação” às médias nacional e europeia, pelo que propõe uma nova abordagem.
“Para além dos constrangimentos naturais decorrentes da sua dispersão e do seu afastamento dos grandes centros de decisão, não há duvida que outros fatores emergiram ou foram agravados pela crise, pondo a nu a ineficiência do atual modelo de desenvolvimento económico, demasiado assente e dependente do setor e dos investimentos públicos, salienta a UGT Açores em comunicado.
Considera ainda que a aposta num modelo “estatizado, assente em grandes investimentos públicos, sem o retorno económico assegurado, gerador de avultados encargos financeiros futuros e de ineficiências graves de gestão, está esgotado”.
De acordo com o comunicado emitido após o encontro realizado na cidade da Horta, ilha do Faial, o esgotamento do modelo “dificulta ou impede uma mais rápida aproximação à média nacional e europeia” com “consequências graves” ao nível do desemprego, que se mantêm “persistente e cronicamente mais elevado, em média, na região, quando comparado com o restante território nacional”.
A este propósito, o sindicato cita dados estatísticos do último boletim trimestral do Instituto Nacional de Estatística (INE) e Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) para referir que, em 31 de março de 2018, o desemprego nos Açores situava-se em 8,9%, “confirmando assim a tendência crescente” dos últimos seis meses, “superior e em contraciclo” com a tendência decrescente que se verifica a nível nacional, de 7,9%.
“Se conjugarmos estes dados com os do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) verificamos que a estes desempregados temos de acrescer ainda uma parte apreciável de trabalhadores desempregados que se encontram inscritos em programas ocupacionais, ou seja, à volta de 6000 indivíduos”, refere a UGT/Açores.
Este valor faz com que o número total de desempregados na região “suba para 17.000 açorianos aptos para o trabalho, ou seja, cerca de 14% da população ativa, e não 8,9% como divulgado pela estatística”.
Esta estrutura sindical refere ainda que “a nível nacional e na Madeira, os trabalhadores em programas ocupacionais vêm decrescendo desde 2014” e que nos Açores a tendência é contrária, “o que denota a dificuldade crónica do atual modelo de desenvolvimento económico na criação de emprego sustentável”.
A UGT/Açores desafia, por outro lado, a região e o conjunto de órgãos e serviços que tutela a iniciar a abertura de um processo negocial com vista à revisão e atualização da remuneração complementar/subsídio de insularidade dos seus funcionários, que não é alvo de qualquer aumento desde 2012, fazendo, assim, justiça para com estes seus trabalhadores.
Por último, defende esta estrutura a “abertura imediata” do processo negocial que visa consagrar o horário das 35 horas e o direito à carreira dos trabalhadores com contratos individuais de trabalho dos hospitais de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada, à semelhança do que ocorreu recentemente com o acordo nacional assinado no Ministério da Saúde.
“A UGT-Açores entende ser dever do Estado e da Região, depois dos longos e duros anos de crise e austeridade rigorosas impostas aos trabalhadores portugueses, encetar políticas e medidas que permitam não só devolver como aumentar os salários e rendimentos dos trabalhadores em geral, em particular do setor público seguindo o exemplo do setor privado mais dinâmico”, conclui o comunicado remetido às redações.